Domingo, 17 de abril de 2016: uma reflexão sobre o Brasil

bandeira-brasil-rasgada1O que passa na cabeça de um corrupto e de um corruptor? Dorme tranquilo de noite? No restaurante, quando pede ao garçom um vinho de R$ 10 mil reais, sua consciência sussurra algo como “seu luxo é alimentado com dinheiro desviado de escolas, hospitais, estradas”? Ele sofre em algum momento ou é 100% cinismo. O que sente o corrupto?
Nos meus 25 anos de jornalismo, muitas vezes eu me fiz essas perguntas. Tentei ir além, buscando respostas com os corruptos que conheci. Foram vários. Com alguns deles, fontes que cultivei durante anos, cheguei a desfrutar de certa intimidade. Frequentava suas casas, conhecia seus filhos, comíamos à mesma mesa, o que nos permitia, a eles e a mim, falar com mais transparência. Sondei suas almas. Rodei a América do Sul, fui aos Estados Unidos e à Europa para falar com corruptos. Alguns se deixaram revelar parcialmente, porém nunca encontrei uma resposta completa para minhas questões.
Em 1994, no governo Itamar Franco, fiz minha primeira reportagem investigativa sobre corrupção. Um caso clássico: obras superfaturadas do Ministério dos Transportes tocadas por empreiteiras gigantes – Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, entre outras. (Reconhece esses nomes? Pois é…) Perdi as contas de quantas matérias escrevi que citavam essas e outras empreiteiras em episódios de desvio de dinheiro público. Posso nunca ter descoberto o que se passa nos corações e nas mentes dos corruptos, mas, a partir de certo momento, entendi como funcionavam os esquemas que alimentavam corruptos e corruptores.
Na segunda metade da década de 1990, já no governo Fernando Henrique Cardoso, o esquema das grandes empreiteiras estava tão manjado que os corruptos começaram a operar com agências de publicidade. Funcionou – e funcionou bem. Essa história está contada no meu livro O Operador – como (e mando de quem) Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB e do PT, publicado dez anos atrás. Como o subtítulo do livro mesmo diz, ali também está contada a história de como o PT,ao chegar ao poder em 2003, se apropriou do esquema de corrupção dos tucanos (o mesmo modus operandi, os mesmos operadores, os mesmos laranjas, os mesmos bancos, os mesmos doleiros, os mesmos corruptores…).
Em matéria de corrupção, portanto, posso dizer que já bati tanto em Chico quanto em Francisco.
Tendo dedicado boa parte da minha atuação profissional às investigações de corrupção, tive um interesse especial pela operação Lava Jato, promovida pelo Ministério Público, pela polícia e pela Justiça federais. Conheço muitos dos personagens envolvidos, alguns deles muito bem aliás.
É inegável que as provas colhidas nas investigações revelam um gigantesco esquema criminoso encabeçado e guiado pelo PT. As bases de sustentação dos governos Lula e Dilma se fartaram com dinheiro grosso desviado da Petrobras. Não há dúvidas: o Partido dos Trabalhadores se corrompeu.
O esquema em que o PT se deliciou, é preciso dizer, não é novo: as empreiteiras, os doleiros e os burocratas são os mesmos que, há décadas, roubam em governos de direita e de centro. Os corruptores não têm ideologia.
Muitos petistas graúdos foram pegos com a boca na botija. Lula foi pego com a boca na botija.
O caso de Lula é, em particular, curioso. Ele cobrava por palestra US$ 200 mil (na cotação de hoje, R$ 704 mil), e sua agenda era cheia. Ou seja, ganhava uma fortuna por meios legais, porém enredou-se numa relação promíscua com grandes empreiteiras. Lula poderia, com o fruto de seu trabalho, ter comprado dezenas de sítios em Atibaia e dezenas de tríplex no Guarujá, mas preferiu render-se a um esquema de “agrados” inaceitáveis.
Lula se corrompeu. E precisa responder por isso na Justiça. (Como eu gostaria de ter uma conversa franca com Lula e ouvir dele uma explicação para ele ter se associado a alguns dos maiores corruptores do país…)
A bem da verdade, porém, é preciso dizer que Lula agiu do mesmo modo que Fernando Henrique Cardoso. Ao deixar a Presidência, FHC também se enredou em num esquema promíscuo com grandes empreiteiras que abarcava favores para membros de sua família e ocultação de patrimônio. Nesse ponto, Lula e FHC são farinha do mesmo saco.
Se é verdade que a Lava Jato mostrou que o Brasil está carcomido pela corrupção, é verdade também que a operação foi (e ainda é) conduzida de forma absolutamente seletiva, portanto viciada. Não é sério um juiz que vaza áudios de grampo em que um investigado que sequer é réu conversa com seu advogado. O nome disso é crime (as comunicações entre advogado e cliente são invioláveis). Não é sério um juiz que vaza o áudio de uma conversa íntima entre a nora de um investigado e um amigo dela, ou o áudio de uma conversa pessoal entre a mulher e o filho de um investigado, conversas que nada tinham a ver com a investigação. O nome disso é perseguição, linchamento moral.
Como juiz, Sérgio Moro se corrompeu. Tornou-se um justiceiro que se considera acima da lei. Assim como Lula, FHC, PT, PSDB, Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Moro precisa responder por seus desvios.
A Lava Jato tem outro defeito de origem. Foca apenas a corrupção praticada pela base do governo. É no mínimo escandaloso como as investigações deixam passar batido os corruptos de partidos de oposição. Quem em sã consciência acredita, por exemplo, que a Odebrecht, no mercado desde 1944, só fez parcerias criminosas com o PT e seus aliados? Quem engole a seletiva delação premiada dos executivos da Andrade Gutierrez, que por décadas foram associados ao PSDB e agora só se lembram das falcatruas cometidas no governo do PT?
