The Intercept: (Re)militarizada, Abin busca se fortalecer disseminando o medo do terrorismo nas Olimpíadas

The_Intercept_2015_LogoEste é o meu artigo de estreia no portal The Intercept. Aqui, a versão em português, e aqui, em inglês. E aqui um vídeo de 1 min que foi feito para apresentar o artigo.

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Notícias da biografia de Tiradentes

Como diriam os locutores antigos, por ocasião do advento do aniversário da morte de Tiradentes, fui entrevistado pelo Correio de Uberlândia sobre a biografia que escrevo. Aos interessados, a entrevista pode ser lida aqui.

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Domingo, 17 de abril de 2016: uma reflexão sobre o Brasil

bandeira-brasil-rasgada1O que passa na cabeça de um corrupto e de um corruptor? Dorme tranquilo de noite? No restaurante, quando pede ao garçom um vinho de R$ 10 mil reais, sua consciência sussurra algo como “seu luxo é alimentado com dinheiro desviado de escolas, hospitais, estradas”? Ele sofre em algum momento ou é 100% cinismo. O que sente o corrupto?
Nos meus 25 anos de jornalismo, muitas vezes eu me fiz essas perguntas. Tentei ir além, buscando respostas com os corruptos que conheci. Foram vários. Com alguns deles, fontes que cultivei durante anos, cheguei a desfrutar de certa intimidade. Frequentava suas casas, conhecia seus filhos, comíamos à mesma mesa, o que nos permitia, a eles e a mim, falar com mais transparência. Sondei suas almas. Rodei a América do Sul, fui aos Estados Unidos e à Europa para falar com corruptos. Alguns se deixaram revelar parcialmente, porém nunca encontrei uma resposta completa para minhas questões.
Em 1994, no governo Itamar Franco, fiz minha primeira reportagem investigativa sobre corrupção. Um caso clássico: obras superfaturadas do Ministério dos Transportes tocadas por empreiteiras gigantes – Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, entre outras. (Reconhece esses nomes? Pois é…) Perdi as contas de quantas matérias escrevi que citavam essas e outras empreiteiras em episódios de desvio de dinheiro público. Posso nunca ter descoberto o que se passa nos corações e nas mentes dos corruptos, mas, a partir de certo momento, entendi como funcionavam os esquemas que alimentavam corruptos e corruptores.
Na segunda metade da década de 1990, já no governo Fernando Henrique Cardoso, o esquema das grandes empreiteiras estava tão manjado que os corruptos começaram a operar com agências de publicidade. Funcionou – e funcionou bem. Essa história está contada no meu livro O Operador – como (e mando de quem) Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB e do PT, publicado dez anos atrás. Como o subtítulo do livro mesmo diz, ali também está contada a história de como o PT,ao chegar ao poder em 2003, se apropriou do esquema de corrupção dos tucanos (o mesmo modus operandi, os mesmos operadores, os mesmos laranjas, os mesmos bancos, os mesmos doleiros, os mesmos corruptores…).
Em matéria de corrupção, portanto, posso dizer que já bati tanto em Chico quanto em Francisco.
Tendo dedicado boa parte da minha atuação profissional às investigações de corrupção, tive um interesse especial pela operação Lava Jato, promovida pelo Ministério Público, pela polícia e pela Justiça federais. Conheço muitos dos personagens envolvidos, alguns deles muito bem aliás.
É inegável que as provas colhidas nas investigações revelam um gigantesco esquema criminoso encabeçado e guiado pelo PT. As bases de sustentação dos governos Lula e Dilma se fartaram com dinheiro grosso desviado da Petrobras. Não há dúvidas: o Partido dos Trabalhadores se corrompeu.
O esquema em que o PT se deliciou, é preciso dizer, não é novo: as empreiteiras, os doleiros e os burocratas são os mesmos que, há décadas, roubam em governos de direita e de centro. Os corruptores não têm ideologia.
Muitos petistas graúdos foram pegos com a boca na botija. Lula foi pego com a boca na botija.
