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“Quem diria, hein, Aécio?”

logo-rectanglePor Lucas Figueiredo, para

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QUATRO ANOS DEPOIS de receber dos mineiros 5,4 milhões de votos para presidente da República, Aécio Neves compareceu novamente neste domingo à seção eleitoral onde vota, instalada na Escola Estadual Governador Milton Campos, em Lourdes, bairro nobre de Belo Horizonte. Desta vez, não estava acompanhado da mulher, a ex-modelo Letícia Weber, mas cercado de parrudos seguranças. O número de repórteres e fotógrafos escalados para cobrir o evento era muitíssimo menor que em 2014, e a claque, por sua vez, bem menos amistosa.

Enquanto caminhava apressado e com um sorriso nervoso rumo à urna eletrônica, Aécio foi xingado de “ladrão”, “traidor” e “safado”, e foi atingido por uma garrafa de plástico, arremessada por um eleitor que aguardava a vez de votar. Um coro gritava “golpista, golpista, golpista…”. Um homem se aproximou dele é fulminou: ”Quem diria, hein, Aécio? Passar por isso! Que humilhação!”.

Neste ano, abatido pelas denúncias de corrupção e em especial pelo vazamento da gravação em que aparece pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, sócio da JBS, Aécio não teve espaço em seu partido para disputar a reeleição para senador. Num primeiro momento, ele descartou concorrer a deputado federal, sob o argumento de que o recuo na carreira política (além de senador, ele foi governador de 2003 a 2010 e, em 2014, obteve o segundo lugar na eleição presidencial, com honrosos 48,36%) poderia parecer uma confissão de culpa ou, pior, uma busca pela manutenção do foro privilegiado no STF. Mais tarde, rendendo-se à dura realidade, acabou voltando atrás e disputando uma vaga na Câmara.

A expectativa era a de que Aécio fosse um dos mais votados em Minas, mas ele acabou tendo apenas 106 mil votos, ficando em 19º lugar entre os postulantes ao cargo no estado. Mesmo tendo ostentado um número de destaque (4500), não foi sequer o mais votado em sua coligação (5º lugar) ou em seu partido (2º lugar). Teve 2633 votos a menos que Zé Silva (Solidariedade), um engenheiro agrônomo que se fez político há menos de uma década na (hoje extinta) onda aecista.

Não para por aí a decaída daquele que, até pouco tempo atrás, era a maior aposta nacional no campo anti-PT. Franco favorito a reconquistar o cargo de governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), afilhado político de Aécio, perdeu fôlego na reta final do primeiro turno, obtendo 29,06% dos votos válidos, ficando em segundo lugar, atrás do novato Romeu Zema, do Novo (42,73%). Com o mandato de senador garantido até o final 2022, Anastasia resistiu publicamente até onde pôde a concorrer ao cargo de governador, e só entrou na disputa por insistência de Aécio, que pretendia se esconder atrás do pupilo, melhor avaliado que ele em Minas atualmente. Agora, a coisa mudou de figura com a inesperada avalanche de votos do azarão Zema, que, tendo colado sua imagem à de Jair Bolsonaro, pegou carona na onda direitista que varre o país.

Caso Anastasia não consiga virar o jogo no segundo turno – uma tarefa hercúlea, diga-se de passagem -, Aécio ficará fora da cena principal da política mineira e não contará com o escudo que, durante os doze anos do mandarinato tucano no estado (2003-14), proporcionaram-lhe uma relação, digamos, especial com a imprensa e com órgãos locais, como a Justiça, o com Ministério Público e o com Tribunal de Contas.

Se em Minas a situação de Aécio Neves é delicada, dentro de seu partido não é melhor. Certamente será creditada em sua conta boa parte do derretimento do PSDB nas eleições deste ano – 99% dos redutos municipais tucanos foram conquistados pelo PSL de Jair Bolsonaro. Como Aécio se recusou a deixar o mandado de senador e demorou a abrir mão da presidência do PSDB após o escândalo da gravação com Joesley Batista, ele acabou por se tornar uma figura tóxica no ninho tucano. Não à toa, os candidatos do partido à Presidência da República, Geraldo Alckmin, e ao Governo de Minas Gerais se recusaram a aparecer publicamente a seu lado. Pelo visto, não adiantou muito.

