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Bolsonaro tenta evitar destino de alguns de seus antecessores na Presidência: ser sabotado pelos serviços secretos

logo-rectangleAbaixo, reportagem de minha autoria publicada pelo The Intercept_Brasil.

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BOLSONARO COLOCOU O GUARDA-COSTAS NO COMANDO DA ABIN PARA SE PROTEGER DOS ESPIÕES DO GOVERNO

Lucas Figueiredo

NAS ÚLTIMAS SEMANAS, um questionamento se impôs no cenário político: Jair Bolsonaro conseguirá concluir seu governo? Por enquanto, só é possível dizer uma coisa: depende. Depende por exemplo de como se dará a evolução da dinâmica que sincroniza (ou desalinha) movimentos sociais, elites, imprensa e Congresso. Ou, numa outra vertente, depende também do comportamento dos serviços secretos (civil e militares),  órgãos inclinados, como se viu nos últimos 60 anos, à sabotagem de governos por meio de atividades clandestinas. Se essa segunda hipótese vai prosperar, não se sabe. Uma coisa certa, porém: as peças estão no tabuleiro e já começam a ser movimentadas.

Partiu do presidente o gesto mais ostensivo que mostra que o tabuleiro se agita. No início do mês, foi anunciada a troca do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. Sai o veterano Janér Tesch Hosken Alvarenga, forjado no famigerado Serviço Nacional de Informações, o SNI, um dos pilares da ditadura civil-militar de 1964-85 – sim, alguns deles ainda continuam por lá. Em seu lugar, entra o delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagem Rodrigues, cuja principal credencial é ter sido coordenador da segurança pessoal do então candidato Jair Bolsonaro após o atentado a faca em Juiz de Fora (MG) em setembro de 2018.

Em tempos de fraquejada no estado democrático de direito e de intervenção no cenário político por parte de aparatos estatais das áreas de defesa e de segurança pública, a Abin ganha um caráter ainda mais estratégico no organograma do Estado. Ninguém que trabalha no órgão gosta que se diga, mas ele é o serviço secreto. Resultado de uma transição democrática que começou em 1985 e se perdeu no caminho, o órgão é uma aberração institucional: a rigor, é civil, mas está subordinado aos generais do Gabinete de Segurança Institucional, o GSI (a nova nomenclatura do velho Gabinete Militar). Atua tanto no campo interno quanto no campo externo, um raio de ação gigantesco, coisa impensável nos congêneres de países como Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha.

E, como é da natureza dos serviços secretos em todo o mundo, a Abin se move nas sombras e por caminhos clandestinos (e praticamente sem fiscalização externa).

Nascida de uma costela do Exército em 1956, quando a Guerra Fria começava a entrar em um de seus momentos mais tensos, o serviço secreto civil do Brasil sempre foi tangido pelos militares. A partir de 1994, quando o ingresso no quadro funcional da Abin passou a ser feito exclusivamente por meio de concurso público, surgiu uma nova ala, a dos concursados, majoritariamente civil. Aos poucos, essa ala ganhou alguma força interna, porém até hoje não conseguiu conquistar a direção do órgão, como é sua aspiração.

Militares e concursados abancados na Abin atuam em canais próprios e com interesses muitas vezes divergentes, mas sempre se uniram para sabotar os indicados a diretor-geral do órgão que eram estranhos no ninho. Que o digam Mauro Marcelo de Lima e Silva (delegado da Polícia Civil de São Paulo) e Paulo Lacerda (delegado da Polícia Federal aposentado), até hoje os dois únicos forasteiros que comandaram a Abin, ambos no governo Lula, e que foram demitidos em meio a crises estimuladas artificialmente pelo próprio serviço secreto.

Não é de se estranhar, portanto, conforme apurei, que militares e concursados do condomínio Abin/GSI não tenham gostado de saber que Bolsonaro colocará um delegado da Polícia Federal no comando do serviço secreto.

O presidente certamente sabe do vespeiro em que pode se meter, mas está decidido a ir em frente por um motivo simples: ele acredita que o delegado Rodrigues, até poucos meses atrás responsável por sua segurança pessoal, é o homem mais indicado para protegê-lo da potencial força desestabilizadora do serviço secreto. Uma estratégia arriscada, bem ao estilo Bolsonaro.

O presidente pisa em terreno movediço conforme sugere o histórico dos casos de mandatários sabotados pelos serviços secretos. Juscelino Kubitschek, que criou o serviço secreto civil em 1956 (na época, a repartição respondia pela sigla SFICI, Serviço Federal de Informações e Contra-informação), teve seus telefones sistematicamente grampeados pelo órgão a partir de 1961. Quando o ditador Ernesto Geisel demitiu o radical comandante do Exército Sílvio Frota, em 1977, uma ala do Centro de Informações do Exército, o CIE, cogitou atacar o Palácio do Planalto e chegou a produzir 300 coquetéis molotov.