O caso de Lula é, em particular, curioso. Ele cobrava por palestra US$ 200 mil (na cotação de hoje, R$ 704 mil), e sua agenda era cheia. Ou seja, ganhava uma fortuna por meios legais, porém enredou-se numa relação promíscua com grandes empreiteiras. Lula poderia, com o fruto de seu trabalho, ter comprado dezenas de sítios em Atibaia e dezenas de tríplex no Guarujá, mas preferiu render-se a um esquema de “agrados” inaceitáveis.
Lula se corrompeu. E precisa responder por isso na Justiça. (Como eu gostaria de ter uma conversa franca com Lula e ouvir dele uma explicação para ele ter se associado a alguns dos maiores corruptores do país…)
A bem da verdade, porém, é preciso dizer que Lula agiu do mesmo modo que Fernando Henrique Cardoso. Ao deixar a Presidência, FHC também se enredou em num esquema promíscuo com grandes empreiteiras que abarcava favores para membros de sua família e ocultação de patrimônio. Nesse ponto, Lula e FHC são farinha do mesmo saco.
Se é verdade que a Lava Jato mostrou que o Brasil está carcomido pela corrupção, é verdade também que a operação foi (e ainda é) conduzida de forma absolutamente seletiva, portanto viciada. Não é sério um juiz que vaza áudios de grampo em que um investigado que sequer é réu conversa com seu advogado. O nome disso é crime (as comunicações entre advogado e cliente são invioláveis). Não é sério um juiz que vaza o áudio de uma conversa íntima entre a nora de um investigado e um amigo dela, ou o áudio de uma conversa pessoal entre a mulher e o filho de um investigado, conversas que nada tinham a ver com a investigação. O nome disso é perseguição, linchamento moral.
Como juiz, Sérgio Moro se corrompeu. Tornou-se um justiceiro que se considera acima da lei. Assim como Lula, FHC, PT, PSDB, Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Moro precisa responder por seus desvios.
A Lava Jato tem outro defeito de origem. Foca apenas a corrupção praticada pela base do governo. É no mínimo escandaloso como as investigações deixam passar batido os corruptos de partidos de oposição. Quem em sã consciência acredita, por exemplo, que a Odebrecht, no mercado desde 1944, só fez parcerias criminosas com o PT e seus aliados? Quem engole a seletiva delação premiada dos executivos da Andrade Gutierrez, que por décadas foram associados ao PSDB e agora só se lembram das falcatruas cometidas no governo do PT?
Na Lava Jato, a PF, o MPF e a Justiça Federal tiveram grande competência ao se debruçarem sobre a corrução do PT, mas fecharam os olhos em relação à oposição. O alvo era Lula, e apenas Lula. Afinal, todos sabemos, Lula era um fortíssimo candidato à eleição presidencial de 2018.
A Lava Jato é uma operação contra a candidatura de Lula em 2018 e não um processo criminal de combate à corrupção. Se fosse diferente, as investigações também teriam como alvo Aécio Neves, citado diversas vezes nas delações premiadas mas jamais investigado.
O que explica que a maioria da população tenha abraçado a sanha anti-corrupção no PT, mas dê de barato as práticas corruptas dos adversários do PT? O que explica o ódio contra Dilma, uma presidente incompetente mas honesta, e a indiferença com o figura de Eduardo Cunha, detentor de contas não declaradas na Suíça, cujos recursos foram congelados por fortes suspeitas de terem sua origem em propinas da Petrobras? Resposta: a ação partidária de boa parte da mídia. De dia, de tarde e de noite, os brasileiros são bombardeados por propaganda anti-petista em jornais, TVs, rádios, revistas e portais da internet. O PT é pintado como um lobo mau cercado de chapeuzinhos vermelhos, vovós e valentes caçadores. A verdade, porém, é outra: não há heróis nessa história.
O nome disso é manipulação.
