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Blindado por Andrea Neves durante três décadas, Aécio se desmancha no ar (e leva a irmã junto)

acio212Leia aqui meu artigo publicado em The Intercept sobre o poderoso esquema de Andrea Neves que, com mão de ferro, sangue e culpe, fez Aécio Neves ser retratado como o mocinho da fita durante três décadas.

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Seis meses separam o impeachment “moralizador” do caso Temer-Geddel: como chegamos até aqui?

Neste artigo, publicado no Intercept, tento explicar como o Brasil se tornou um novelão de mau gosto.

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Uai, parece piada: Aécio denuncia guerra suja na internet

Aécio Neves: piada pronta

E o estilingue disse: “Eu sou é vidraça”

Dois anos atrás, publiquei neste blog uma série de posts denunciando o esquema profissional (e gigante$co) que buscava massacrar na internet aqueles que ousavam criticar ou mesmo pensar diferente do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Eu mesmo fora vítima desse esquema.

(Para quem não viu a série, leia aqui o último post, com link para os demais).

Hoje, em seu artigo semanal na Folha de S.Paulo, Aécio denuncia a “indústria subterrânea voltada a disseminar calúnias e a tentar destruir reputações” na internet.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Infelizmente, sob os novos horizontes tornados reais, existe um campo cinzento onde se instalou, no Brasil, um verdadeiro exército especializado em disseminar mentiras e agressões”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Fingindo espontaneidade, perfis falsos inundam as áreas de comentários de sites e blogs com palavras-chaves previamente definidas”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Robôs são usados para induzir pesquisas com o claro objetivo de manipular os sistemas de busca de conteúdo”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Calúnias são disparadas de forma planejada e replicadas exaustivamente, com a pretensão de parecerem naturais”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Absurdas acusações que jamais serão comprovadas, por serem falsas, são postadas e repostadas diariamente. A vítima pode ser um magistrado, um político ou um cidadão comum. Pode ser um jornalista, uma atriz, não importa”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Os objetivos são constranger, forjar suspeições, levantar dúvidas, transformar em verdade a mentira repetida mil vezes”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “O mais grave é que esse roteiro se repete para buscar desconstruir a imagem de qualquer um que ouse defender ideias divergentes dos interesses daqueles que mantêm plugada essa verdadeira quadrilha virtual”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Esse tipo de ação covarde é um lado da moeda que, na outra face, tenta controlar a imprensa, impedir a formação de novos partidos, defender a remoção do direito de investigação do Ministério Público e a submissão das decisões do STF à maioria governista no Congresso Nacional”.

É piada mesmo.

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Folha desmonta marketing de Aécio na Folha

Aécio valoriza a educação. Aécio valoriza a educação?

Começo a achar que o senador Aécio Neves não fez um bom negócio ao aceitar o convite para escrever às segundas-feiras na página 2 da Folha de S.Paulo. Por um lado, trata-se de um espaço nobre, de grande visibilidade, uma chance para Aécio se fazer ouvir em todo o país. Mas pode também se tornar uma armadilha.

No dia 5 de setembro, no artigo intitulado Inovação, Aécio escreveu:

“Um Steve Jobs não brota por geração espontânea. Ele floresce num caldo de cultura em que a educação é valorizada e o talento, reconhecido.”

“O mundo se dividirá cada vez mais entre os países que investem com seriedade em educação, pesquisa e tecnologia e os que não o fazem.”

Hoje, a mesma Folha traz a seguinte manchete: 17 Estados descumprem lei salarial de professor. Dentro do jornal, a matéria leva o título Minas, Bahia, Pará e Rio Grande do Sul estão totalmente fora de normas.

A Folha informa que, em Minas, Estado governado por Aécio por quase oito anos (2003-1010) e onde ele ainda dá as cartas, o piso salarial dos professores da rede estadual equivale a vergonhosos R$ 616, praticamente a metade do que manda a lei (R$ 1.187 por 40 horas semanais). O piso salarial de Minas é o mais baixo do país, mesmo comparado com Estados bem menos aquinhoados, como Amazonas (R$ 1.338), Amapá (R$ 2.171), Acre (R$ 1.187), Sergipe (R$ 1.187) e Alagoas (R$ 1.187).

O marketing de Aécio na Folha foi desmontado pela própria Folha.

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O que a imprensa viu (e o que não viu) na Rocinha

O "luxo" da casa de Peixe

“Luxo, luxo, luxo… reparem no luxo da casa do traficante da Rocinha, favela cujo controle o Estado finalmente retomou…”

Nos últimos dias, jornais, revistas, TVs, rádios e sites martelaram a informação (?) nas nossas cabeças. O que dizer? Faltou foco na pauta.

