O povo não é bobo. (Ou a-ha!, u-hu!, abaixo a Telesur!)

Cartas do documentário "A revolução não será televisionada"

Na Venezuela, no passado recente, o presidente Hugo Chávez foi vítima de uma sórdida campanha dos meios de comunicação daquele país. Em 2002, sofreu um golpe de Estado (posteriormente revertido) movido por interesses internacionais (leia-se, Casa Branca) e locais (leia-se, gangsteres metidos no negócio do petróleo). Com apoio material, financeiro e uma cobertura jornalística desavergonhada, empresários de comunicação venezuelanos foram sócios na conspiração. Tudo pode ser visto no excelente documentário irlandês A revolução não será televisionada (link abaixo).

Nove anos se passaram. E agora é Chávez quem lança mão dos meios de comunicação na tentativa de tanger a realidade de um país.

Enquanto o mundo assiste maravilhado à onda revolucionária no mundo islâmicno, Chávez colocou sua Telesur, rede de TV que controla, a serviço de um de seus maiores aliados, o ditador líbio, Muamar Kadafi. “Calma na capital da Líbia”, anuncia o locutor (veja abaixo).

Em outra reportagem (assista aqui), com uma voz fraca, quase envergonhada, o enviado especial da Telesur à capital Líbia, Jordán Rodríguez, repete o bordão: “A calma se mantém em Trípoli”. Meninos jogam futebol, o comércio funciona normalmente, as pessoas andam nas ruas… No pasa nada!

Mas o povo não está nas ruas? Sim, concorda a Telesur, mas por um motivo bem diferente do que imaginamos, qual seja, para empenhar apoio a Kadafi e protestar contra a campanha velada da Otan por uma invasão estrangeira da Líbia. O repórter tem a pachorra de entrevistar dois apoiadores de Kadafi que dizem que a situação na capital está tranqüila. Mas e quanto aos relatos que dão conta de centenas de civis mortos e de deserções nas Forças Armadas e no Executivo, motivadas pela discordância em relação à forte repressão do governo contra os manifestantes? Isso é coisa da Al Jazeera e da BBC, que estariam distorcendo a realidade, explicam os entrevistados.

Quem diria, a revolução está sendo televisionada, mas não pela TV de Chávez. O efeito disso será nulo – aliás, servirá apenas para queimar ainda mais o já velado filme do presidente venezuelano.

A Telesur prevarica; a onda continua.

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1 comentário

Arquivado em Jornalismo, Mundo

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