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[Agenda] Roda de conversa e lançamento da biografia de Tiradentes no Congresso Brasileiro de Psicanálise, em BH

6eb45a_4606c482742246dbbbed168a9cca545a_mv2Em junho, acontece em Belo Horizonte o XXVII Congresso Brasileiro de Psicanálise, com o tema “O estranho: inconfidências”. No dia 20 (quinta-feira), às 18h45, será promovida uma roda de conversa com o tema “Tiradentes: um estranho inconfidente”, na qual irei participar com uma fala em vídeo.

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Tiradentes em galego-português

pgl (2)O Portal Galego da Língua publicou uma entrevista em que falo sobre a biografia de Tiradentes. Para ler, clique aqui.

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O lúcido desejo de liberdade

downloadA revista Será? publicou uma crítica da biografia de Tiradentes, escrita pelo poeta e ensaista Paulo Gustavo, mestre em Teoria da Literatura pela UFPE e membro da Academia Pernambucana de Letras. O texto segue abaixo:

O Lúcido desejo de liberdade

Num país que não prima muito por sua memória e onde tudo parece estar sempre começando num eterno presente, é alentador que o passado histórico seja lembrado às novas gerações. Assim fazem anualmente as escolas de samba em meio aos prazeres do Carnaval. E o fazem de uma forma fantástica e criativa, capaz de deslumbrar não só os brasileiros, mas também, sem ufanismo, outras plateias ao redor do mundo.

Talvez um bom biógrafo tenha que ter não só algo de romancista, mas também de um carnavalesco que precisa passar encanto à sua história. Nós, leitores, somos sensíveis ao tédio, precisamos, de par com a possível exatidão histórica, de movimentos vivos, de cores, cadências e brilhos por onde a narrativa vá fluindo. Até porque, em muitos casos, logo sentimos que o autor atravessa o samba ao se deter em detalhes sem importância. O bom biógrafo, mesmo que fale de destinos amargos (como é o presente caso) precisa encontrar o ponto do doce.

Essa introdução é para (continuando com a metáfora do Carnaval) jogar merecidos confetes sobre o livro do escritor e jornalista mineiro Lucas Figueiredo: “O Tiradentes, uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier” (Companhia das Letras, 2018), fruto de cinco laboriosos anos. Confesso que para mim o biografado sempre foi quase uma abstração. Uma abstração cívica, é verdade, mas abstração. Imagino que muita gente, malgrado os estudos escolares, também não passe deste ponto: Tiradentes como uma abstração, um fantasma, apenas (é duro aqui este advérbio) um mártir do regime colonial português no Brasil. Enfim, um Tiradentes desencarnado de ser homem, um mito descolado das montanhas e estradas pedregosas de sua Minas natal.

Lucas Figueiredo, quaisquer que sejam os senões que se possam apontar no seu livro, nos entrega um Tiradentes encarnado e humano. Um personagem à altura do seu destino, sem qualquer mitificação. Talvez por isso, Figueiredo tenha escolhido como epígrafe este verso emblemático: “Consiste o ser herói em viver justo”, de ninguém menos que outro inconfidente: o poeta e desembargador Tomás Antônio Gonzaga. É, pois, com justeza e equilíbrio que vamos acompanhar o lúcido e “louco desejo de liberdade” das Minas setecentistas.

O Tiradentes que emerge da sedutora narrativa de Figueiredo é bem um homem do seu tempo. Não obstante se proclamar sem “figura, valimento e riqueza”, tampouco é o pobre-diabo em que um dia se quis acreditar. Ele se vê assim, mas nós o vemos acicatado pelas limitações da sociedade colonial e pela comparação com outros inconfidentes e contemporâneos mais bem socialmente situados. Ao lado do Joaquim da caserna, onde era oficial (com a mais baixa patente de então, a de alferes), e do ofício liberal de “dentista”, que dominava como poucos (o que lhe valia gratidão e admiração popular), há o Joaquim por assim dizer empreendedor, construtor de estradas, administrador e “homo viator”, conhecedor exímio dos caminhos tortuosos das ricas e surpreendentes Minas Gerais.

Pois bem. Este versátil homem comum, mas igualmente seduzido, a exemplo de padres e intelectuais da Conjuração, pelos ecos do Iluminismo e da Revolução Americana, será de fato o homem o mais pragmaticamente empenhado em empunhar o estandarte da revolta contra o jugo da Coroa portuguesa. Em seu empenho e em seu entusiasmo, não tem papas na língua. Sabe falar e fala bastante, é um comunicativo nato, a ponto de se perder pela própria língua…

Tendo se fundamentado em preciosas fontes primárias, não só nas bibliográficas, Lucas Figueiredo consegue a proeza de ser documentalmente rigoroso sem ser cansativo. Impressiona, por exemplo, como a cada passo, sua narrativa remete a numerosas fontes históricas. Com razão, o historiador e brasilianista Kenneth Maxwell aponta, na orelha do livro, que Figueiredo “[…] reconstrói as Minas Gerais do final do século XVIII de maneira extremamente vívida. E não ignora o importante papel das mulheres. Tampouco o papel dos escravos e da escravidão”. Enfim, um dos grandes méritos do livro é que, junto ao biografado, o autor parece biografar a própria Inconfidência Mineira.

Leia-se, curta-se, divulgue-se!