Na Lava Jato, a PF, o MPF e a Justiça Federal tiveram grande competência ao se debruçarem sobre a corrução do PT, mas fecharam os olhos em relação à oposição. O alvo era Lula, e apenas Lula. Afinal, todos sabemos, Lula era um fortíssimo candidato à eleição presidencial de 2018.
A Lava Jato é uma operação contra a candidatura de Lula em 2018 e não um processo criminal de combate à corrupção. Se fosse diferente, as investigações também teriam como alvo Aécio Neves, citado diversas vezes nas delações premiadas mas jamais investigado.
O que explica que a maioria da população tenha abraçado a sanha anti-corrupção no PT, mas dê de barato as práticas corruptas dos adversários do PT? O que explica o ódio contra Dilma, uma presidente incompetente mas honesta, e a indiferença com o figura de Eduardo Cunha, detentor de contas não declaradas na Suíça, cujos recursos foram congelados por fortes suspeitas de terem sua origem em propinas da Petrobras? Resposta: a ação partidária de boa parte da mídia. De dia, de tarde e de noite, os brasileiros são bombardeados por propaganda anti-petista em jornais, TVs, rádios, revistas e portais da internet. O PT é pintado como um lobo mau cercado de chapeuzinhos vermelhos, vovós e valentes caçadores. A verdade, porém, é outra: não há heróis nessa história.
O nome disso é manipulação.
No campo da corrupção, o PT tem grandes pecados, mas também um mérito. Sob Lula e Dilma, o Estado pode finalmente investigar, denunciar e julgar corruptos e corruptores. Parafraseando Lula, nunca antes na história desse país isso tinha acontecido. O PT se corrompeu, è vero, mas nunca deixou de ser um partido republicano, nunca enquadrou a Polícia Federal, nunca calou o Ministério Público. Já os que querem o lugar do PT também se corromperam, mas nada tiveram de republicanos. Alguém imaginaria, por exemplo, que o procurador-geral da República de Lula ou de Dilma fosse chamada todo dia pela imprensa de “engavetador-geral da República”? Isso aconteceu com Fernando Henrique Cardoso. Alguém imaginaria numa administração do PT a existência de um esquema de mordaça do Ministério Público e da imprensa que impedisse o vazamento de qualquer notícia ruim. Isso aconteceu nos oito anos em que o tucano Aécio Neves governou Minas Gerais.
Hipocrisia é o nome do gesto dos que hoje manobram para tomar o poder do PT.
O que vamos assistir neste domingo nada tem a ver com a luta contra a corrupção. Trata-se da luta pelo poder – no caso da oposição, da luta dos que sempre estiveram envolvidos na corrupção, dos que nunca permitiram que a corrução fosse investigada, dos que não tiveram votos suficientes para serem eleitos em 2002, 2006, 2010 e 2014 e agora querem pegar um atalho na história para voltar ao Palácio do Planalto, e obviamente continuar operando com seus esquemas de corrupção.
E a presidente Dilma Rousseff? Qual o seu lugar nessa história? Bom, ela de fato se revelou de uma incompetência administrativa e de uma falta de compreensão da política ímpares. Dilma é uma péssima presidente. Porém, não há um único indício sequer, que dirá uma prova, de que ela seja corrupta. Entendo e me solidarizo com aqueles que contam os dias para que seu governo acabe. Porém, não posso aceitar que seu mandato seja interrompido antes do tempo regulamentar sem que haja prova de que ela tenha comedido crime de responsabilidade, condição cabal para o impeachment.
O impeachment é um instrumento radical. Tem potencial para deixar traumas políticos duradouros. Existe para casos extremos. E exige um motivo concreto: crime de responsabilidade. Em 1992, Fernando Collor sofreu impeachment porque cometeu crime de responsabilidade. Na época, descobriu-se que a reforma da casa que pertencia a ele e um carro de seu uso pessoal haviam sido pagos com dinheiro de fraude. Os recursos tinham saída de uma conta bancária aberta em nome de um “fantasma”, ou seja, uma pessoa que não existia. O nome disso é falsidade ideológica, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro. É crime de responsabilidade. Já as pedaladas fiscais de Dilma (um recurso contábil ignóbil que é adotado como regra na administração púbica de A a Z no espectro político) pode ser considerado um desvio administrativo, mas nunca um crime de responsabilidade. Dilma é um desastre, mas, pelo que se viu até agora, depois de remexidas as entranhas de seu governo, não é corrupta. E se não é corrupta, se não cometeu crime de responsabilidade, o processo de impeachment é indevido. Em outras palavras, golpe de estado.
Há 31 anos, quando terminou a ditadura civil-militar, iniciamos um penoso período de transição democrática. Encontramo-nos ainda nesse período. Saímos da ditadura, mas ainda não alcançamos a democracia plena. Estamos em algum lugar entre uma coisa e outra. Muitos fatores impediram que terminássemos a viagem. Contudo, até pouco tempo atrás, pelo menos podíamos dizer que estávamos no caminho.
Neste domingo, 17 de abril de 2016, caso a Câmara dos Deputados aprove o início do processo de impeachment de Dilma sem que ela tenha cometido crime de responsabilidade, estaremos finalmente terminando a transição democrática. Não para conquistar a democracia plena, mas para voltar ao passado. Em todos os sentidos.
Michel Temer será um presidente sem legitimidade, terá chegado ao poder por meio de trapaça nas regras do jogo. E que ninguém se iluda: a corrupção continuará a grassar, pois os patrocinadores do impeachment, seja no campo dos que agora desembarcam do governo, seja no campo da oposição, são profissionais no desvio de verbas públicas.
O nome do impeachment é golpe de estado.
Neste domingo, o que está em jogo não é o combate à corrupção, mas sim a frágil democracia do Brasil.