A ruína moral e política do governo do general João Baptista Figueiredo começou em 1981, quando agentes do CIE e do SNI se meteram no frustrado atentado do Riocentro. Em 1984, o serviço secreto do Exército acionou alguns agentes para armar uma operação de sabotagem da candidatura presidencial de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, mas eles acabaram sendo denunciados por seguranças de uma boate (Monstrengo, Pavão, Pudim, Zé Gatão e Marcão). Quatorze anos depois, o então presidente Fernando Henrique Cardoso se enrolou no caso do grampo do BNDES, quando agentes da seção fluminense da SSI (Subsecretaria de Inteligência, antecessor da Abin) grampearam clandestinamente uma conversa telefônica em que FHC e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, André Lara Resende, faziam acertos nada republicanos em torno da venda da Telebrás (na maior privatização realizada até hoje no Brasil, a empresa foi queimada por R$ 22 bilhões, em preço da época).

Já o primeiro escândalo do governo Lula também contou com o envolvimento dos serviços secretos: em 2003, Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil ligado ao então todo-poderoso ministro da pasta, José Dirceu, foi flagrado por câmeras ocultas em duas ocasiões embaraçosas. Na primeira, pedia propina a um bicheiro; na outra, fazia uma suspeita troca de valises no saguão do aeroporto de Brasília. Os vídeos, providencialmente vazados na imprensa, tinham sido produzidos numa operação da qual haviam participado um informante da Abin e um agente do serviço secreto da Aeronáutica.

A opção de Bolsonaro por botar seu guarda-costas-chefe na direção da Abin pode não ter o efeito esperado, já que o órgão continuará subordinado ao GSI – leia-se, ao general quatro estrelas Augusto Heleno Ribeiro Pereira. Curiosamente, Heleno é um dos poucos militares da cúpula do governo que ainda não se pronunciaram publicamente sobre a disputa escatológica travada pelo escritor Olavo de Carvalho contra a ala militar do Planalto. Carvalho, que prega aos berros o fim da suposta tutela militar sobre o presidente – e o faz com o apoio de Jair, Eduardo e Carlos Bolsonaro – já foi peitado pelos generais Hamilton Mourão (vice-presidente), Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Eduardo Villas Bôas(atual assessor do GSI e ex-comandante do Exército). Heleno, contudo, está calado. Por enquanto.

Caso decidam abrir seu saco de maldades contra Bolsonaro, os militares não contam apenas com a Abin, mas também com os três serviços secretos militares, o Centro de Inteligência da Marinha, o Centro de Inteligência do Exército e o Centro de Inteligência da Aeronáutica. Não seria uma atitude inédita o uso dos serviços secretos militares em ações clandestinas para influir no cenário político em meio a crises. Isso já ocorreu diversas vezes no período pós-ditadura, e não é preciso ir muito longe para citar um caso.

Em 2016, o CIE infiltrou o capitão Willian Pina Botelho em movimentos populares que lutavam contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Fazendo-se passar por ativista, o agente, sob o falso cognome de Balta Nunes, conquistou a confiança de organizadores de protestos de rua e passou a atuar como espião. Por obra do acaso, o militar infiltrado acabou desmascarado num ato anti-impeachment realizado na avenida Paulista, em São Paulo, em setembro daquele ano.

A cúpula do Exército, contudo, não se encabulou. Três meses depois do episódio, mesmo sendo investigado pelo Ministério Público por conta de sua conduta como espião de movimentos sociais, o agente foi promovido a major por ninguém menos que o próprio comandante do Exército na época, Eduardo Villas Bôas – sim, ele mesmo, o general que hoje está lotado no GSI e que trava a batalha pública contra o ideólogo bolsonarista Olavo de Carvalho.

Ao rifar os generais que lhe deram suporte para chegar ao Palácio do Planalto, o presidente parece desconhecer os calcanhares de Aquiles que ele e sua família têm (uma carreira militar salpicada de casos mal explicados, a relação de proximidade com milicianos, uma penca de funcionários fantasmas em gabinetes parlamentares, os “rolos” financeiros milionários do faz-tudo Fabricio Queiroz, a malha subterrânea que opera fake news nas redes sociais etc.). Com a estrutura, o know-how e os contatos que têm, não seria difícil para agentes da Abin ou dos serviços secretos militares levantarem informações que, nas mãos certas, poderiam ser desastrosas para Bolsonaro.

Alheio a tudo, o presidente permanece botando pressão nos militares entrincheirados na Praça dos Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios. Morde muito, mas de vez em quando assopra. No início do mês, ao baixar o polêmico decreto que facilita o porte de armas, Bolsonaro incluiu a Abin na relação de órgãos cujos funcionários contarão com facilidades para andar com revólveres na cintura, uma demanda antiga dos agentes. Na prática, eles não precisam disso. Com apenas uma chave de fenda e os contatos certos, eles já podem causar um bom estrago.

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The Intercept: (Re)militarizada, Abin busca se fortalecer disseminando o medo do terrorismo nas Olimpíadas

The_Intercept_2015_LogoEste é o meu artigo de estreia no portal The Intercept. Aqui, a versão em português, e aqui, em inglês. E aqui um vídeo de 1 min que foi feito para apresentar o artigo.

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[ARQUIVO DE REPÓRTER] Deu a louca no serviço secreto

Mais um dia mergulhado na escrito do meu próximo livro. Conforme combinado, segue um novo post da série Arquivo de repórter.