No campo da corrupção, o PT tem grandes pecados, mas também um mérito. Sob Lula e Dilma, o Estado pode finalmente investigar, denunciar e julgar corruptos e corruptores. Parafraseando Lula, nunca antes na história desse país isso tinha acontecido. O PT se corrompeu, è vero, mas nunca deixou de ser um partido republicano, nunca enquadrou a Polícia Federal, nunca calou o Ministério Público. Já os que querem o lugar do PT também se corromperam, mas nada tiveram de republicanos. Alguém imaginaria, por exemplo, que o procurador-geral da República de Lula ou de Dilma fosse chamada todo dia pela imprensa de “engavetador-geral da República”? Isso aconteceu com Fernando Henrique Cardoso. Alguém imaginaria numa administração do PT a existência de um esquema de mordaça do Ministério Público e da imprensa que impedisse o vazamento de qualquer notícia ruim. Isso aconteceu nos oito anos em que o tucano Aécio Neves governou Minas Gerais.
Hipocrisia é o nome do gesto dos que hoje manobram para tomar o poder do PT.
O que vamos assistir neste domingo nada tem a ver com a luta contra a corrupção. Trata-se da luta pelo poder – no caso da oposição, da luta dos que sempre estiveram envolvidos na corrupção, dos que nunca permitiram que a corrução fosse investigada, dos que não tiveram votos suficientes para serem eleitos em 2002, 2006, 2010 e 2014 e agora querem pegar um atalho na história para voltar ao Palácio do Planalto, e obviamente continuar operando com seus esquemas de corrupção.
E a presidente Dilma Rousseff? Qual o seu lugar nessa história? Bom, ela de fato se revelou de uma incompetência administrativa e de uma falta de compreensão da política ímpares. Dilma é uma péssima presidente. Porém, não há um único indício sequer, que dirá uma prova, de que ela seja corrupta. Entendo e me solidarizo com aqueles que contam os dias para que seu governo acabe. Porém, não posso aceitar que seu mandato seja interrompido antes do tempo regulamentar sem que haja prova de que ela tenha comedido crime de responsabilidade, condição cabal para o impeachment.
O impeachment é um instrumento radical. Tem potencial para deixar traumas políticos duradouros. Existe para casos extremos. E exige um motivo concreto: crime de responsabilidade. Em 1992, Fernando Collor sofreu impeachment porque cometeu crime de responsabilidade. Na época, descobriu-se que a reforma da casa que pertencia a ele e um carro de seu uso pessoal haviam sido pagos com dinheiro de fraude. Os recursos tinham saída de uma conta bancária aberta em nome de um “fantasma”, ou seja, uma pessoa que não existia. O nome disso é falsidade ideológica, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro. É crime de responsabilidade. Já as pedaladas fiscais de Dilma (um recurso contábil ignóbil que é adotado como regra na administração púbica de A a Z no espectro político) pode ser considerado um desvio administrativo, mas nunca um crime de responsabilidade. Dilma é um desastre, mas, pelo que se viu até agora, depois de remexidas as entranhas de seu governo, não é corrupta. E se não é corrupta, se não cometeu crime de responsabilidade, o processo de impeachment é indevido. Em outras palavras, golpe de estado.
Há 31 anos, quando terminou a ditadura civil-militar, iniciamos um penoso período de transição democrática. Encontramo-nos ainda nesse período. Saímos da ditadura, mas ainda não alcançamos a democracia plena. Estamos em algum lugar entre uma coisa e outra. Muitos fatores impediram que terminássemos a viagem. Contudo, até pouco tempo atrás, pelo menos podíamos dizer que estávamos no caminho.
Neste domingo, 17 de abril de 2016, caso a Câmara dos Deputados aprove o início do processo de impeachment de Dilma sem que ela tenha cometido crime de responsabilidade, estaremos finalmente terminando a transição democrática. Não para conquistar a democracia plena, mas para voltar ao passado. Em todos os sentidos.
Michel Temer será um presidente sem legitimidade, terá chegado ao poder por meio de trapaça nas regras do jogo. E que ninguém se iluda: a corrupção continuará a grassar, pois os patrocinadores do impeachment, seja no campo dos que agora desembarcam do governo, seja no campo da oposição, são profissionais no desvio de verbas públicas.
O nome do impeachment é golpe de estado.
Neste domingo, o que está em jogo não é o combate à corrupção, mas sim a frágil democracia do Brasil.