50 Comentários

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50 Respostas para “Domingo, 17 de abril de 2016: uma reflexão sobre o Brasil

  1. Pingback: O show de horrores da Câmara em 7 charges e poucas palavras - Portal Fórum

  2. Dudu

    Ser eleita não significa nada quando a eleição foi regada a dinheiro publico roubado e manipulação feroz da verdade pelo campanha de marketing, na minha opinião, deslegitima a presidenta…..sem mais….

  3. ALON

    Visitei seu blog pra ver se tinha alguma novidade sobre a biografia de Tiradentes, não tem.
    Então aproveito para comentar seu último post.
    Respeito e levo em consideração tudo o que você escreve, chegando ao ponto de até a mudar de posição.
    Tem um ponto interessante que estou refletinfo até o momento, a seletividade do juiz Sergio Moro. A revista Piauí já tinha levantado a bola de que não há nenhum tucano preso e isso é de estranhar. Não tinha dado a devida atenção.
    Acredito que essa seletividade tira um pouco da credibilidade da Operação Lava Jato.
    E quem te chama de petista deveria ler seus livros, O Operador e Lugar Nenhum.
    Não quero defender Lucas Figueiredo, acredito que ele não precise disso mas, o competente jornalista, está longe de ser petista ou qualquer coisa perto disso.
    Abraços Lucas

  4. Seu texto possui verdades, mas infelizmente é desonesto e manipulador em diversos aspectos.
    Seguem minhas observações.

    EXAGERO, DONO DA VERDADE: Na Lava Jato, a PF, o MPF e a Justiça Federal tiveram grande competência ao se debruçarem sobre a corrução do PT, mas fecharam os olhos em relação à oposição. O alvo era Lula, e apenas Lula. Afinal, todos sabemos, Lula era um fortíssimo candidato à eleição presidencial de 2018.

    EXAGERO: “A Lava Jato é uma operação contra a candidatura de Lula em 2018 e não um processo criminal de combate à corrupção.”
    Se fosse diferente, as investigações também teriam como alvo Aécio Neves, citado diversas vezes nas delações premiadas mas jamais investigado.

    EXAGERO, DONO DA VERDADE: O que explica o ódio contra Dilma, uma presidente incompetente mas honesta, e a indiferença com o figura de Eduardo Cunha, detentor de contas não declaradas na Suíça, cujos recursos foram congelados por fortes suspeitas de terem sua origem em propinas da Petrobras?

    SIMPLIFICAÇÃO, EXAGERO, DONO DA VERDADE: Trata-se da luta pelo poder – no caso da oposição, da luta dos que sempre estiveram envolvidos na corrupção, dos que nunca permitiram que a corrução fosse investigada, dos que não tiveram votos suficientes para serem eleitos em 2002, 2006, 2010 e 2014 e agora querem pegar um atalho na história para voltar ao Palácio do Planalto, e obviamente continuar operando com seus esquemas de corrupção.

    MINIMIZAÇÃO: Já as pedaladas fiscais de Dilma (um recurso contábil ignóbil que é adotado como regra na administração púbica de A a Z no espectro político) pode ser considerado um desvio administrativo, mas nunca um crime de responsabilidade.
    ( Pedaladas Fiscais na casa dos 60 bilhões. Isto é gravíssimo para o país )

    FALSA COMPARAÇÃO: Há 31 anos, quando terminou a ditadura civil-militar, iniciamos um penoso período de transição democrática. Encontramo-nos ainda nesse período. Saímos da ditadura, mas ainda não alcançamos a democracia plena. Estamos em algum lugar entre uma coisa e outra. Muitos fatores impediram que terminássemos a viagem. Contudo, até pouco tempo atrás, pelo menos podíamos dizer que estávamos no caminho.

    EXAGERO E DRAMATIZAÇÃO: Alguém imaginaria numa administração do PT a existência de um esquema de mordaça do Ministério Público e da imprensa que impedisse o vazamento de qualquer notícia ruim. Isso aconteceu nos oito anos em que o tucano Aécio Neves governou Minas Gerais.
    ( Nossa a imprensa toda dominada, meu deus que medo! )

    EXAGERO: Neste domingo, 17 de abril de 2016, caso a Câmara dos Deputados aprove o início do processo de impeachment de Dilma sem que ela tenha cometido crime de responsabilidade, estaremos finalmente terminando a transição democrática.
    Não para conquistar a democracia plena, mas para voltar ao passado. Em todos os sentidos.
    ( O processo apenas está indo para o Senado )

    VITIMIZAÇÃO: De dia, de tarde e de noite, os brasileiros são bombardeados por propaganda anti-petista em jornais, TVs, rádios, revistas e portais da internet.

    SIMPLIFICAÇÃO: O que vamos assistir neste domingo nada tem a ver com a luta contra a corrupção. Trata-se da luta pelo poder – no caso da oposição, da luta dos que sempre estiveram envolvidos na corrupção, dos que nunca permitiram que a corrução fosse investigada, dos que não tiveram votos suficientes para serem eleitos em 2002, 2006, 2010 e 2014 e agora querem pegar um atalho na história para voltar ao Palácio do Planalto, e obviamente continuar operando com seus esquemas de corrupção.

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    Michel Temer será um presidente sem legitimidade, terá chegado ao poder por meio de trapaça nas regras do jogo.
    ( as regras estão na constituição e estão sendo seguidas a risca )

    O que explica o ódio contra Dilma, uma presidente incompetente mas honesta, e a indiferença com o figura de Eduardo Cunha, detentor de contas não declaradas na Suíça, cujos recursos foram congelados por fortes suspeitas de terem sua origem em propinas da Petrobras?
    ( Super honesta, por favor, não se engane e nem tente enganar seus seguidores )

    O nome do impeachment é golpe de estado.
    ( isto é de fato uma opinião SUA ? Que frase original ! )

    Neste domingo, o que está em jogo não é o combate à corrupção, mas sim a frágil democracia do Brasil.
    ( Definição de Democracia: governo em que o povo exerce a soberania. 80% da população quer a Dilma fora )

    • Prezado Pedro
      Não concordamos em nada, mas isso não é problema. Não vou tentar desqualificar sua opinião. Mas não posso deixar de dizer que sua definição de democracia, exposta no final do texto, está errada. Não é porque “80% da população” (onde você tirou este dado?) quer a saída de Dilma que torna o impeachment válido. Se fosse assim, teríamos de implantar a pena de morte no Brasil, por exemplo. Democracia é o exercício da soberania do povo, como você diz. Lembre-se então que 54 milhões de pessoas, a maioria dos leitores, votou em Dilma em 2014. Democracia é o exercício da soberania somado ao respeito pelas regras do jogo, ou seja, pela Constituição. Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe contra o voto direto.

