Estação Sabiá entrevista os diretores de Morcego Negro

A jornalista Regina Zappa, da Estação Sabiá, entrevistou Chaim Litewski e Cleisson Vidal, diretores do documentário Morcego Negro. Veja a íntegra abaixo.

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Filme “Morcego Negro” leva menção honrosa no festival É Tudo Verdade

O filme Morcego Negro, inspirado no meu livro Morcegos Negros, foi premiado com a menção honrosa no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, categoria longa-metragem nacional. Os diretores Chaim Litewski e Cleisson Vidal fizeram um trabalho brilhante para contar a vida de PC Farias, tendo entrevistado mais de quarenta pessoas. Em breve, o documentário chega aos cinemas e canais Globoplay.

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Der Tagesspiegel: Lula e a constante ameaça de golpe

Artigo de minha autoria, sobre o dilema de Lula com as Forças Armadas, publicado na edição de hoje do jornal Der Tagesspiegel, de Berlim.

Abaixo, a versão para o português:

Lula e as Forças Armadas: constante ameaça de golpe

O Presidente Lula da Silva sabe como lidar com situações ameaçadoras. Em sua infância, ele sobreviveu à pobreza e à fome. Mais tarde, sofreu um acidente de trabalho no qual perdeu um dedo. Ele venceu o câncer, sobreviveu à perseguição política durante a ditadura, foi condenado e preso várias vezes em julgamentos manipulados por seus oponentes.

No oitavo dia de seu terceiro mandato, ele sobreviveu a uma tentativa de golpe. Eram imagens que lembravam o asalto ao Capitólio em Washington: no 8 de janeiro de 2023, milhares de pessoas invadiram o bairro do governo na capital Brasília. Radicais próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As fotos mostram como eles foram protegidos pelas forças armadas e pela polícia.

A tentativa de golpe falhou. Mesmo assim, provavelmente não foi a última situação ameaçadora para Lula. Ele deve conseguir quebrar a tradição golpista do Brasil. Caso contrário, como muitos antes dele, ele poderia ser derrubado. Desde a proclamação da república no final do século XIX, o exército brasileiro tem se visto como a força moderadora da nação. Sob vários pretextos, interveio para destituir os presidentes ou impedir sua legítima ascensão. Foi o caso em 1945, 1954, 1955, 1956 e 1961. Em 1964, os militares estabeleceram uma ditadura que durou 21 anos.

A democratização em 1985 prometeu o fim dos regimes autoritários. Mas a promessa é frágil. Os militares continuam supremos até hoje. Tem 360.000 forças armadas ativas e controla áreas sensíveis do Estado, como a inteligência. Todos os presidentes eleitos desde então, incluindo Lula, não tiveram a força política – ou a vontade – de limitar o poder militar e subordiná-lo ao poder civil. Como a Constituição brasileira realmente manda.

Com a eleição de Bolsonaro em 2018, a tradição golpista recuperou sua importância. Bolsonaro era capitão do exército e, durante seu mandato, deu cargos de liderança a centenas de oficiais militares em áreas como saúde, educação, meio ambiente e ciência. Várias vezes ele incitou os militares a apoiar um golpe de estado. Queria derrubar a Suprema Corte – seu maior obstáculo – e assim aumentar sua propia influência. Bolsonaro foi incapaz de levar adiante seu plano. No entanto, o poder dos militares continua sendo uma bomba relógio.

Em seus dois primeiros mandatos, de 2003 a 2010, Lula evitou mudar a estrutura institucional das forças armadas. Ele permitiu que o exército continuasse a ocupar posições de poder que são incompatíveis com o estado democrático de direito porque ele acreditava: para governar em paz, ele deve pagar este preço. Entretanto, com a invasão do Congresso, que foi apoiado – ou pelo menos não impedido pela cúpula das forças armadas, este pacto chegou ao fim. Lula percebeu: o acordo silencioso com as forças armadas não era garantia para o seu governo. Pois embora ele tenha se afastado cada vez mais da esquerda para o centro moderado durante sua carreira política de quatro décadas : Para grandes partes do exército, Lula é e continua sendo um comunista perigoso.