O desastre para Aécio Neves só não foi completo porque, com a eleição para deputado federal, ele manteve o precioso foro privilegiado, o que fará com que seus casos mais cabeludos – o mineiro responde a seis inquéritos e uma ação penal no STF – continuem tramitando no esquema “com o Supremo, com tudo”, na definição sincera do senador Romero Jucá (MDB-RR). Jucá que, aliás, não foi reeleito.

Mesmo blindado pela morosidade e malemolência do STF, o tucano mineiro perdeu de vez qualquer chance de recuperar o antigo charme ou a galhardia herdada do avô Tancredo Neves. Depois de patrocinar uma envergonhada campanha eleitoral, em que não fez comícios ou participou de eventos públicos, Aécio está condenado, pelos próximos quatro anos, a vagar nas sombras pela Câmara e a lutar por migalhas do poder. Tendo sido um dos cabeças do golpe parlamentar que tirou Dilma Rousseff da Presidência em 2016, abrindo espaço para o crescimento de uma direita raivosa e de traços fascistas, Aécio seguirá no palco, mas ficará escondido atrás das cortinas.

“Quem diria, hein, Aécio?”

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Blindado por Andrea Neves durante três décadas, Aécio se desmancha no ar (e leva a irmã junto)

acio212Leia aqui meu artigo publicado em The Intercept sobre o poderoso esquema de Andrea Neves que, com mão de ferro, sangue e culpe, fez Aécio Neves ser retratado como o mocinho da fita durante três décadas.

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Domingo, 17 de abril de 2016: uma reflexão sobre o Brasil