      • Caro Lucas Figueiredo,

        Primeiramente gostaria de dizer que admiro muito o seu trabalho.
        Segundo que também tenho uma ideologia de esquerda. Não sou coxinha🙂.

        Mas vamos lá. Você diz:
        “Democracia é o exercício da soberania somado ao respeito pelas regras do jogo, ou seja, pela Constituição.”

        Ontem, 20/04/2016, 3 ministros do STF declararam enfaticamente que:
        1- As regras do jogo estavam sendo seguidas a risca.
        2- Não existe nenhum tipo de golpe.
        Eu acho que para se falar em REGRAS, devemos ser humildes e ouvirmos os especialistas, não é verdade?

        Celso de Mello – Ministro do STF:
        “É um gravíssimo equívoco falar-se em golpe. Falar-se em golpe é uma estratégia de defesa que até o presente momento, ficou claro no julgamento plenário do Supremo, estou dizendo a partir do que nós juízes dissemos nos julgamentos ocorridos, é um grande equívoco reduzir-se o procedimento constitucional do impeachment a figura do golpe de Estado. Agora, há um equívoco quando afirma que há um golpe parlamentar, ao contrário.”
        “O fato é que a Câmara dos Deputados respeitou os cânones estabelecidos na Constituição, o procedimento preliminar instaurado na Câmara dos Depurados, isso o Supremo Tribunal Federal, pelo menos duas vezes, em julgamento público, esse procedimento mostra-se plenamente compatível com o itinerário que a Constituição traça a esse respeito”, afirmou.
        “Há um equívoco quando [Dilma] afirma que há um golpe parlamentar, ao contrário. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, deixou claro que o procedimento destinado à abertura do processo de impeachment observa os alinhamentos ditados pela Constituição da República”.
        “Ainda que a senhora presidente da República, veja, a partir de uma perspectiva eminentemente pessoal a existência de um golpe, na verdade, há um grande e gravíssimo equivoco, porque o Congresso Nacional, por intermédio da Câmara dos Deputados, e o Supremo Tribunal Federal, deixaram muito claro que o procedimento destinado a apurar a responsabilidade política da presidente da República, respeitou até o presente momento, todas as fórmulas estabelecidas na Constituição”

        Gilmar Mendes – Ministro do STF:
        “Eu não sou assessor da presidente e não posso aconselhá-la. Mas todos nós que temos acompanhado esse complexo procedimento no Brasil podemos avaliar que se trata de procedimentos absolutamente normais, dentro do quadro de institucionalidade. Inclusive as intervenções do Supremo determinaram o refazimento até de comissões no âmbito do próprio Congresso Nacional, da própria Câmara, [o que] indica que as regras do Estado de Direito estão sendo observadas”

        Toffoli – Ministro do STF:
        “Falar que o processo de impeachment é um golpe depõe e contradiz a própria atuação da defesa da presidente, que tem se defendido na Câmara dos Deputados, agora vai se defender no Senado, se socorreu do Supremo Tribunal Federal, que estabeleceu parâmetros e balizas garantindo a ampla defesa. Portanto, alegar que há um golpe em andamento é uma ofensa às instituições brasileiras, e isso pode ter reflexos ruins, inclusive no exterior, porque isso passa uma imagem ruim do Brasil. Eu penso que uma atuação responsável é fazer a defesa e respeitar as instituições brasileiras e levar uma imagem positiva do Brasil para o mundo todo, que é uma democracia sólida, que funciona e que suas instituições são responsáveis”

        Você diz:
        “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe contra o voto direto.”

        Nesta frase está sendo afirmando indiretamente que não houve crime de responsabilidade.
        Mas veja, justamente de acordo com as REGRAS DO JOGO, quem tem que julgar este mérito é o poder legislativo.
        Esta são as REGRAS DO JOGO, estas são as REGRAS DO IMPEACHMENT, não só no Brasil, como nos EUA e em diversos países.
        É o poder legislativo quem efetua o julgamento político de acordo com rito determinado pelo STF.

        A Dilma teve 54 milhões de votos. Os deputados tiveram 94 milhões de votos. Uma das atribuições dos Deputados (e Senadores) é justamente esta: “julgar o presidente nos processos de Impeachment”.

        A democracia é complexa e cheia de detalhes, não dá para se analisar por cima.

        Deveria haver no Brasil o Recall para políticos. Da mesma forma que elegemos nosso presidente, não faz sentido não termos o poder de destituí-lo. Se houvesse este recurso, certamente a Dilma já teria sido afastada. 54 milhões de pessoas votaram na Dilma, mas se as eleições fossem agora será que ela teria 27 milhões ?