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Desde 1998, quando comecei as pesquisas que desaguariam em Ministério do Silêncio – A história do serviço secreto de Washignton Luís a Lula (1927-2005), tenho tentado acompanhar os bastidores do serviço secreto, que hoje responde pela sigla Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Em 2007, por intermédio de uma fonte de dentro do serviço, soube que algumas comunidades de agentes da Abin usavam as redes sociais para trocar ideias e opiniões – além de reclamar dos chefes. Segui os rastros e descobri o divã do serviço secreto. O resultado foi uma reportagem especial para a Rolling Stone.

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Deu a louca no Serviço Secreto

Lucas Figueiredo, para a Rolling Stone (outubro de 2007)

“Se os repórteres entrassem aqui, (…) a fachada da Abin iria por água abaixo.” A mensagem, assinada por alguém que se identifica como Desmascarador, era uma entre tantas outras postadas nos fóruns de discussão que pipocam a cada dia patrocinados por funcionários e ex-funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) – nome e sigla atuais do serviço secreto do Brasil. As salas virtuais onde os arapongas se encontram surgem do nada, crescem como hera e, na maioria das vezes, desaparecem sem deixar rastro. No tempo em que permanecem no ar, entretanto, retratam a fase difícil pela qual passa a Abin.

Nas rodas virtuais de que Desmascarador, mais conhecido nos fóruns do serviço secreto como Desma, participa, ninguém se importa em saber o que é real ou inventado na sua sua ficha-perfil ou identidade. Afinal de contas, segredo é a chave do negócio dessa turma. Todos ali (Desma, Maria Cláudia, Mestre, JClayton, Flobela Dalma, Agente 86, Almeida, 4366, Sun Tzu BR, entre outros) são agentes secretos.

No ano em que o serviço secreto brasileiro completa 80 anos, muitos de seus agentes resolveram usar a internet para debater (e denunciar) a crise que assola a instituição.

Agente 86, o da TV

Nos fóruns, os agentes tratam de temas como a evasão contínua de pessoal causada pelo descontentamento, a falta de rumo da instituição, os baixos salários e um certo apego do órgão ao passado negro da ditadura militar. É roupa suja que não acaba mais. Segui a dica de Desma e durante quatro meses, guiado por uma fonte da Abin, visitei diariamente oito fóruns virtuais mantidos por agentes e ex-agentes secretos. Depois de ler centenas de mensagens, a conclusão é uma só: a barra está pesada.

E pesada para todo mundo. A crise de identidade no serviço secreto não fica restrita ao corpo de agentes. Atinge também a cúpula do órgão. Para comemorar os 80 anos da atividade de inteligência no Brasil, a direção da Abin produziu recentemente uma cartilha com a história da instituição. Em vez de se ater aos fatos, entretanto, a cúpula do órgão optou por reescrever, com tintas mais amenas, o que aconteceu com o órgão nessas oito décadas (e sobretudo o que ele fez acontecer). Em resumo: para tornar seu passado menos sombrio, o serviço secreto encarnou Poliana. Assim, o que era pecado virou virtude. O desvio dos homens foi tratado como caminho natural das coisas. A anomalia se tornou uma regra. E a tragédia, uma realização a ser contemplada.

Somando a delirante releitura da História feita pela direção da Abin com a catarse pública de seus agentes, o quadro final sugere que o problema é coisa para ser resolvida em divã. O serviço secreto, por assim dizer, perdeu o eixo.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a quase totalidade dos fóruns virtuais freqüentados por agentes secretos brasileiros é aberta ao público. Para se ter idéia do que isso representa, basta ver o que acontece neste momento nos Estados Unidos. As agências de inteligência norte-americanas, incluindo a CIA, se preparam para ingressar, a partir de dezembro, no A-Space, uma comunidade on-line criada para que agentes de diferentes órgãos possam trocar informações com segurança. Dividido por área de interesse (terrorismo, narcotráfico, lavagem de dinheiro etc.), o A-Space terá acesso restrito, ou seja, quem não for agente secreto não entra. Mesmo com todos os cuidados tomados para barrar a entrada de estranhos, a iniciativa está sendo definida dentro da própria CIA como “o pesadelo da contra-informação” (contra-informação é área encarregada de evitar a espionagem inimiga).

Se nos EUA é assim, no Brasil a coisa é diferente. É fácil entrar nas salas de bate-papo da comunidade de inteligência brasileira. Difícil, porém, é encontrá-las. A vida útil dos fóruns é curta, e seus freqüentadores vivem pulando de um endereço virtual para outro. Nos quatro meses em que rastreei conversas dos agentes secretos na internet, quatro salas foram fechadas sem aviso prévio. Do dia para a noite, fóruns que antes davam acesso a discussões acaloradas (como Abin Discussão, Inteligência Civil e Abin Vale Tudo, hospedados no Yahoo) passaram a exibir a irritante expressão “grupo não encontrado”. Dos fóruns que permaneceram na ativa, destacam-se o Analistas da Abin e o Carcará Sanguinolento.