Repare que Peixe não precisava abrir a geladeira para se servir de água. Luxo, luxo, luxo!

Na casa do traficante Peixe, as imagens mostram um ambiente onde se espremem um dormitório, uma cozinha e um banheiro com hidromassagem. Convenhamos, está mais para um motel arrumadinho do que para um palácio.

Há capricho, certamente. Excessos, não. Banheira de hidromassagem, exaustor, geladeira com dispenser de água, banquetas de bar, cama box, poltrona de tecido, TV de LCD, fogão inox, ar-condicionado… Tudo o que se vê ali é vendido nas Casas Bahia – em 12 vezes sem juros!

Já a casa de Nem tinha até piscina e churrasqueira, informaram repórteres, com ares de espanto, como se estivessem a descrever as torneiras de ouro do palácio de Saddam Hussein. Nem movimentava, por baixo, R$ 100 milhões por ano. Seus comparsas chegaram o oferecer R$ 1 milhão a policiais para aliviar a prisão. Seu luxo maior, porém, era uma piscina de fibra de vidro e uma churrasqueira…

A piscina de "luxo" de Nem

O que é incrível não é luxo dos bunkers de Nem e Peixe. Incrível é o fato de os repórteres não terem feito alguns questionamentos óbvios:

. Se os bunkers dos chefes do tráfico se parecem com vitrines do Ricardo Eletro, onde vai parar a montanha de dinheiro que a droga movimenta?

A prova de que Nem comia até carne: luxo!

. Na estrutura do tráfico, os que estão abaixo de Nem e Peixe não têm direito sequer ao padrão Casas Bahia. Mas e acima? Como é? Como vivem aqueles que protegeram, armaram e abasteceram Nem e Peixe todos esses anos?

. Quem realmente fica com a fortuna do tráfico?

. Quem são os Nem e os Peixe que se escondem atrás de altos cargos nas polícias e nos poderes executivos, legislativo e judiciário?

. Onde está o verdadeiro luxo dessa história?

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Maria do Rosário vê pelo em ovo e ganha seus 15 minutos de fama

Ministra Maria do Rosário: falta trabalho ou sobra tempo?

Em seu comentário na rádio CBN, Arnaldo Jabor disse que Orlando Silva “finalmente caiu do galho”. Pronto! Como o ex-ministro dos Esportes é negro, um tsunami de protestos invadiu a internet a chamar Jabor de racista.

Ouçam o comentário de Jabor aqui.

Minha opinião é que Jabor não quis chamar Orlando Silva de macaco.

E aposto que a maioria dos que chamam o jornalista de racista não escutou o comentário na CBN. Mas passa adiante que Jabor foi racista por na verdade não gostar dele.

Pior nesse episódio é a secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, sair a público para jogar gasolina no fogo. Disse ela no Twitter: “Quero repudiar veementemente a declaração racista do Arnaldo Jabor sobre o ex-ministro Orlando Silva. Isso é inaceitável!”

Parece que a ministra, que tem um desempenho bem fraquinho no governo, procura pelo em ovo para aparecer na mídia.

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Lúcio Flávio Pinto: os jornalistas estão tímidos

Lúcio Flávio: "a imprensa se acovardou"

Quem acompanha o blog sabe da minha admiração por Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal, um jornalista que não faz questão de ser chamado de “investigativo”, mas que, nem mesmo sob ameaça, literalmente, abre mão de ser um repórter independente.

Em entrevista ao site da revista Imprensa, Lúcio Flávio diz o que pensa do jornalismo de hoje. Como sempre, implacável.

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Jornalista ameaçado no Pará diz que imprensa brasileira é covarde

Luiz Gustavo Pacete, da revista Imprensa

Há 24 anos, o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto rompia com o tipo de reportagem tradicional e fundava o Jornal Pessoal, em Belém (PA). Junto com seu irmão Luiz Pinto, mais de duas décadas depois, o jornalista continua com sua plataforma e é enfático: “continuamos a recusar publicidade”. 

Desde 1966 na profissão, Lúcio é o tipo de jornalista que prefere colocar o dedo na ferida, independente do preço a pagar. Apesar de não manter o mesmo ritmo de antes, o repórter publica em seu jornal tudo aquilo que não é dado por grandes veículos e que macula os bastidores da região: sangue, violência, corrupção e muitas injustiças com o povo ribeirinho.