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Cuspa, bata, esfole, mate… ajude a construir um novo Brasil

Constantino

Constantino, o de bermuda americanizada, treina para abater seu alvo

Rodrigo Constantino, colunista do jornal O Globo e ex-colunista da revista Veja, divulgou em seu blog uma lista negra com os nomes de 767 “petralhas” que seriam “cúmplices dos golpistas” Em seguida, conclamou seus leitores:

“Boicote nos vagabundos, gente! Sem dó nem piedade. Eles querem transformar o Brasil numa Venezuela, num Cubão. Eles são comparsas dos bandidos que tomaram Brasília de assalto e atentam contra nossa democracia. Não comprem nada deles! Não leiam suas colunas! Não frequentem seus shows e peças. É boicote geral a petralha!”

Meu nome está entre os 767 condenados por esse novo macarthismo que vai perigosamente conquistando mentes e corações no Brasil.

Não estranhei meu nome estar na lista, apesar de, em 25 anos de jornalismo, ter me dedicado à denúncia sistemática da corrupção – de esquerda, centro e direita.

Meu nome está na lista porque sempre defendi o Estado Democrático de Direito. E sempre acreditei que o autoritarismo (ou o flerte com o autoritarismo) deveria ser denunciado. Continuo acreditando.

Talvez, daqui a pouco alguém proponha que os indicados na lista negra de Constantino sejamos obrigados a andar com uma estrela bordada na camisa. Só para que fique claro para todos quem somos nós.

O ovo da serpente está chocando.

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Notícias de “Lugar Nenhum” [8]

254a3c_fa29f4496a6a422d9d675e97fb8f7acbA excelente revista eletrônica Peixe-elétrico, edição #4 (março-abril/2016), publica uma entrevista comigo em que falo do meu último livro, “Lugar Nenhum”. Abaixo, a íntegra da entrevista:

Os arquivos da ditadura

Entrevista com Lucas Figueiredo

Pesquisador da Comissão Nacional da Verdade (o que não o impede de fazer várias críticas ao trabalho do grupo), Lucas Figueiredo tem vários livros sobre a ditadura militar brasileira, com destaque para Morcegos negros e Ministério do silêncio. Em 2015, publicou Lugar nenhum – militares e civis na ocultação dos documentos da ditadura, em que refaz os discursos oficiais sobre o sumiço da documentação histórica sobre os anos de chumbo e mostra a incoerência entre eles e o descaso das autoridades sobre o assunto. Abaixo entrevista exclusiva concedida à Peixe-elétrico.

Peixe-elétrico: Você enxerga a “cultura do denuncismo” como vital para a manutenção dos centros de informação durante a ditadura militar, por exemplo no Cenimar (pág. 22). No próprio livro você mostra como muitos elementos da ditadura continuam muito presentes na vida brasileira. Você enxerga esse tipo de cultura em algum setor da nossa vida cotidiana?

Lucas Figueiredo: O principal pilar que fez com que a ditadura civil-militar no Brasil se sustentasse durante 21 anos foi o rígido controle da sociedade, o que muitas vezes resultava no controle da vida de cada cidadão. Para punir, era preciso vigiar. E para vigiar era preciso ter informação. O projeto das Forças Armadas era um arremedo do projeto totalitário descrito em “1984” por George Orwell. Havia, portanto, um aparato gigante que vivia de levantar e processar informações. E esse aparato dependia de espiões, que eram “plantados” na sociedade, e de informantes, que eram “colhidos”. Esse projeto investiu pesadamente na “cultura do denuncismo”, seja por intermédio de prêmios em dinheiro e favor, seja por afinidade ideológica e moral, seja pela força e pela ameaça. Essa “cultura do denuncismo” cresceu e floresceu, mas ela nasce de um projeto de poder muito bem elaborado. E implantado como estratégia de guerra.

O livro está estruturado segundo a organização dramatúrgica. Qual é a razão disso? Vivemos no interior de uma farsa?