O Carcará Sanguinolento é onde a turma pega mais pesado. Foi criado em abril deste ano pela Associação dos Servidores da Abin (Asbin), entidade que reúne agentes secretos e que, historicamente, mantém uma relação conflituosa com a direção da Abin. Maria Cláudia (a da foto da Shakira) é uma das freqüentadoras do fórum, assim como X Files, Milico, Alvinegro, Coisoruim, LeCarrè e Honesto.

No mesmo dia da inauguração da sala virtual, ASDF fez o seu registro. E, no único comentário que postou, foi direto ao ponto: “Creio haver uma crise de identidade no órgão”. ASDF citou especificamente a “luta fratricida” entre os servidores da Abin, os constantes vazamentos de informações e o descrédito do serviço secreto perante a sociedade.

Outro que joga suas críticas no ventilador é o presidente da Asbin, Nery Kluwe, o único agente que se identifica no fórum com seu nome e sobrenome verdadeiros. “A agência tem um gene de que o governo não gosta. O gene do passado, o gene do araponga, que, antes de ser um observador apto e competente dos fatos, vive de bisbilhotar, de atemorizar, de constranger, de impedir o exercício de direitos, de maldizer, de pré-julgar, enfim, de agir atabalhoadamente, inspirado numa crença inarredável de sua própria idiotização e mediocrização”, escreveu Kluwe num de seus muitos posts explosivos.

Desde a inauguração do Carcará Sanguinolento, o dirigente usa o fórum para bater forte na direção da Abin. “Vivenciamos falta de gestão, formação deficiente, relacionamentos complicados, soberba, entulho autoritário dos tempos negros da História, afronta aos direitos e às garantias fundamentais, assédio moral, enfim…”. Em outra mensagem polêmica, Kluwe relacionou a inércia da Abin, que pouco produz hoje em dia, com os baixos salários pagos aos agentes: “Se ao que parece fingimos que trabalhamos, o Governo, a seu turno, finge que nos paga”. Kluwe, no entanto, também apanha nos fóruns. Já foi acusado por seus colegas de vazar informações da Abin para a imprensa e de criticar muito mas fazer pouco para debelar a crise no órgão. “Todas as reclamações são bem-vindas. Gostamos de porrada (de levar e dar)”, respondeu ele, num post, ao ser criticado por Thumper.

A crise atinge, em especial, os novos agentes. Desde 1994, o ingresso no serviço secreto é feito mediante um concorridíssimo concurso público – uma exigência algo bizarra da Constituição. A peneira é fina. Os candidatos a James Bond tupiniquim têm de dominar pelo menos uma língua estrangeira e ter curso superior. O salário inicial, contudo, é baixo: cerca de R$ 3.500, líquido.

Além do incentivo financeiro pouco expressivo, a jovem guarda do serviço secreto se depara com uma instituição sucateada e dirigida por veteranos do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), o avô da Abin que serviu de sustentáculo à ditadura militar (1964-1985). Nesse contexto nada promissor, os chamados “concursados” ainda são impedidos de ascender aos cargos mais altos, sobretudo àqueles ligados à área de operações (ou seja, as atividades de espionagem). Na maioria das vezes, eles ficam lotados em áreas mais burocráticas, processando informações de fontes abertas. Em outra palavras, lendo jornais, revistas e publicaçõs especializadas do Brasil e do exterior.

O resultado é um descontentamento gigantesco entre os agentes da nova geração – descontentamento que se transforma em índices de evasão de até 70% nas turmas aprovadas em concurso. “Quer entrar na Abin para ser o quê? Administrador? Tradutor? Instrutor de idiomas? E nada mais? Ou pensam em executar uma atividade de espionagem de Estado propriamente dita? É bom avisar para que não entrem numa furada e se frustrem, se acaso seu objetivo for atuar de verdade como agente secreto”, alertou Desmascarador numa mensagem dirigida aos candidatos a agente secreto, assíduos freqüentadores dos fóruns.

Como dois terços dos novatos acabam tirando o time de campo e o outro terço não tem chances de ascensão, a Abin vem experimentando, nos últimos anos, uma atrofia perigosa. De 5 mil funcionários no início da década de 1980, auge dos tempos do SNI, restam hoje cerca de 1.500, muitos deles à beira da aposentadoria. O fosso entre a nova e a velha guarda, aliado à falta de clareza quanto ao papel institucional da Abin no pós-ditadura, vem provocando uma paralisia no serviço secreto. Em poucas palavras: as atividades clássicas de espionagem são coisa cada vez mais rara na Abin.

A inércia do serviço secreto é um tema recorrente nos fóruns. Que o diga Milico. “Para corroborar com a opinião de todos, declaro que na minha unidade nada se faz”, escreveu o araponga, no Carcará Sanguinolento, às 9h08 do dia 1º de junho. Mais explícito ainda foi Kluwe: “Se não nos insurgirmos contra esse malsinado processo de fazer inteligência com a bunda na cadeira e o dedo na internet, somos desonestos com o país, com a agência e com nós mesmos!”.