bandeira-brasil-rasgada1O que passa na cabeça de um corrupto e de um corruptor? Dorme tranquilo de noite? No restaurante, quando pede ao garçom um vinho de R$ 10 mil reais, sua consciência sussurra algo como “seu luxo é alimentado com dinheiro desviado de escolas, hospitais, estradas”? Ele sofre em algum momento ou é 100% cinismo. O que sente o corrupto?
Nos meus 25 anos de jornalismo, muitas vezes eu me fiz essas perguntas. Tentei ir além, buscando respostas com os corruptos que conheci. Foram vários. Com alguns deles, fontes que cultivei durante anos, cheguei a desfrutar de certa intimidade. Frequentava suas casas, conhecia seus filhos, comíamos à mesma mesa, o que nos permitia, a eles e a mim, falar com mais transparência. Sondei suas almas. Rodei a América do Sul, fui aos Estados Unidos e à Europa para falar com corruptos. Alguns se deixaram revelar parcialmente, porém nunca encontrei uma resposta completa para minhas questões.
Em 1994, no governo Itamar Franco, fiz minha primeira reportagem investigativa sobre corrupção. Um caso clássico: obras superfaturadas do Ministério dos Transportes tocadas por empreiteiras gigantes – Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, entre outras. (Reconhece esses nomes? Pois é…) Perdi as contas de quantas matérias escrevi que citavam essas e outras empreiteiras em episódios de desvio de dinheiro público. Posso nunca ter descoberto o que se passa nos corações e nas mentes dos corruptos, mas, a partir de certo momento, entendi como funcionavam os esquemas que alimentavam corruptos e corruptores.
Na segunda metade da década de 1990, já no governo Fernando Henrique Cardoso, o esquema das grandes empreiteiras estava tão manjado que os corruptos começaram a operar com agências de publicidade. Funcionou – e funcionou bem. Essa história está contada no meu livro O Operador – como (e mando de quem) Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB e do PT, publicado dez anos atrás. Como o subtítulo do livro mesmo diz, ali também está contada a história de como o PT,ao chegar ao poder em 2003, se apropriou do esquema de corrupção dos tucanos (o mesmo modus operandi, os mesmos operadores, os mesmos laranjas, os mesmos bancos, os mesmos doleiros, os mesmos corruptores…).
Em matéria de corrupção, portanto, posso dizer que já bati tanto em Chico quanto em Francisco.
Tendo dedicado boa parte da minha atuação profissional às investigações de corrupção, tive um interesse especial pela operação Lava Jato, promovida pelo Ministério Público, pela polícia e pela Justiça federais. Conheço muitos dos personagens envolvidos, alguns deles muito bem aliás.
É inegável que as provas colhidas nas investigações revelam um gigantesco esquema criminoso encabeçado e guiado pelo PT. As bases de sustentação dos governos Lula e Dilma se fartaram com dinheiro grosso desviado da Petrobras. Não há dúvidas: o Partido dos Trabalhadores se corrompeu.
O esquema em que o PT se deliciou, é preciso dizer, não é novo: as empreiteiras, os doleiros e os burocratas são os mesmos que, há décadas, roubam em governos de direita e de centro. Os corruptores não têm ideologia.
Muitos petistas graúdos foram pegos com a boca na botija. Lula foi pego com a boca na botija.
O caso de Lula é, em particular, curioso. Ele cobrava por palestra US$ 200 mil (na cotação de hoje, R$ 704 mil), e sua agenda era cheia. Ou seja, ganhava uma fortuna por meios legais, porém enredou-se numa relação promíscua com grandes empreiteiras. Lula poderia, com o fruto de seu trabalho, ter comprado dezenas de sítios em Atibaia e dezenas de tríplex no Guarujá, mas preferiu render-se a um esquema de “agrados” inaceitáveis.
Lula se corrompeu. E precisa responder por isso na Justiça. (Como eu gostaria de ter uma conversa franca com Lula e ouvir dele uma explicação para ele ter se associado a alguns dos maiores corruptores do país…)
A bem da verdade, porém, é preciso dizer que Lula agiu do mesmo modo que Fernando Henrique Cardoso. Ao deixar a Presidência, FHC também se enredou em num esquema promíscuo com grandes empreiteiras que abarcava favores para membros de sua família e ocultação de patrimônio. Nesse ponto, Lula e FHC são farinha do mesmo saco.
Se é verdade que a Lava Jato mostrou que o Brasil está carcomido pela corrupção, é verdade também que a operação foi (e ainda é) conduzida de forma absolutamente seletiva, portanto viciada. Não é sério um juiz que vaza áudios de grampo em que um investigado que sequer é réu conversa com seu advogado. O nome disso é crime (as comunicações entre advogado e cliente são invioláveis). Não é sério um juiz que vaza o áudio de uma conversa íntima entre a nora de um investigado e um amigo dela, ou o áudio de uma conversa pessoal entre a mulher e o filho de um investigado, conversas que nada tinham a ver com a investigação. O nome disso é perseguição, linchamento moral.
Como juiz, Sérgio Moro se corrompeu. Tornou-se um justiceiro que se considera acima da lei. Assim como Lula, FHC, PT, PSDB, Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Moro precisa responder por seus desvios.
A Lava Jato tem outro defeito de origem. Foca apenas a corrupção praticada pela base do governo. É no mínimo escandaloso como as investigações deixam passar batido os corruptos de partidos de oposição. Quem em sã consciência acredita, por exemplo, que a Odebrecht, no mercado desde 1944, só fez parcerias criminosas com o PT e seus aliados? Quem engole a seletiva delação premiada dos executivos da Andrade Gutierrez, que por décadas foram associados ao PSDB e agora só se lembram das falcatruas cometidas no governo do PT?