Ele entendeu o perigo e agiu rapidamente. Lula mudou o comando do exército, mudou a guarda presidencial e tirou o controle do serviço de inteligência das forças armadas. O presidente também estipulou que o pessoal militar ativo não poderia mais concorrer a cargos eletivos ou trabalhar na administração do estado. Um bom começo, mas nada mais.

Lula ainda tem dois desafios hercúleos pela frente: primeiro, ele deve assegurar que os oficiais militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado em janeiro sejam investigados e punidos. No Brasil, isto não é uma questão natural. Nenhum membro do exército jamais foi condenado pelas graves violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura. O segundo passo seria mudar a doutrina nas academias militares. Os membros do exército, da marinha e da força aérea devem aprender: o exército não é um poder moderador, não deve interferir na política. Ele não está lá para combater um inimigo interno imaginário.

Ao mesmo tempo, o presidente brasileiro sabe que está agitando um ninho de vespas com reformas. Ele enfrentará a resistência de dentro do quartel, de forças políticas de extrema-direita e de um quarto dos brasileiros que apoiam incondicionalmente o Bolsonaro. Será uma tarefa perigosa e árdua para Lula. Mas não tem alternativa.


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Morcego Negro, em breve nos cinemas e canais Globoplay

Cartaz do filme “Morcego Negro”, que concorre a melhor documentário nacional no festival É Tudo Verdade, em abril. Em breve, nos cinemas e canais Globoplay.

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Filme “Morcego Negro” estreia no festival É Tudo Verdade

O filme “Morcego Negro”, baseado no livro Morcegos Negros, estreia em abril no festival de documentários É Tudo Verdade. Dirigido por Chaim Litewski e Cleisson Vidal, o filme participa da competição de melhor documentário nacional.

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Entrevista Opera Mundi: Por que o golpismo sobreviveu nos quartéis?

Veja abaixo a entrevista que concedi a Breno Altman, do Opera Mundi, sobre a cultura golpista nas Forças Armadas e nos serviços de inteligência.

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Ou é enquadrado pelo poder civil e pela sociedade, ou o poder militar dará o golpe

Hoje, no podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo e Spotify, falo dos desafios de Lula (e de toda a sociedade) na necessária reformulação institucional das Forças Armadas e do serviço secreto.

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Lula e as Forças Armadas: um encontro inadiável

Artigo de minha autoria publicado na Folha de S.Paulo em 15 de janeiro de 2023.

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[TV SENADO] Independência, Brasil, Tiradentes: Que país é este?

Entrevista para o programa Que país é este?, da TV Senado, sobre Tiradentes.

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[UOL/Página 5] Ignore o Luciano Huck e confie em mim: 7 biografias que valem a pena

UOL/Página 5

15/09/2021

Ignore o Luciano Huck e confie em mim: 7 biografias que valem a penaLuciano

Huck insiste para que as pessoas leiam o livro dele. Segundo o colega Maurício Stycer, já foram quatro os domingos em que o apresentador indicou a própria obra na televisão. Em “De Porta em Porta” (Objetiva), o homem que até outro dia tinha dúvidas se pegava o lugar do Faustão na Globo ou tentava substituir Bolsonaro em Brasília reúne suas memórias e “faz um chamado à responsabilidade de cada um de nós pelo cuidado com o mundo” (é o que está na descrição do produto). Vale a pena? Tenho minhas dúvidas.

Ruy Castro, mestre no assunto, é taxativo: biografia só de gente morta. Não sou tão radical. Entendo que registros biográficos de pessoas vivas podem ter seu valor, seja de autoria de terceiros ou do próprio protagonista. Pondero: fora uma exceção ou outra, como o ótimo “Instrumental”, de James Rhodes (Rádio Londres), convém que o biografado ou autobiografado já tenha trilhado a maior parte de sua trajetória. Quando Jô Soares se aposenta e resolve registrar suas lembranças, acerta no momento.