      • Caro Pedro
        Nosso debate está muito interessante!
        Existe uma grande diferença entre legalidade e legitimidade. Proponho um exercício hipotético: um deputado apresenta na Câmara um projeto dizendo que, no Brasil, 1 + 1 = 3. Esse projeto passa na CCJ, obtém a maioria no plenário da Câmara e depois é aprovado no Senado e sancionado pelo presidente da República. Um matemático recorre ao Supremo dizendo que 1 + 1 = 2. O Supremo não irá se debruçar sobre a conta matemática, mas apenas julgará se o processo cumpriu todos os requisitos legais. E se os requisitos foram cumpridos, não há por que duvidar que, legalmente, 1 + 1 = 3. Porém… a decisão irá carecer de legitimidade.
        O impeachment de Dilma é legal, mas não é legítimo. E um golpe branco.
        Sobre a ideia do recall, esse instrumento é previsto no parlamentarismo, mas não no presidencialismo. Eu preferia que tivéssemos um sistema parlamentarista, pois assim um governo fraco como o de Dilma teria o voto de desconfiança do Congresso e cairia – de forma legal e legítima – sem causar crise política. É o que acontece em vários países da Europa. Porém, o Brasil tem um sistema presidencialista.
        A regra do impeachment impõe que o presidente tenha cometido crime de responsabilidade e não que o país viva sob um governo corrupto, incompetente e que não tenha forças para sair de uma grave crise política e econômica. Esse cenário acontece hoje, mas já aconteceu antes. Em 1997, parlamentares foram comprados para aprovar a emenda da reeleição (isso é fato provado com depoimentos gravados e publicados pela Folha de S.Paulo, que ganhou o prêmio Esso naquele ano com a reportagem). Será que o grande beneficiário do projeto, FHC, não tinha conhecimento disso, como hoje acusam Dilma de ter conhecimento da roubalheira na Petrobras para alimentar o PT? Pois bem, depois de comprar deputados para mudar a Constituição e permitir a FHC que disputasse um segundo mandato consecutivo, o governo do PSDB entrou uma profunda crise econômica, o dólar chegou a bater R$ 6 (em valores corrigidos), o desemprego chegou a 12% (hoje é 10%) e o Brasil precisou mais uma vez recorrer ao FMI para pagar suas contas. Na época, o PT levantou a bandeira “fora FHC”. O que acho disso? A proposta petista era irresponsável, era golpista. FHC não tinha cometido crime de responsabilidade.

      • Caro Lucas,

        Pelo que colocou, você concorda que há LEGALIDADE mas não há LEGITIMIDADE no Impeachment da Dilma.

        Mas vamos lá…

        Definição de Golpe de Estado: “Golpe de Estado é derrubar ILEGALMENTE um governo constitucionalmente legítimo.”

        Pela definição, trata-se de LEGALIDADE e não de LEGITIMIDADE.
        Portanto, segundo a definição, o Impeachment da Dilma não é um Golpe de Estado.

        Mas vamos focar na LEGITIMIDADE…

        1 + 1 = 3 -> É obviamente falso
        Pedaladas Fiscais e Decretos de Crédito Suplementar são Crime de Responsabilidade ? -> É uma questão complexa

        Quem sou eu ou você para julgar um mérito tão complexo ?
        Eu analisei cuidadosamente o caso. Tenho mais de 10 argumentos para ter certeza que sim: houve Crime de Responsabilidade.

        Ao afirmar enfaticamente:
        “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe !”

        Você está se afirmando indiretamente que não houve crime de responsabilidade.
        Mas veja, como se pode afirmar categoricamente que não houve crime de responsabilidade quando tudo indica o contrário. É uma falácia, uma retórica desonesta, o que é especialidade do PT.

        Por que os Deputados são Golpistas ?
        – Porque deveriam avaliar o caso com imparcialidade e foram parciais ?
        – Alguém do PT avaliou detalhadamente se houve ou não “Crime de Responsabilidade” antes de votar NÃO ?
        – O Lula, tentando comprar votos contra Impeachment, estava tendo uma postura favorável ao julgamento imparcial ?

        Seria uma TOTAL UTOPIA achar que algum político do PT iria avaliar minuciosamente o caso e votar SIM, não é verdade ?

        Tanto no Brasil, EUA, como na maioria dos países democráticos o Impeachment é feito através de um Julgamento Político e não Jurídico. Esta é a Regra dos Regimes Democráticos. Isto é Democracia. O povo escolhe o presidente e também escolhe os deputados e senadores para julgarem o presidente em casos de Impeachment.

        Mesmo assim veja…

        Os deputados não são quem fazem o julgamento final, quem julga são os senadores. Eles apenas verificam se há indícios suficiente ou não para dar continuidade ao processo.
        Por acharem que há indícios devem ser chamados de Golpistas ?
        Deveriam simplesmente engavetar o caso ?

        Quem são exatamente os Golpistas ? O Cunha ? O Temer ? Todos os deputados que votaram a favor do Impeachment ?
        Não existe nenhum golpista, não existe golpe. Esta retórica é apenas uma tentativa de vitimização do PT.

        No Brasil é muito difícil ocorrer Impeachment pois:
        1- Fica exclusivamente na mão do Presidente da Câmera aceitar o pedido de Impeachment. Se o Presidente da Câmera for do governo e quiser engavetar, já era. O Cunha deveria ter engavetado ?
        2- Os deputados têm que aprovar com 2/3. Em alguns países basta 1/2. Os deputados deveriam ter engavetado, mesmo havendo fortes indícios de Crime de Responsabilidade ?
        3- Os senadores têm que aprovar com 2/3. Em alguns países basta 1/2.

        Em um país onde 50% dos deputados são Centrão, e ficam sempre do lado do governo, é quase impossível haver Impeachment.
        O Centrão só abandona o governo quando a impopularidade chega ao extremo, como chegou.

        Resumindo, para sofrer um Impeachment no Brasil o presidente tem que chegar ao extremo da incompetência, da impopularidade, da falta de articulação política, e além disto ainda cometer um delito que possa ser julgado de Crime de Responsabilidade.

        O PT destruiu o Brasil, este processo de Impeachment é uma pequena luz de esperança no fim do túnel que se acende.