Outro campeão de audiência nos fóruns dos arapongas são as medidas implementadas por Márcio Paulo Buzanelli, diretor-geral do serviço secreto demitido no início do mês passado. Nos dois anos de sua turbulenta gestão, uma das principais realizações da Abin foi um programa que visava aproximar a agência das crianças e dos adolescentes. Um dos frutos dessa iniciativa é uma revista em quadrinhos em que o personagem principal, Agente Jovem, conversa com um cachorro chamado Paco (o mesmo nome do cão de Buzanelli), escapa de jacarés na Amazônia e ajuda a prender contrabandistas de animais silvestres. Não pára por aí. No site da agência (www.abin.gov.br), foi criado um teste para crianças com perguntas do tipo “Qual é a cor do cavalo branco de Napoleão?”.

Símbolo da Abin: carcará na área

Buzanelli instituiu também uma nomenclatura nova para os cargos do serviço secreto, inspirada nas Forças Armadas. Com a mudança, o diretor-geral passou a ser chamado de comandante, os agentes são tratados por oficiais, os funcionários de nível mais baixo são subcomissários e assim por diante.

Oficial da reserva do Exército, da arma de infantaria, Buzanelli também criou um hino para a Abin. Ele próprio fez a letra e depois montou uma parceria com o general Paulo Uchôa, titular da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), que fez a música. Em tom marcial, o hino é de fazer inveja nos quartéis. A gravação original é executada por uma banda militar, com fartura de pratos, taróis e uma poderosa tuba. A canção tem passagens como “Nós somos da inteligência brasileira/Anônimos heróis na busca da verdade/Servir sempre em silêncio temos por bandeira/E à pátria consagrar nossa lealdade” e “A Abin é a luz forte que dissipa a escuridão/Desfaz as incertezas e desvenda o sorrateiro” ou ainda “Salve! salve! a nossa pátria brasileira/Orgulho temos nós em tê-la num altar”. Aos amantes da música trash-verde-oliva, vale a pena ouvir o hino, disponível no site da Abin.

A canção, é claro, não poderia passar batida nas discussões virtuais dos agentes secretos. O araponga que se esconde sob o pseudônimo Carcará Sorrateiro (não confundir com o fórum Carcará Sanguinolento) fez uma versão do hino e, como mostram dois trechos da letra, a intenção foi das piores: “Nós somos da insipiência brasileira/Anônimos bocós em busca de copiar/Servir sempre em silêncio temos por arreios/E ao marechal fingimos nossa lealdade” e “Abin é a cruz pesada que temos de carregar/Copiando e colando – tudo muito sorrateiro”.

O pseudônimo escolhido por Carcará Sorrateiro é uma referência jocosa ao símbolo da Abin, outra criação da lavra de Buzanelli. Desde 2005, o serviço secreto brasileiro é representado pelo carcará, espécie de falcão, encontrado na América do Sul, celebrizado na possante voz de Maria Bethânia (“Carcará, pega, mata e come”). A escolha do carcará não agradou a todos, como mostram os fóruns dos arapongas (aliás, outra ave, conhecida pelo grito estridente). “Não é à toa que a ave-símbolo da atual gestão é o carniceiro gavião carcará, ave que disputa território com urubus”, escreveu Libertas. Kluwe vai na mesma linha: “O carcará é uma ave carniceira, que inclusive come seus próprios companheiros. Se nossa ave-símbolo devora os próprios companheiros, o que podemos esperar dos companheiros do governo?”.

Maria Bethânia: “pega, mata e come”

Se dependesse de Carcará Sorrateiro, como ele próprio expôs em suas inconfidências virtuais, seriam outros os personagens a representar a Abin: o inesquecível Agente 86, o não menos desastrado agente Austin Powers, além dos Três Patetas e do boneco Pinocchio. Moral baixa é isso aí. “A Abin não faz nada. O trabalho se resume a elaborar relatórios baseados em informações da imprensa e em alguns poucos dados de origem duvidosa, coletados, em sua maioria, por outros órgãos”, afirma ele.

Durante os preparativos dos Jogos Pan-Americanos no Rio, a baixa produção da Abin foi um tema constante. No dia em que o Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu uma reportagem mostrando o Centro de Inteligência dos Jogos (CIJ), coordenado pelo serviço secreto, choveram comentários maliciosos. O primeiro post foi de Milico: “Apareceu (na reportagem) até o grandão que faz o malote no Rio, e o carcará-mor (Buzanelli) com aquele velho discurso de segurança nacional, informação, estratégia. Dizem que vai haver uns telões lá mostrando toda a movimentação. Que movimentação? Alguém tem noção da movimentação que vai haver nesse Pan no Rio? Esse pessoal vai ficar é vendo os jogos, ficar o dia inteiro na internet. Imaginem a final do vôlei ou do futebol com a presença do Brasil. Alguém acredita que eles (agentes designados para o CIJ) não vão ficar vendo os jogos? Isso tem de ser motivo de piada geral na comunidade de inteligência. Só o Brasil mesmo para mostrar (na TV) a sua central de inteligência. Na verdade, não passa de pura propaganda e muito mal feita. Viram só as telinhas de computador com o logotipo do carcará, tudo bonitinho? Viram só as plaquinhas azuis de terrorismo, crime organizado? A Abin analisando crime organizado no Rio de Janeiro? Fala sério!”.