A ocultação dos arquivos da ditadura e da cumplicidade do poder civil nesse processo é certamente uma história banhada de farsa. Por décadas, os militares assumiram sozinhos o papel de vilão dessa história, encobrindo a participação dos civis na ocultação dos arquivos. A farsa também nos levou a atomizar a figura do vilão no velho torturador de óculos Ray-Ban e com cara de malvado. Mas a verdade é que a máquina de moer gente que funcionou na ditadura foi desmontada sem que houvesse punições graças a civis de camisa de colarinho alto e gravatas impecáveis, muitos deles de partidos de centro e de esquerda. “Gente cheirosa”, como gostava de dizer o então presidente Lula, ele próprio um ativo personagem na estratégia de manter os arquivos da ditadura dentro de gavetas trancadas. Quando eram presidentes, Lula e Fernando Henrique Cardoso acionaram a Advocacia Geral da União para tentar impedir que a Justiça Federal ordenasse a abertura dos arquivos dos combates contra a Guerrilha do Araguaia. Dilma Rousseff não foi diferente de José Sarney no que tange à submissão às Forças Armadas. Fernando Collor e Itamar Franco, idem. Definitivamente, a farsa é sal dessa história.

Você identifica no livro que as autoridades militares parecem ter feito uma triagem nos próprios documentos, decidindo o que vai e o que não vai ser visto. Esse tipo de procedimento seletivo existe em outras instâncias da sociedade brasileira. Muita gente acredita que a justiça, por exemplo, é seletiva, privilegiando esse e não aquele réu. Existe alguma relação entre essas possíveis “seletividades”?

Pouco antes do fim da ditadura, as FFAA fizeram sim uma seleção de seus arquivos, separando o que não deveria ser levado a público. Parte desse material foi destruída, parte foi simplesmente ocultada, como continua a ser até hoje, conforme demonstro no meu livro. Portanto, trata-se aqui de destruir ou esconder provas de crimes. A seletividade que acontece em seguida está relacionada ao fazer justiça. O poder civil, sobretudo o Executivo e o Legislativo, selecionaram os militares e civis que operavam a engrenagem da repressão e disseram que essas pessoas não precisavam ajustar suas contas com a Justiça. Em outras palavras: tornaram-se pessoas imunes, sobre as quais caiu o véu da impunidade. A impunidade de ontem se reflete na impunidade de hoje. Um PM que sobe a favela e mata um jovem negro tem imunidade, pode ficar impune. Uma guarnição militar que sobe a favela e mata 15 suspeitos, a queima-roupa, sai ilesa. Sob esse pondo de vista, a impunidade seletiva da redemocratização tem sim um reflexo nos tempos de hoje.

No final do livro você apresenta algumas críticas à Comissão Nacional da Verdade. É possível dizer que ela no geral espelhou o comportamento dos sucessivos governos no que diz respeito à investigação dos crimes da ditadura, agindo também seletivamente, ou essa afirmação é forte demais?

A principal função da Comissão Nacional da Verdade era fazer um relato pormenorizado das graves violações contra os direitos humanos ocorridas na ditadura civil-militar. Pesquisadores da CNV acabaram obtendo documentos que mostram que muitos dos arquivos da ditadura que revelam essas graves violações dos direitos humanos continuam sob a guarda das Forças Armadas, que se negam a torná-los públicos, a despeito de decisões em contrário da Justiça Federal e de resoluções emitidas pela própria CNV. Na mesma pesquisa, a CNV também descobriu que a ocultação desses arquivos pelos militares só foi (e ainda é) possível porque eles contam com cumplicidade do poder civil. De posse dessas informações, o que então faz a CNV? Nada! No relatório final da comissão, não há uma única menção à participação civil na ocultação dos arquivos da ditadura. O silêncio da CNV é escandaloso. E ecoa um silêncio que já faz parte da nossa história.

 

 

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Habemus prêmio!

logoAcabo de saber que “Lugar Nenhum: militares e civis na ocultação dos documentos da ditadura” recebeu o 1° lugar do 32° Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, categoria Grandes Reportagens. O prêmio é promovido pela OAB do Rio Grande do Sul. Foi um trabalho duro, e para muitos. Em especial, para a professora Heloisa Starling, da UFMG, que coordena a coleção Arquivos da Repressão, e para sua equipe do Projeto Republica. Obrigado à Companhia das Letras por acreditar no projeto (e por bancar a briga).

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Notícias de “Lugar Nenhum” [7]

Leia aqui reportagem sobre “Lugar Nenhum” publicada no Jornal do Commercio, de Pernambuco.logo_jc

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