Na Lava Jato, a PF, o MPF e a Justiça Federal tiveram grande competência ao se debruçarem sobre a corrução do PT, mas fecharam os olhos em relação à oposição. O alvo era Lula, e apenas Lula. Afinal, todos sabemos, Lula era um fortíssimo candidato à eleição presidencial de 2018.
A Lava Jato é uma operação contra a candidatura de Lula em 2018 e não um processo criminal de combate à corrupção. Se fosse diferente, as investigações também teriam como alvo Aécio Neves, citado diversas vezes nas delações premiadas mas jamais investigado.
O que explica que a maioria da população tenha abraçado a sanha anti-corrupção no PT, mas dê de barato as práticas corruptas dos adversários do PT? O que explica o ódio contra Dilma, uma presidente incompetente mas honesta, e a indiferença com o figura de Eduardo Cunha, detentor de contas não declaradas na Suíça, cujos recursos foram congelados por fortes suspeitas de terem sua origem em propinas da Petrobras? Resposta: a ação partidária de boa parte da mídia. De dia, de tarde e de noite, os brasileiros são bombardeados por propaganda anti-petista em jornais, TVs, rádios, revistas e portais da internet. O PT é pintado como um lobo mau cercado de chapeuzinhos vermelhos, vovós e valentes caçadores. A verdade, porém, é outra: não há heróis nessa história.
O nome disso é manipulação.
No campo da corrupção, o PT tem grandes pecados, mas também um mérito. Sob Lula e Dilma, o Estado pode finalmente investigar, denunciar e julgar corruptos e corruptores. Parafraseando Lula, nunca antes na história desse país isso tinha acontecido. O PT se corrompeu, è vero, mas nunca deixou de ser um partido republicano, nunca enquadrou a Polícia Federal, nunca calou o Ministério Público. Já os que querem o lugar do PT também se corromperam, mas nada tiveram de republicanos. Alguém imaginaria, por exemplo, que o procurador-geral da República de Lula ou de Dilma fosse chamada todo dia pela imprensa de “engavetador-geral da República”? Isso aconteceu com Fernando Henrique Cardoso. Alguém imaginaria numa administração do PT a existência de um esquema de mordaça do Ministério Público e da imprensa que impedisse o vazamento de qualquer notícia ruim. Isso aconteceu nos oito anos em que o tucano Aécio Neves governou Minas Gerais.
Hipocrisia é o nome do gesto dos que hoje manobram para tomar o poder do PT.
O que vamos assistir neste domingo nada tem a ver com a luta contra a corrupção. Trata-se da luta pelo poder – no caso da oposição, da luta dos que sempre estiveram envolvidos na corrupção, dos que nunca permitiram que a corrução fosse investigada, dos que não tiveram votos suficientes para serem eleitos em 2002, 2006, 2010 e 2014 e agora querem pegar um atalho na história para voltar ao Palácio do Planalto, e obviamente continuar operando com seus esquemas de corrupção.
E a presidente Dilma Rousseff? Qual o seu lugar nessa história? Bom, ela de fato se revelou de uma incompetência administrativa e de uma falta de compreensão da política ímpares. Dilma é uma péssima presidente. Porém, não há um único indício sequer, que dirá uma prova, de que ela seja corrupta. Entendo e me solidarizo com aqueles que contam os dias para que seu governo acabe. Porém, não posso aceitar que seu mandato seja interrompido antes do tempo regulamentar sem que haja prova de que ela tenha comedido crime de responsabilidade, condição cabal para o impeachment.
O impeachment é um instrumento radical. Tem potencial para deixar traumas políticos duradouros. Existe para casos extremos. E exige um motivo concreto: crime de responsabilidade. Em 1992, Fernando Collor sofreu impeachment porque cometeu crime de responsabilidade. Na época, descobriu-se que a reforma da casa que pertencia a ele e um carro de seu uso pessoal haviam sido pagos com dinheiro de fraude. Os recursos tinham saída de uma conta bancária aberta em nome de um “fantasma”, ou seja, uma pessoa que não existia. O nome disso é falsidade ideológica, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro. É crime de responsabilidade. Já as pedaladas fiscais de Dilma (um recurso contábil ignóbil que é adotado como regra na administração púbica de A a Z no espectro político) pode ser considerado um desvio administrativo, mas nunca um crime de responsabilidade. Dilma é um desastre, mas, pelo que se viu até agora, depois de remexidas as entranhas de seu governo, não é corrupta. E se não é corrupta, se não cometeu crime de responsabilidade, o processo de impeachment é indevido. Em outras palavras, golpe de estado.
Há 31 anos, quando terminou a ditadura civil-militar, iniciamos um penoso período de transição democrática. Encontramo-nos ainda nesse período. Saímos da ditadura, mas ainda não alcançamos a democracia plena. Estamos em algum lugar entre uma coisa e outra. Muitos fatores impediram que terminássemos a viagem. Contudo, até pouco tempo atrás, pelo menos podíamos dizer que estávamos no caminho.
Neste domingo, 17 de abril de 2016, caso a Câmara dos Deputados aprove o início do processo de impeachment de Dilma sem que ela tenha cometido crime de responsabilidade, estaremos finalmente terminando a transição democrática. Não para conquistar a democracia plena, mas para voltar ao passado. Em todos os sentidos.
Michel Temer será um presidente sem legitimidade, terá chegado ao poder por meio de trapaça nas regras do jogo. E que ninguém se iluda: a corrupção continuará a grassar, pois os patrocinadores do impeachment, seja no campo dos que agora desembarcam do governo, seja no campo da oposição, são profissionais no desvio de verbas públicas.
O nome do impeachment é golpe de estado.
Neste domingo, o que está em jogo não é o combate à corrupção, mas sim a frágil democracia do Brasil.