      • Pedro
        Para mim, o Google não é parâmetro para definir nada. É apenas uma ferramenta de busca.
        Vejamos a definição de impeachment do Dicionário Michaelis: “Processo político-criminal que se instaura contra o presidente da República, qualquer governador, ministro do Supremo Tribunal ou procurador-geral da República, com o fim de impor-lhe a pena de destituição do cargo, por delito de responsabilidade resultante da infração de deveres funcionais em prejuízo dos interesses da Nação.” Ou seja, o impeachment é sim um processo político, mas calcado em bases criminais. Exige um “delito de responsabilidade”, ou seja, um gesto pessoal que seja caracterizado como crime.
        No meio jurídico e intelectual, há homens notáveis que consideram que Dilma cometeu crime de responsabilidade, mas há também homens notáveis (que nunca foram petistas) que dizem o contrário. Eu me alinho ao segundo grupo.
        Por favor, não tente solapar nosso debate jogando a mim e aos que pensam como eu na cova rasa dos desonestos (refiro-me aos termos que você emprega como “falácia” e “retórica desonesta”).
        O golpe é calculado. O processo do TSE, por exemplo, que poderia cassar Dilma e Temer já está sendo desinflado. Sabe por quê? Porque não interessa a oposição cassar Temer e fazer eleição agora, pois Lula e Marina seriam candidatos fortes. Ou seja, é preciso tirar o PT do poder, mas é possível conviver com Temer (citado nominalmente na Lava Jato por delatores) e é desejável poupar Eduardo Cunha, apesar de suas contas recheadas de pixulecos na Suíça, pois só ele tem força para levar o impeachment adiante.
        A atual onda anticorrupção é seletiva, tanto no meio criminal quanto no político. O que os golpistas querem é tirar o PT a todo custo, e só.

    • Leonardo Dantas

      Avaliar a popularidade do governo Dilma como índice de democracia já é acreditar que a opinião pública vem sendo formada sem interferências brutais da grande mídia ( Globo, Veja, Folha ) a qual vem fazendo a população acreditar que, absolutamente “tudo de mal” no país é de responsabilidade do governo federal, quando, na verdade, ha grande parte de responsabilidade na atuação da oposição e na situação econômica mundial. Aí já é forçar demasiadamente a “barra”..

      • Leonardo,

        Culpar a “situação econômica mundial” não faz nenhum sentido pois a crise brasileira é destaque mundial. Estamos na lanterninha em praticamente todos os indicadores econômicos.
        A crise mundial foi em 2008 e os países, de um modo geral, conseguiram se recuperar muito bem.

        Eu também sou contra a imprensa tendenciosa, mas a impopularidade da Dilma é principalmente pela gravíssima crise que o país se encontra.

      • Sem falar é claro da corrupção sempre ocorreu mas nunca numa proporção tão absurda e com consequências tão desastrosas como agora.

  5. Anônimo

    Infelizmente poucos estudam História…. É uma lástima,
    infelizmente é a realidade, mas o importante é lutar contra ela. Quem ajuda o mais fraco, buscando a igualdade, realmente sofre, mas a Presidenta Dilma já sabe disso, não é a primeira vez que ela é sacrificada pelo Direito de todos.

  6. Luciano

    Lucas,

    Nossa democracia nao e fragil, temos eleicoes diretas desde 1984, ja retiramos um presidente corrupto e estamos caminhando pra retirar outra…eh frustrante saber que ela nao eh a unica e que mais da metade dos que votaram ontem nao sobreviveriam uma investigacao leve….A Dilma achou que era acima da lei e a justiça tem evidencia suficiente pra afasta-la, legalmente, segundo processo estabelecido pela constituicao.
    Ela e o unico motorista que o radar pegou na estrada cheia, mas e um bom comeco…

  7. EXCELENTE TEXTO, PARABÉNS LUCAS!
    PROCURAREI, DAQUI PRA FRENTE, LER OS ESCRITOS DE VOCÊ!
    PERMITA-ME, RESPEITOSAMENTE, QUESTIONAR DOIS PONTOS
    O CORRUPTO NÃO É SOMENTE AQUELE QUE DESVIA DINHEIRO PÚBLICO PRA ALIMENTAR SEU PRÓPRIO BOLSO; É TAMBÉM QUEM DESVIA DINHEIRO PÚBLICO PRA FINANCIAR UMA CAUSA OU UM PARTIDO POLÍTICO
    ACREDITO QUE DILMA NÃO PEGOU UM CENTAVO QUE SEJA PRA SI PRÓPRIA
    MAS PASADENA FOI USADA PRA FINANCIAR PLANOS DO PT
    IMPOSSÍVEL QUE ELA NÃO SOUBESSE!!
    OUTRO PONTO
    A LAVA JATO COMEÇOU INVESTIGANDO UM FOCO ESPECÍFICO E DAI PRA FRENTE TUDO QUE TIVESSE RELAÇAO DIRETA COM O FOCO
    HA PELO MENOS 12 ANOS O PT TINHA O DOMINIO DA PETROBRAS
    NATURAL QUE QUASE TODOS OS ENVOLVIDOS SEJAM – OS POLITICOS – DO PARTIDO
    NÃO É PORQUE O PT ROUBA HOJE E TA SENDO INVESTIGADO QUE O MORO VÁ INVESTIGAR OS ESCANDALOS DA PRIVATARIA DO FHC
    O FOCO É OUTRO
    ACHO PRIMARIO QUESTIONAR
    PORQUE INVESTIGAR AS FALCATRUAS SÓ DO PT
    E NAO TAMBÉM AS DO FHC?
    ORA, AS FALCATRUAS DO PT AGORA FORAM DESCOBERTAS E SAO O CENTRO DA LAVA JATO
    POR AÍ GRANDE ABRAÇO