Paulo Gustavo

 

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Laurentino Gomes fala sobre a biografia de Tiradentes: “fundamental”

qpnwsH___400x400Laurentino Gomes, autor de 1808, 1822 e 1889, deu um depoimento sobre a biografia de Tiradentes em sua página no Facebook: “Terminei hoje a leitura de O Tiradentes, do jornalista mineiro Lucas Figueiredo, pela Companhia das Letras. Valeu a pena esperar. É a melhor biografia já feita do herói da Inconfidência Mineira. Narrativa fluida, prazeirosa, solidamente plantada em fontes de referência. Fundamental!”

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Crítica da biografia de Tiradentes publicada no Valor Econômico: AA+

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11/01/2019 · 12:24 PM

Lula leu na prisão a biografia de Tiradentes

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Foto Ricardo Stuckert

Preso há oito meses na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Lula tem dedicado boa parte de seu tempo à leitura. Entre os livros que leu recentemente, está a biografia de Tiradentes.

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Cristovão Tezza e a biografia de Tiradentes

15175678325a743f588ceda_1517567832_1x1_xsNa edição de hoje da Folha de S.Paulo, em sua coluna na Ilustrada, Cristovão Tezza cita a biografia de Tiradentes.

Repúblicas brasileiras
Cristovão Tezza

O bizarro padrão estético das mensagens do presidente eleito via redes sociais é uma mistura abrutalhada de exército islâmico e pastor de almas, gestos de campanha (nos sentidos eleitoral e militar do termo) e parolagem à Chávez e Maduro: a ameaça de aprovar ele mesmo as questões do Enem é tipicamente venezuelana, embora imagine-se trumpista.

A ideologização do seu discurso, pregando o controle dos conteúdos das escolas segundo os valores da “família conservadora”, que é a “verdade”, sugere que Bolsonaro não foi eleito presidente da República, mas o bedel moral do povo brasileiro. Para quem tem como herói, declaradamente, um torturador, é uma fratura intrigante, o que os fiéis descartam aos gritos (Vai pra Cuba! Foice! Petista! Comunista!).

A continuar assim, o futuro governo desenha-se institucionalmente como o mais ignorante da história do país —e olha que a competição na área é feroz.
Mas a noção de República não é mesmo simples ou intuitiva; é uma penosa construção da cultura. A nossa “Belíndia”, expressão que sintetiza a Bélgica e a Índia que coexistem no Brasil, marcado desde sempre pela desigualdade econômica, é também uma divisão cultural.

Há muitas variáveis em jogo, incluindo-se o advento avassalador da internet; se de um lado ela abriu com pendor democrático as comportas da hierarquia do saber, potencialmente universalizando o acesso à informação, de outro (como lembrava Umberto Eco) deu voz ativa e agressiva a milhões de imbecis. Ingênuos acreditam que o WhatsApp os liberou da “manipulação”; agora eles têm acesso direto aos “fatos”, que se resume a uma guerrilha primitiva de tuítes. Ao mesmo tempo, e paradoxalmente, o frenesi contemporâneo da cultura identitária e relativista estilhaçou o pressuposto basilar da política moderna, de raiz iluminista, que é o princípio da igualdade universal sob a luz da razão. O problema é que há muitas razões em jogo.

O conceito de cidadão vem daí, mas nunca foi plenamente absorvido na cultura brasileira. Para acompanhar essa dura história, acabo de ler dois ótimos livros. “Ser Republicano no Brasil Colônia”, de Heloisa M. Starling (Companhia das Letras), investiga o sentido que a palavra “república” ganhou entre nós desde o início. O seu primeiro significado, em uma terra destinada apenas a fornecer riqueza para Portugal, é operacional.

Em sua “Historia do Brazil” (1627), frei Vicente do Salvador já lamentava, como hoje se lamenta, que “nenhum homem nesta terra é repúblico, nem zela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular”. Ser republicano era zelar pela metrópole.

No século 18, o conceito de República vai ganhando o perfil dos modos de organização do Estado, num caldeirão explosivo que começa no desejo genérico de autonomia e liberdade e termina na ideia radicalmente revolucionária, segundo a qual “todos os homens nascem iguais”.

Em seu sentido primeiro, a República se opõe à tirania; em outro, que triunfou no Brasil, opõe-se apenas à monarquia. A igualdade sonhada a partir da matriz francesa esbarrava aqui no estatuto da escravidão, que literalmente carregou o país nas costas e desde sempre foi a armadilha mortal do nosso atraso. O livro faz uma viagem conceitual fascinante e precisa sobre os impasses republicanos da história brasileira.

Em seguida, mergulhei em “O Tiradentes uma Biografia de Joaquim José da Silva Xavier”, de Lucas Figueiredo (Companhia das Letras). Numa narrativa límpida do início ao fim, atentamente documentada, o livro é uma viva demonstração de como a luta republicana se materializou de fato entre nós nos detalhes e nos meandros da Inconfidência Mineira, a segunda maior conjuração republicana das Américas depois da revolução americana.

Movimento rebelde que nasceu entranhado na maior mina de ouro do mundo, de onde Portugal extraía a imensa riqueza que dilapidava em seguida por força da inacreditável inépcia de uma monarquia enlouquecida, a Inconfidência foi uma aventura eletrizante. Envolveu pontas de todo o espectro da elite política e econômica da região, alimentou-se do ideário letrado do Iluminismo e da Revolução Americana, e terminou com o enforcamento e esquartejamento de um alferes injustiçado, entusiasmado, boquirroto e irrelevante —um pequeno Cristo à brasileira, o Tiradentes.

Duas belas leituras sobre o conceito de República, úteis para o momento em que o futuro presidente nos pastoreia com a “verdade”.

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