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Aécio cobra esclarecimento de Pimentel. Parceria Caracu é isso aí

Ontem, fez 10 dias que escrevi o post PT insiste na parceria Caracu com Aécio. Terminava assim: “Mas não custa lembrar o ditado espanhol: cría cuervos y te sacarán los ojos.

Ontem, o senador Aécio Neves comentou as denúncias que abalam o ministro Fernando Pimentel. Aécio disse que seu parceiro na aliança Caracu precisa “prestar esclarecimentos” (leia abaixo). 

Só Pimentel acreditou que a parceria Caracu daria certo. 

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Aécio diz que Pimentel tem de prestar esclarecimentos

ELIANA LIMA, da Agência Estado

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu hoje que o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) deverá prestar os devidos esclarecimentos sobre denúncias de que teria prestado consultoria a empresas com negócios com a Prefeitura de Belo Horizonte. Pimentel é ex-prefeito da capital mineira.

“Sempre tive um relação cordial como ministro Pimentel, mas acho que ele está numa condição de ter que prestar esclarecimentos. Fazer consultoria não é crime. Agora, se houve tráfico de influência é diferente. Temos que dar a ele o crédito para que preste as explicações necessárias. Não esclarecendo, a situação fica muito difícil”, disse.

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Desconstruindo Pimentel

Pimentel: crônica de uma morte anunciada

O ministro Fernando Pimentel está enrolado. Surpresa? Para quem acompanha o blog, nenhuma.

Em fevereiro, quando o governo Dilma não tinha perdido nenhum ministro, o blog vaticinava: Fernando Pimentel, o verdadeiro Palocci de Dilma.

Nas semanas seguintes, o blog mostrava como a fome de poder de Pimentel o colocava em rota de colisão com gente poderosa dentro do governo (ver os posts O saco de maldades de Pimentel, Pimentel conspira para saída de Palocci e Fernando Pimentel quer almoçar Mantega e jantar Tombini).

Em maio, no post Depois de Palocci, Pimentel?, o blog comentava as graves denúncias de superfaturamento que recaíam contra o minério quando ele administrava a Prefeitura de Belo Horizonte.

Em abril, no post O mensalão e eleição de 2014, o blog alertava que Pimentel começava a deixar de ser “carta branca” na imprensa, que tardiamente noticiava o envolvimento do mineiro no mensalão.