  8. Pingback: O show de horrores da Câmara em 7 charges e poucas palavras | blog da kikacastro

  9. Frederico Lima

    Olá Lucas, gostei do seu texto. Tenho evitado postar comentários nas redes pois, além de ser um tanto incompetente tecnologicamente, prefiro o bom e velho debate tête-a-tête. Me sinto confortável em colocar aqui minha opinião, pois não votei em Dilma e não votaria hj tão pouco.
    Apesar de minha orientação de esquerda não creio vê-la representada pelo pt dos dias de hj. Vejo neste impeachment um remédio usado sem o devido cuidado com os efeitos colaterais. Que o Brasil está doente creio que não há dúvidas, mas optar por uma “solução” imediatista e inconsequente é no mínimo irresponsável. Diante de tamanhos debates e opiniões, sabemos tb, não precisa ser jurista para saber isto: na duvida – pro réu! O silêncio não pode ser a opção neste momento tão nevrálgico. Creio que todos temos nossos engajamentos, ideologias e interesses, mas tomar uma atitude focando a parte e ignorando o todo é priorizar a conjuntura em detrimento das consequências estruturais que nossas ações causarão a curto, médio e longo prazo. A solução dada para um problema não pode ser causadora de um problema ainda maior. É com vejo o processo de impeachment, principalmente como e por quem ele está sendo conduzido. Enfim, fica aqui minha opinião, não tendo a pretenção de desqualificar a de quem quer que seja. Sei que nenhum texto é imparcial, pois não podemos nos passar de nossa subjetividade. Espero que a maturidade e o diálogo possa nos conduzir a uma troca saudável e construtiva, dialética e representativa, pode ser uma utopia, mas é o que mais desejo neste momento

  10. Anônimo

    Espero que tenha recebido por esta merda
    Faltou vomitar não vai ter golpe

    • Vai ter golpe, infelizmente. Mas, depois, vai ter luta!

      • jacyntho

        A impressão que tenho é que os cidadãos bem intencionados e incorruptíveis, vendo um Congresso de Homer Simpson’s como vimos ontem, pensam assim: “Eu até quero fazer alguma coisa pelo meu país, mas como? se pra fazer alguma coisa eu tenho que me misturar a essa gentalha??? Uma classe mal falada, mal vista e agora, comprovada publicamente ser analfabeta. Dá uma tristeza! um sentimento de impotência e desesperança colossais! O que fazer????

      • Vai ter luta mesmo ? Que tipo de luta, armada, política, ideológica ? Você acha mesmo que o exército vermelho vai ganhar do verde e amarelo ? Este discurso de guerra só serve para trazer desarmonia. Nossa luta tem que ser Contra a Crise, contra a fome, desemprego. Nós, de verde e amarelo, queremos o bem do Brasil. E vocês ?

      • Não acredito essa dicotomia “nós e vocês”. Escrevi um livro sobre a corrupção no PT. Sou coxinha? Defendo que o impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. Sou petralha? Como posso ser coxinha e petralha ao mesmo tempo?
        Não há cabimento em pensar numa luta armada hoje. Eu, pelo menos, não quero guerra. Mas certamente haverá uma luta, aliás essa luta é antiga: a luta pela implantação de uma democracia plena no Brasil, por um país de fato republicano. Estou nessa fileira faz tempo e pretendo continuar.

    • Anônimo

      Caro anônimo, é lisonjeiro saber q vc acredita q esta opinião seja digna de pagamento. Longe disto! Não é com o ódio e a depreciação da opinião do outro que construirá um país melhor para nós, incluindo vc, morarmos.
      Abs

  11. Fico feliz em ler seu posicionamento. Sou um fã de seus livros e sempre recomendo “O Operador” para que as pessoas possam compreender um pouco mais sobre o grau de corrupção que existe em nosso país. As informações sobre as guerras por licitações, ex-agentes da ABIN e todo o resto são chocantes. No aguardo de “Tiradentes”.

  12. Cleinaldo Simões

    Lucas, a admissibilidade para o processo do impeachment que acaba de ser aprovada é exatamente o que você analisou. Infelizmente, a política em nosso país eh isso. A conta será cobrada, será alta.

  13. Anônimo

    Parabens pelo texto. Verdade seja dita.

  14. Anônimo

    Boa tarde a todos, so acho que deveríamos ter uma reforma política urgente, uma mudança na constituição,e diminuir muiitoo nos cargos políticos nos salários e acabar com mais da metade dos partidos. Não da nem para citar tudo o que tem que acabar, pois e muita palhaçada em nosso país e muitas regalias, acho que não vai ocorrer o impeachment, pois não tem nada comprovado, então temos que engolir a má administração do governo atual. So lembrando que sou contra todos os partidos de nosso país. Muito obrigado a todos!

  15. Anônimo

    Quanta baboseira. Li tudo até o final e achei perda de tempo. Nem texto nem respostas inteligíveis, não acrescentou nenhuma nova e boa discussão. E definitivamente, o texto não é neutro.

  16. Anônimo

    Prezado Lucas Figueiredo, concordo com quase tudo que você traz no texto, inclusive quando afirma que o PT se apropriou do esquema de corrupção que existia no período FHC. Na minha visão, a corrupção que nos aflige é um fenômeno comum a qualquer agrupamento humano, por mais nobre que seja a sua finalidade. E não são ações espetaculosas que irão remediar esse grave problema. O combate eficaz seria aquele gradativo, que vai aperfeiçoando os mecanismos de controle, a transparência, e que desenvolve um sistema punitivo equilibrado, imparcial e eficaz.

    Há muitos tipos de corruptos, e não apenas um. O que mais choca, sem dúvida, é o modelo Eduardo Cunha, totalmente insensível ao sofrimento alheio, um psicopata. Há também aqueles que preferem não enxergar a dor que causam ao semelhante, mas que, quando confrontados com a realidade, são capazes de arrependimento, passíveis de recuperação. Seja como for, contra todos eles o que pode funcionar é a existência de um sistema político sadio, uma administração pública profissional, com um mínimo de cargos em confiança, uma imprensa combativa, desconcentrada e com espírito democrático, a existência de mecanismos de controle interno e externos bem aparelhados e sujeitos a controles cruzados.