Carcará Sorrateiro foi na mesma linha: “A Abin vai para o Pan-2007 fazer figuração. Quem vai garantir mesmo a segurança são as polícias e as Forças Armadas. Mas a presença da Abin é importante, pois vai render diárias para os apadrinhados”. O comentário recebeu o apoio de Zimmermannac: “O pessoal que está indo agora para o Pan só vai para curtir uma viagenzinha lúdica. As vagas foram disputadas no tapa. O pessoal só está se preocupando em não esquecer a roupa de banho e questões de hospedagem para a curtição total. Trabalho que é bom, nada. Analistas que já estiveram previamente nas instalações do CIJ constataram que na estrutura montada praticamente não há nada para a Abin fazer, a não ser aparecer na foto, como sempre. Tudo que possa ocorrer nos jogos já está devidamente dividido entre os órgãos que realmente vão agir em caso de anormalidades. A Abin não faz nada, como é de praxe”.

A Rolling Stone pediu ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a quem a Abin é subordinada, que comentasse as críticas expressas nos fóruns virtuais dos agentes secretos. A resposta foi lacônica: “As observações não expressam o pensamento do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República nem da Agência Brasileira de Inteligência”.

A verdade é que a agência se preocupa (e muito) com a lavação de roupa suja em público promovida por seus agentes. Em dezembro do ano passado, por meio da portaria número 472, a Abin instituiu um código de ética em que impõe a lei do silêncio entre seus servidores. Além de, enfática e reiteradamente, proibir os agentes de revelarem informações do serviço secreto, o código estimula os servidores da Abin a denunciar colegas responsáveis por vazamentos. Nas 12 páginas do código, os agentes são lembrados nove vezes do dever de resguardar informações internas e denunciar aqueles que não o fazem. O artigo 5º alerta que “o servidor da Abin deve zelar pela imagem de sua instituição, garantindo a preservação do sigilo das informações e dos métodos e técnicas operacionais”. O estímulo à denúncia aparece várias vezes. Só no artigo 7º, a obrigação de delatar possíveis gargantas profundas é estabelecida quatro vezes. No trecho relativo aos deveres dos servidores, é imposto como norma “ser leal para com a sua instituição e dar conhecimento imediato à autoridade superior de qualquer fato relativo aos interesses” da Associação Brasileira de Inteligência. O código de ética estabelece três sanções para quem violar as normas: censura, encaminhamento do caso à direção geral para abertura de processo administrativo e exoneração daqueles que ocupam cargo de confiança.

Os fóruns, como não poderia deixar de ser, também refletem a preocupação da direção da Abin com a segurança interna. Numa mensagem postada em maio, decorada com uma carinha triste cercada de interrogações, Agente 86 escreveu o seguinte: “Gostaria de sugerir que este fórum (o Carcará Sanguinolento, da Abin) fosse de acesso restrito aos servidores cadastrados, pois acho uma vulnerabilidade tratarmos de assuntos sensíveis em um espaço passível de acesso a qualquer um”.

A sugestão foi rechaçada. Revelações foi o primeiro a discordar do colega. “Sugiro que não se feche à sociedade este fórum. A sociedade é que nos sustenta com seus impostos e não me parece correto deixá-la no escuro ou bloqueada no que se refere ao futuro e ao presente da Abin”. Kluwe, a quem caberia a decisão final sobre o assunto, descartou a possibilidade de restringir o acesso ao fórum: “Cada um de nós deve ter em mente os estritos limites da confidencialidade ou não dos assuntos abordados. Se auto-censurem, se assim o desejarem. O fórum não censurará ninguém. Qualquer perspectiva de cerceamento seria odiosa e inaceitável”.

A atitude de confronto assumida por Kluwe já lhe valeu um processo administrativo por suspeita de vazamento de informações sigilosas. Nada, porém, foi provado. O que é certo é que o agente não perde uma oportunidade de zoar com a falta de rumo da Abin. No ano passado, a Associação dos Servidores da Abin fez uma enquete em seu site em que perguntava quem deveria ser o novo diretor-geral da agência. Seis opções foram colocadas à disposição:

A) Um profissional do quadro;
B) Um servidor estranho ao quadro;
C) Sargento Garcia;
D) Zorro;
E) O cachorro Muttley, parceiro de Dick Vigarista;
F) O cão Paco (o personagem do gibi da Abin).

Muttley: Abin, faça alguma coisa…

Muttley largou na frente e logo estava disparado na liderança. Foi quando a direção da Abin decidiu recuar e alterou a enquete. Assim, restaram somente as opções A e B, as mais recatadas. “Modifiquei em razão de um pensamento, minoritário e conservador, que achava que nós estávamos avacalhando”, explicou Kluwe na época.

(Uma explicação: Muttley – aquele que sempre pede medalha, medalha, medalha – era mais uma referência à gestão Buzanelli, que mandou fazer medalhas para condecorar servidores que se destacam e “personalidades” de fora do serviço secreto. Os galardões estão disponíveis em 17 versões.)

Enquanto agentes secretos passam os dias a maldizer o presente da agência, sua cúpula briga com o passado. Para comemorar os 80 anos da atividade de inteligência no país, a Abin produziu uma cartilha para contar a história do órgão. O problema é que o texto não se fixa, digamos, apenas na realidade. O início até que vai bem: conta como o embrião do serviço secreto foi criado em 1927, dentro do Conselho de Defesa Nacional, pelo presidente Washington Luís, e relembra o primeiro nome do órgão, instituído em 1958 – Serviço Federal de Informações e Contra-informação (Sfici). Daí em diante é que vêm os escorregões.

