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A reinvenção do Rio de Janeiro

Lindo será o Rio pacificado

A reinvenção do Rio de Janeiro deu um grande salto na semana passada com o ataque ao crime organizado dentro das polícias. Depois de mostrar à população que é possível sim recuperar territórios tomados pelo tráfico, o governo do Estado, em parceria com o governo federal (via Polícia Federal), Ministério Público e Judiciário, deu mais um recado: a origem do problema – a corrupção – é a bola da vez.

Até os paralelepípedos da Avenida Atlântica sabiam que, nas recentes ações de cerco ao tráfico no Rio, policiais-bandidos se aproveitaram para lucrar ainda mais.  O que pouca gente imaginava era que a lei os alcançaria. Pois o processo já começou. A Operação Guilhotina identificou quatro organizações que agiam dentro da Polícia Civil e da Polícia Militar do Rio. Suas especialidades: revenda de armas e drogas apreendidas, cobertura ao tráfico e venda de informações sigilosas. Uma metralhadora tomada dos bandidos era devolvida mediante o pagamento de R$ 55 mil. Um fuzil, R$ 20 mil. A Justiça ordenou a prisão de 45 pessoas, entre elas um capa-preta, Carlos Antônio Luiz Oliveira, ex-número 2 da Polícia Civil fluminense. Na condição de testemunha, o atual chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, teve de depor na PF.

Não se espera, obviamente, que o governo do Rio consiga acabar com a corrupção dentro das polícias, muito menos com a ligação delas com o tráfico de drogas. Mas há uma esperança concreta agora de que, na área de segurança pública, o Rio é capaz de evoluir – e muito. A Operação Guilhotina já deu o norte:

. As milícias devem ser combatidas com o mesmo rigor que o tráfico de drogas;

. O policial corrupto que se alia ao crime organizado, hoje uma instituição do Rio, precisa ser preso e, antes disso, precisa ter medo de ser preso;

.  A reforma das polícias é condição essencial para pacificar o Rio (e São Paulo, Minas, Distrito Federal, Pernambuco, Mato Grosso…);

. Não se pode admitir que bandidos que vivem entrincheirados em favelas consigam comprar metralhadoras, fuzis, bazucas, granadas etc. É preciso tomar as armas dos bandidos e impedir que novas armas cheguem até eles;

. Essas armas são fornecidas aos traficantes por bandidos infiltrados nas políciais e nas Forças Armadas, muitas vezes mancomunados com autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Portanto, é necessária uma operação permanente para investigar, prender e condenar policiais, militares e autoridades envolvidos com o crime organizado. Uma espécie de Operações Mãos Limpas.

O Rio, quem diria, tem jeito. Se continuar perseguindo o sucesso na área de segurança pública, o governador Sérgio Cabral Filho irá se credenciar para futuras disputas ao Palácio do Planalto. Mas isso é outra história.

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Arquivado em Colarinho branco, Crime organizado, Política