Cinco meses atrás, no post Inimizades, pensamentos imperfeitos e um funeral (VII), blog profetiza: “Pimentel um dia vai acabar Palocci”.

No último dia 29, o post PT insiste na parceria Caracu com Aécio apontava Pimentel como principal padrinho da explosiva “parceria Caracu” entre PSDB e PT em Belo Horizonte. A aliança tática entre Pimentel e Aécio Neves é nitroglicerina pura. Primeiro, porque desagrada setores do PT mineiro. Depois, porque faz Pimentel e o próprio PT caminharem em corda bamba, já que os dois partidos estão fadados a um confronto de vida e morte em 2014, tanto na eleição para o Governo de Minas quanto para a Presidência da República. No post, o blog ainda alertou: Cría cuervos y te sacarán los ojos. Pois é, aconteceu.

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Ele é carioca…

Aécio: é brincadeira....

Aconteceu sexta de manhã, no auditório da OAB em Belo Horizonte. Querendo ser simpático com a platéia mineira, o carioca Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal, mandou ver: “Todo carioca quer ser mineiro e vice-versa. Basta ver o exemplo do ilustre senador Aécio Neves, que é tão carioca quanto mineiro”. Fux riu da blague, mas riu sozinho. No auditório, o constrangimento foi geral. Afinal, nos últimos tempos, Aécio vem sendo cobrado por defender os interesses do Rio de Janeiro no Senado em detrimento dos de Minas na questão da distribuição dos royalties do pré-sal.

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PT insiste na parceria Caracu com Aécio

Sem medo de ser infelizzzzzz, o PT é hoje o curupira da política: ninguém sabe se anda para trás ou para frente

Se algum dia Aécio Neves alcançar a tão almejada Presidência da República, poderá dizer: “apesar de José Serra, mas com o apoio do PT, cheguei até aqui”.

Não há quem não reconheça que Aécio é hoje o principal nome da oposição para 2014, e não só para 2014. Talvez também para 2018, 2022, 2026… Aécio tem cacife (domina o segundo colégio eleitoral do país), tem carisma, tem habilidade política, tem apoio do empresariado, tem apoio da mídia, tem apoio da Força Sindical e tem alianças consistentes fora do eixo PT-PSDB.

Aécio, portanto, é um forte adversário do projeto político do PT, certo? Sim… Quer dizer, não… Quer dizer, talvez.

Nos últimos dez anos, a fim de alimentar a oposição interna a José Serra no PSDB, o PT, de forma geral, salvo uma ou outra exceção em Minas, evitou chatear Aécio Neves. Fez mais: abriu espaço para que o tucano crescesse.

Faça um teste. Tente achar no Google uma crítica mais pesada a Aécio Neves feita por um cacique petista de projeção nacional. Não há. Lula? Dilma? José Dirceu? Nenhum deles se lançou ao sagrado exercício político de desconstruir o adversário (a recíproca, contudo, como também mostra o Google, não é verdadeira).

O ápice da relação de boa vizinhança do PT com Aécio se deu em 2008. Naquele ano, o Partido dos Trabalhadores, que administrava Belo Horizonte havia 16 anos, decidiu quebrar a risca e não lançar candidato próprio à prefeitura, uma das mais importantes e estratégicas do país. De bom grado, o PT desceu da cadeira e passou a apoiar a chapa encabeçada por Márcio Lacerda (PSB), secretário do governo Aécio e afilhado político do tucano. A aliança ficaria conhecida como parceria Caracu (Aécio, é óbvio, entrou com a cara…).

Eleito, Márcio Lacerda fez o previsível. Nos últimos três anos, trabalhou pelo projeto de Aécio e pelo enfraquecimento do PT mineiro. O último ato dessa comédia se deu no início do mês, quando Lacerda, numa briga pessoal, demitiu todos os funcionários do gabinete de seu vice, o petista Roberto Carvalho.