General Golbery do Couto e Silva: padrinho do serviço secreto

De acordo com a cartilha, no auge da Guera Fria, o Sfici “começou a atuar cooperativamente com os países do chamado bloco ocidental”. Huummm, não foi exatamente assim que a coisa se deu. A criação do Sfici, pelo presidente Juscelino Kubitschek, foi, na verdade, uma imposição dos Estados Unidos, transmitida pelo então secretário de Estado, John Foster Dulles. Uma comitiva brasileira chegou a viajar aos EUA para aprender, com o FBI e a CIA, técnicas de caça aos comunistas. (Um dos integrantes da comitiva era o jovem capitão Rubens Bayma Denys, que mais tarde se tornaria general e ministro de Estado nos governo José Sarney e Itamar Franco.) Um agente da CIA, Alfred Pease, que acompanhou a comitiva brasileira durante todo o tempo, foi posteriormente deslocado para o Rio de Janeiro, onde passou a dar plantão no Sfici. Ou seja, cooperação não é o substantivo mais apropriado para retratar a relação existente, no final de década de 1950, entre o serviço secreto brasileiro e o governo dos Estados Unidos. Subserviência talvez seja mais adequado.

A cartilha da Abin se perde de vez quando trata de temas relacionados à ditadura. Para início de conversa, o golpe militar, que inaugurou 21 anos de trevas no país, é descrito da seguinte maneira: “O Brasil, no início da década de 1960, apresentou um cenário interno bastante conturbado, gerando manifestações de segmentos da sociedade. O quadro evoluiu para uma intervenção militar no processo político nacional em 1964”. O discurso é empolado, mas só serve mesmo para enrolar. “Intervenção militar” é golpe, e ponto final. E golpe militar em regimes democráticos – é preciso que se diga isso com todas as letras – nunca é a evolução de um quadro, mas sim interrupção. Sorte nossa que a cartilha da Abin não é adotada nas aulas de História.

A agência também pisa em ovos ao falar do seu antecessor, o famigerado SNI. A cartilha diz, por exemplo, que o Serviço Nacional de Informações operava com base num “ordenamento jurídico” próprio, criado “em face das exigências conjunturais”. Errado! O que aconteceu de fato foi que, na tentativa de justificar o injustificável, os governos militares baixaram inúmeras normas e diretrizes para o SNI. Era como se o crime passasse a ser legal. Com base nesse “ordenamento jurídico”, o SNI vigiou e perseguiu os adversários do regime e forneceu suporte aos órgãos da repressão, responsáveis pela tortura de milhares de pessoas e pelo assassinato de pelo menos 380 brasileiros. A cartilha também oculta que o fundador do SNI, general Golbery do Couto e Silva, rejeitou a própria cria, na década de 1980, dizendo a célebre frase, à la doutor Victor Frankenstein: “Criei um monstro”.

O fim da ditadura e a redefinição dos rumos do SNI também receberam tintas amenas na cartilha da Abin. O enquadramento do serviço secreto às normas do Estado Democrático de Direito foi chamado de “depuração do organismo” com o objetivo de eliminar “de suas funções as possíveis tarefas que extrapolassem sua efetiva competência”. Trocando em miúdos: o serviço secreto deixava de ditar quem ia morrer, quem seria torturado, quem seria perseguido e quem deveria deixar o país.

Ao narrar a mudança de sigla no serviço secreto, em 1999, quando o órgão passou a se chamar Abin, a cartilha também não conta toda a verdade. “Com o fim da Guerra Fria, houve um novo redirecionamento de interesses no cenário político e econômico mundial. Mudaram os inimigos e os alvos a serem alcançados”, diz o texto. Que a Guerra Fria acabou, não restam dúvidas. Mas daí a dizer que mudaram os inimigos do serviço secreto já é exagero.

Diferentemente do que fazem seus congêneres de países democráticos (como a CIA nos EUA, o MI-6 na Inglaterra, o BnD na Alemanha e a DGSE na França, que só têm autorização para agir no exterior), a Abin atua dentro do território nacional, bisbilhotando a vida de cidadãos brasileiros. O foco no chamado “inimigo interno” pouco mudou. Para a Abin, os movimentos sociais continuam sendo vistos como uma ameaça em potencial ao país, um alvo a ser vigiado e combatido, independentemente se atuam dentro ou fora da lei. Essa visão ficou expressa na resolução final do 1º Encontro Técnico dos Serviços de Inteligência dos Países da América do Sul, patrocinado pela Abin, em outubro de 2003, ou seja, já no décimo mês do governo Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, o serviço secreto brasileiro combinava, com seus parceiros, vigiar os movimentos que tratavam da “questão da pobreza”, por temer que eles pudessem “representar ameaças, preocupações ou desafios a interesses estratégicos dos países da América do Sul”. Quer dizer, enquanto Lula inaugurava seu governo apresentando-se, no Brasil e no exterior, como líder do combate à pobreza, seu serviço secreto espionava aqueles que trabalhavam com a questão.