Ele não culpa a grande imprensa por omitir temas envolvendo a região, mas critica a dificuldade dos veículos em entender o contexto dos conflitos locais. Ele também comenta que ameaças e represálias pelas denúncias que faz são constantes, questionado se vale a pena continuar é enfático: “Eu já queria ter terminado; é muito desgastante, mas continuo”. E critica: “os jornalistas de hoje não querem problemas”.

Ele não é otimista quanto às novas gerações. Como professor universitário tentou até encontrar novos jornalistas com vocação para a reportagem, mas lamenta não ter encontrado ninguém. E não nega voltar à imprensa, mas desde que seja como freelancer:, “nada de ficar preso em uma redação”, diz.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Lúcio fala sobre a hostilidade em sua região, a falta de coragem da imprensa em cobrir temas difíceis, a dificuldade de tocar um jornal sem recursos e de encontrar novos jornalistas dispostos a ir ao campo. 

Portal IMPRENSA – Parafraseando o título de seu livro: o jornalismo no Pará continua na linha de tiro?

Lúcio Flavio Pinto – Apesar da violência, infelizmente existe outra ameaça por aqui. Os jornalistas estão tímidos e presos nas redações com tantas coisas acontecendo por perto. Muita gente no telefone, na internet e quase ninguém em campo. A violência diminuiu não pela redução de casos, mas porque não tem jornalista para mostrar o que está acontecendo. Temos aqui discussões e temas tão relevantes: empobrecimento terrível, conflitos na instalação de hidrelétricas, a expansão da fronteira. Enfim, temas que estão ficando de fora do olhar jornalístico. 

IMPRENSA – Ao que se deve esse aprisionamento nas redações?

Lúcio – O primeiro componente é o custo. Mas o jornalista só aprende o ofício quando sai de sua base. Muitas vezes, grandes jornais e até veículos estrangeiros mandam jornalistas até aqui, mas existe um problema porque os profissionais que chegam não conhecem o histórico da região, o contexto e as sucessões históricas. Isso empobrece a cobertura.  

IMPRENSA – Culpa das empresas ou dos próprios profissionais?

Lúcio – Não só os jornalistas se acomodaram como existe uma nova geração que não vê outras ferramentas de apuração que não seja a internet. A imprensa se acovardou, os jornalistas parecem que não querem mais ter problemas. Querem, na verdade, fama e virar celebridades. Mas poucos topam se arriscar. Acredito que isso é uma distorção da sociedade. Há muito tempo não vemos a figura do repórter furão que descobre coisas novas, muitas vezes esse repórter vive na base do dossiê e nem saem do gabinete.

IMPRENSA – Qual o maior problema que você vê hoje?

Lúcio – Acho muito grave o jornalista que não vê os fatos antes de publicar. Jornalista que não viu o acontecimento não é jornalista. O que distingue o jornalista de todas as outras ciências humanas é o testemunho visual, o contato direto com os personagens. Isso que dá ao jornalismo um caráter especial. Não existe um bom jornalista que seja novo. Jornalista com cinco anos de carreira não é um bom jornalista. Mas, necessariamente, o bom jornalista tem que ter muito tempo de experiência, não de gabinete, mas diante dos fatos. Essa dimensão é imprescindível em uma sociedade democrática. O bom repórter é aquele que saber tirar informação de uma família enlutada e sem transformar o assunto. 

IMPRENSA – Como você financia seu jornal?

Lúcio – Durante parte da minha vida, pude circular em todos os lugares que eu quis. Sempre a empresa jornalística custeou minhas atividades, quando optei pela imprensa alternativa deixei de ter dinheiro para financiar minhas coberturas. Hoje, a imprensa alternativa é cara, eu optei por não ter publicidade, isso me limita um pouco. Passei nove anos na universidade tentando encontrar jornalistas para atuar em linha de frente fazendo o que eu fazia. Mas desisti e larguei a universidade, encontrei jornalistas que escreviam bem, intelectualizados, mas não encontrei que não tivesse o tino e o entusiasmo de ir atrás da notícia, eu acredito que ser repórter está relacionado a um elemento vocacional.

IMPRENSA – Isso acontece muito no jornalismo investigativo? O gênero virou muito modismo?

Lúcio – Eu condeno a camuflagem no jornalismo investigativo. Jamais faria isso. Eu chego ao lugar e digo: ‘sou jornalista’. Durante um tempo, fiz uma série de matérias sobre narcotráfico e conversava com os traficantes. Tenho um código de honra. São duas coisas que podem salvar o jornalista: ele cumprir seu código de honra. Isso me salvou várias vezes, principalmente quando recebi ameaças de morte, pessoas que foram pagas para me matar me avisaram porque conheciam minha forma de trabalhar.

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