Ano que vem, como todos sabem, tem eleição para prefeito. Há, por certo, muitos petistas mineiros que desejam romper a exótica aliança PSDB-PT em Belo Horizonte. A estratégia tem coerência, não se pode negar, já que na prática a aliança só favoreceu Aécio e o PSDB, enquanto o PT diminuiu. Além disso, em 2014, se o script político se confirmar, Aécio estará do outro lado do ringue contra Dilma Rousseff.

Por que então, catzzo!, o PT deveria fazer o jogo de Aécio? A vida tem seus mistérios.

Aqueles que, dentro do PT de Minas, trabalham pelo fim da aliança esbarram na objeção daquele que, no PT, é o padrinho da parceria Caracu, Fernando Pimentel.

Atual ministro do Desenvolvimento, Pimentel foi o último prefeito petista de Belo Horizonte. Se depender dele, talvez seja também o derradeiro. Pimentel joga pela reeleição de Márcio Lacerda. Se eleito, Lacerda quiçá venha a preencher, daqui a três anos, o (ainda vago) posto de candidato de Aécio ao governo de Minas. Seria certamente uma candidatura forte, talvez forte o suficiente para mais uma vez barrar o sonho do PT, nunca realizado, de conquistar o Palácio da Liberdade.

O curioso nessa história é que, ao patrocinar a reedição da parceria Caracu, Pimentel joga contra si próprio, já que também é nome forte para a eleição ao Governo de Minas em 2014.

Ontem, a contradição petista em Minas explodiu. Motivo: enquanto as exceções de sempre no raquítico PT mineiro lutam para explorar as fragilidades da herança deixada por Aécio no Estado (piso salarial mais baixo do país para o professorado, dependência excessiva das commodities num momento de crise mundial na economia, dívidas imensas que engessam a capacidade de investimento, mordaça na imprensa…), a ala de Fernando Pimentel apostou mais uma vez na parceria Caracu.

Aliado de Pimentel e presidente do PT de Minas, o deputado federal Reginaldo Lopes se reuniu ontem publicamente com Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas nascido de uma costela de Aécio, para discutir o que Lopes apelidou de “agenda positiva” e “convergência programática”. O resultado das confabulações deveria ter sido levado ainda hoje para Brasília. Adivinhem para quem? Fernando Pimentel.

Dirão os envolvidos que a “convergência programática” e a “agenda positiva” atende aos interesses de Minas. Na Calábria brasileira, desde a Inconfidência, é sempre assim. À luz do dia, evoca-se aos brados o nome de Minas. De madrugada, aos sussurros, costuram-se conspirações que atendem unicamente a interesses privados.

A busca do presidente do PT de Minas por uma “convergência programática” com o PSDB despertou a ira de petistas autênticos – chamemo-los assim para efeito de diferenciação (quem diria que um dia o PT precisaria ser classificado com a mesma escala de elasticidade de caráter do PMDB?). Via Twitter, o deputado Rogério Correia, autêntico que lidera o bloco anti-Aécio na Assembléia Legislativa do Estado, batizado de Minas Sem Censura, chamou Reginaldo Lopes de “traidor” e de aliado do PSDB e pediu que ele fosse afastado da presidência do PT mineiro. O protesto, seguido por outros autênticos, dificilmente terá efeito prático, já que a ala não tem força nas instâncias do PT nacional para peitar o ministro Fernando Pimentel.

Por que Pimentel fortalece os adversários de seu partido na capital mineira? Por que o PT nacional infla Aécio? Não há explicação lógica. Lá no fundo, lá no fundo, bem lá no fundo… Não há nada lá no fundo. A parceria Caracu é o que parece ser.

Minas tem 14,5 milhões de eleitores (10,7% do total nacional). Numa eleição presidencial apertada, o colégio eleitoral mineiro pode muito bem definir a parada. O PT parece não se importar com isso. Que assim seja. Mas não custa lembrar o ditado espanhol: cría cuervos y te sacarán los ojos.

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