No mês passado, depois de quase 1.700 dias no poder, Lula finalmente deu sinais de que ele também não estava gostando dos rumos do serviço secreto. O presidente demitiu Buzanelli pelos jornais e colocou em seu lugar o delegado Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Polícia Federal, responsável pelas grandes operações que nos últimos anos abateram poderosos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Com a escolha de um servidor público exemplar e, sobretudo, estranho aos quadros da Abin, Lula acena com o desejo de mudanças. Resta saber se Lacerda conseguirá domar o serviço secreto. E se o presidente de fato fará as modificações necessárias no desenho institucional da Abin, como tirar a agência do campo interno para deixá-la voltada exclusivamente para o campo externo, o que demandaria mudanças na legislação.

Se a Abin ignora os erros do passado e não consegue conter as insatisfações internas do presente, que será do futuro? A depender da agência, uma história com final feliz. Detalhe: com Thiago Lacerda no papel de galã e Sheila Mello, a ex-loura do Tchan, no lugar da mocinha.

Thiago Lacerda vive o homem que veio da Abin

Recentemente, na sua enésima tentativa de melhorar a imagem, a Abin resolveu investir no cinema, apoiando a produção de Segurança Nacional, longa-metragem do cineasta Roberto Carminatti ainda não finalizado. O roteiro do filme é um suspiro na vida dura que o serviço secreto tem levado nos últimos anos. Em vez de críticas internas, críticas externas e falta de autocrítica, a Abin irá aparecer muito bem na fita. Em Segurança Nacional, o presidente da República (Milton Gonçalves) aciona a agência para desbaratar uma rede internacional de narcotráfico que ameaça a segurança do país. Um dos melhores agentes da corporação (Thiago Lacerda) sai então a campo para investigar o caso, mas é pego no contrapé quando os bandidos seqüestram sua namorada (Sheila Mello) e ameaçam detonar ataques em diversos pontos do país. O mocinho então tem de salvar o país e a namorada ao mesmo tempo (original, não?). Ah, claro, não faltam carros em alta velocidade, jatos cruzando o céu azul anil de Brasília, bombas e socos, muitos socos.

Carminatti contou com a consultoria do serviço secreto e pôde filmar nas dependências da Abin, uma área gigantesca no Setor Policial Sul, em Brasília. Para compor seu personagem, Thiago Lacerda recebeu dicas de agentes secretos. Agora é esperar pelo resultado.

Conseguirá Thiago Lacerda salvar Sheila Mello e vencer os vilões? E o delegado Paulo Lacerda? Terá ele forças para domar os rebeldes da agência e colocar o bonde nos trilhos? Lula sairá bem desse enrosco? Saiba de tudo nos próximos capítulos da novela da Abin.

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Abin finalmente é o mocinho da fita

Passou batido o lançamento do filme Luta de Rua. Mas não para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que detectou a produção B. Pudera, desta vez o mocinho da fita é da Abin.

Sinopse: um programa secreto da Abin coloca nas ruas um agente especialmente treinado para combater ações de grupos criminosos que podem colocar em risco a segurança do país. A primeira missão do agente é desarticular um grupo responsável por um roubo no Centro Regional de Ciências Nucleares.

Pau puro! Divirta-se!

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[EXCLUSIVO] Militares continuam dando as cartas no serviço secreto

General Elito: serviço secreto sob influência verde oliva

O general José Elito, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), venceu de novo: o serviço secreto, órgão civil que responde hoje pela sigla Abin (Agência Brasileira de Inteligência), permanece sob as asas do Exército.

Depois de ensaiar voo independente, a Asbin (Associação dos Servidores da Abin) deu meia volta e acabou se alinhando novamente ao GSI. Após anular a eleição da nova diretoria, em outubro, a Asbin realizou novo pleito no último dia 25. Desta vez, com chapa única. Assim, o presidente da Asbin, Robson Vignoli, alinhado ao GSI, foi reconduzido ao cargo.

Para saber mais sobre o caso, leia aqui.

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Aos agentes secretos: se beber, não fale

No próximo dia 7, numa casa de festas do Setor Park Way, em Brasília, acontece o tradicional jantar dançante de confraternização de final de ano dos servidores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Aos agentes secretos, que contribuirão com R$ 100, solicita-se o traje passeio.

O blog aproveita a ocasião, sempre delicada, e reproduz um aviso bem humorado, porém pertinente, feito em 1976 pelo extinto SNI (Serviço Nacional de Informações) aos seus agentes, por ocasião das festas de final de ano. O aviso, carinhosamente chamado de Fórmula “S” para cocktail, foi divulgado na Coletânea L (publicação interna do SNI – secreta, obviamente) de dezembro daquele ano, juntamente com um calendário de 1977. (Em 2005, tive a felicidade de trazer essa pérola a público no meu livro Ministério do Silêncio.)

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[EXCLUSIVO] Nossas mulheres em Buenos Aires e Washington

Em janeiro, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) desembarca uma agente em Buenos Aires. Para ficar…

No mesmo mês, outra agente da Abin se instala em Washington. Ficará baseada no Comitê Interamericano contra o Terrorismo (CICTE), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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