Mas há um outro tipo de história biográfica que tem circulado bastante pelas nossas livrarias. São obras que partem das memórias ou trajetória de vida de certas celebridades para, pesando a mão em alguns pontos e ignorando outros tantos, estabelecer certa imagem do sujeito.

Num mundo de “influencers”, vende-se ao leitor a forma como aquela pessoa deseja ser vista e a potenciais clientes uma pataquada supostamente bem-sucedida ao qual podem associar marcas e projetos. “Os Dias Mais Intensos” (Planeta), memórias de Rosangela Moro ao lado de Sergio Moro (que indiscutivelmente merecerá uma biografia bem feita no futuro), e “Tem que Vigorar”, de Gil do Vigor (Globo), são exemplos de trabalhos desse tipo. É essa propaganda biográfica que encontramos no livro de Huck? Não li, não sei. Mas se é história de vida que o leitor quer, tenho algumas boas recomendações.

Começo por “O Tiradentes – Uma Biografia de Joaquim José da Silva Xavier”, de Lucas Figueiredo (Companhia das Letras). De cara, é um livro que impressiona pela forma como leva o leitor a cidades mineiras do final de século 18. Por meio da trajetória do revolucionário, temos uma viagem no tempo na qual encontramos gente que tentava livrar o país das mãos da Coroa Portuguesa enquanto ideais iluministas começavam a se espalhar pelo Ocidente.

A história de Carolina Maria de Jesus também começa por Minas Gerais e está muito bem contada em “Carolina: Uma Biografia”, de Tom Farias (Malê). Escritora que levou o duro cotidiano da favela do Canindé, em São Paulo, para livros como o incontornável “Quarto de Despejo”, Carolina tem uma história de vida marcada pelos conflitos, preconceitos, sacanagens e injustiças que persistem em nossa sociedade.

São problemas que também aparecem tanto na obra quanto ao longo da trajetória de Jorge Amado, que teve a vida contada por Joselia Aguiar em “Jorge Amado: Uma Biografia”(Todavia). O predomínio é da literatura no livro sobre o autor de “Capitães da Areia”, mas também há muito sobre as tensões políticas do país ao longo do século 20 e da relação de Jorge, que chegou a ser deputado federal eleito pelo Partido Comunista Brasileiro, com diferentes vertentes da esquerda e com nomes importantes de outros lados do espectro político.

Agora, se o leitor está em busca de uma biografia profundamente marcada pela política, daí a dica é “Marighella – O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”, de Mário Magalhães (Companhia das Letras). Não, não é preciso ser socialista, comunista, petista ou qualquer coisa do tipo para se interessar pela vida do também escritor e ex-deputado federal. Após ter seus direitos suprimidos, Carlos Marighella rumou para a luta armada contra o Estado. A biografia é uma grande narrativa sobre o homem que avisou: “Os brasileiros estão diante de uma alternativa. Ou resistem à situação [?.] ou se conformam com ela. O conformismo é a morte”.

Para aliviar o clima sem abobalhar nas indicações, títulos sobre dois grandes artistas.“Prólogo, Ato, Epílogo”, afetivo livro de memórias de Fernanda Montenegro escrito em parceria com Marta Góes (Companhia das Letras), carrega em si, além de passagens marcantes da vida da atriz, muito da história do teatro no Brasil. Já “Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta (Objetiva), reúne uma grande história de vida contada com uma pegada bastante autoral e com boas doses de escracho. É das biografias mais divertidas que conheço.Para fechar a lista, não perderia a chance de recomendar “Leonardo Da Vinci”, história do grande nome do Renascimento escrita por Walter Isaacson (Intrínseca), um dos biógrafos mais incensados da atualidade. Além da imersão naquela Europa dos séculos 15 e 16, é ótimo ver como o gênio que pintou “Monalisa” vivia entre dúvidas e perrengues. Num momento de utilitarismo talvez excessivo, no final do volume o autor ainda reúne lições que podem ser aprendidas a partir das experiências do italiano.

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