    Quando disse que concordava com quase tudo que você escreveu, o que quis ressalvar foi a severidade de seu julgamento para com Lula, principalmente em relação ao triplex em Guarujá e ao sítio em Atibaia. Embora possa ter havido descuido ético na relação mantida com as empreiteiras envolvidas nesses casos, principalmente OAS e Odebrecht, nada está a indicar que tenha existido o cometimento de qualquer crime por parte de Lula, segundo penso. Aliás, diante da busca desesperada em criminalizá-lo levada a cabo nesses últimos anos, seria capaz de defender que, diante das circunstâncias e do que até agora foi revelado, ele está bem acima do nível de nossos políticos. E ainda teve o mérito de, minimamente, ter combatido a pior das corrupções: a miséria.

    Um forte abraço,

    Ricardo Aguiar de Arruda

    PS: caso você não se recorde, jantamos juntos em Fortaleza, com a presença de Cláudio Fonteles, Leonardo Resende e de meu pai, Manuel Aguiar de Arruda. Você nos brindou com uma palestra no seminário Direito à Memória e à Verdade. Quando passar por Fortaleza, será um prazer revê-lo.

  17. Marta Azevedo

    Texto brilhante! Tomara que o povo brasileiro fique realmente atento e pare para pensar!

  18. A justiça se desmonta por ela própria, não necessita de um ou uns artigos para desmontá-la…

  19. O que me entristece, é ver a conveniência de Moro em divulgar a intenção de finalizar a lava-jato em dezembro. A minha leitura é, vence o Temer a lava-jato termina e o Moro afirma que havia declarado antes, quando Temer ainda não estava no poder… uns dez dias antes… tudo tão conveniente

  20. Marco Brasil

    Apesar de muito bem redigido, este artigo tem por finalidade a mesma pratica feita contra a justiça na Itália quando das operações contra a corrupção naquele país, que em alegações como está contra a justiça teve por finalidade apenas desconstruir a justiça e a promulgação de leis que cercearam a justiça e as investigações.
    Não se deixem enganar, temos muitos corruptos e corruptores a encarcerar, mas desqualificando a justiça que aí se encontra e que tem feito muito por este país, não é o caminho.
    O STF não deve ser um cabide para presidente algum, deveria ser a última fronteira de sobriedade e moral de um país, para tanto que seja composta unicamente de juízes de carreira, tem vínculo apenas com a constituição e as leis vigentes.
    Não nos deixemos enganar e não deixemos a justiça ser desmontada por alegações como a deste artigo obviamente direcionado é porque não dizer, ParTidário.

    • Prezado Marco
      Poderíamos debater, se quisesse. Mas você prefere outro caminho, prefere me desqualificar. Na sua opinião, todos que são contra o impeachment são do PT?
      Att
      Lucas Figueiredo

  21. Stela Araujo

    Excelente texto, mas a meu ver, com alguns pontos a esclarecer sobre a lavajato: 1) há crimes de outros governos que já estão prescritos, prá que investigá-los se não pode haver punição? 2) a lavajato não denunciou apenas pessoas vinculadas ao PT; 3) políticos tem foro privilegiado, não compete ao juiz Sergio Moro conduzir processos contra eles. Essa cobrança é para o Supremo!
    Por último, você acha realmente que a Presidente nunca soube das falcatruas na Petrobras e qual era a principal fonte dos recursos das suas campanhas?

    • Cara Stela
      Comento as questões que você levanta:
      1) A Lava Janto não quis investigar Furnas, por exemplo, apesar de vários delatores citarem a ocorrência de corrupção sistemática na empresa. As denúncias se referiam a uma diretoria de Furnas comanda por Aécio Neves, que foi governador de Minas de 2003 a 2014. Se crime houver, não está prescrito;
      2) A Lava Jato mirou o PT e os partidos da base do governo. E os partidos de oposição?
      3) Moro sempre manobrou para não enviar para o STF casos que envolviam suspeitas sobre autoridades com foro privilegiado. O ponto máximo disso foi o grampo que gravou conversa entre Lula e Dilma. O grampo foi feito depois de o próprio Moro ter mandado suspender as gravações, portanto não era legal. O que fez Moro? Destruiu a gravação ilegal? Mandou para o STF (afinal, Dilma tem foro privilegiado)? Não! Preferiu vazar para a imprensa.
      4) Não há dúvidas que a corrupção grassa no governo Dilma, assim como aconteceu nos governos Lula, FHC, Itamar, Collor, Sarney… Poderia apostar que grassa também em todas as prefeituras e todos os governos estaduais do país, afinal a corrução no Brasil é endêmica. Ocorrência de corrução no governo não pode ser condição para impeachment. Caso haja prova de que Dilma sabia e se locupletou, impeachment nela. Mas essa prova não existe, pelo menos não hoje, dia da votação do impeachment. Portanto, temos de engoli-la. Esse é o preço da democracia.

      • Anônimo

        Mas não foram enviadas denuncias envolvendo o Aecio e o Anastasia, que o Supremo arquivou? Acho um desserviço ao Brasil cobrar do Juiz Sergio Moro a apuração de toda a corrupção do país! Quanto à Dilma, minha opinião é de que é impossível que ela não soubesse, o que, prá mim, coloca em dúvida a honestidade dela. Se é motivo ou não de impeachment, é outra história.

      • Mas o que está em jogo no dia de hoje é se a Câmara dos Deputados aceita ou não a abertura do processo de impeachment. Nada tem a ver com corrupção. O motivo alegado são as pedaladas.

  22. Antonii

    1) moro está focando primeiro em quem está no poder. Depois investigará os governantes anteriores, e se não fizer isso com certeza será cobrado.
    2) o maior erro de Dilma sempre foi o de PERMITIR corruptos assumidos a sua volta e deixar que eles roubassem. O que eu acho pior do que o ato de corrupção em si.
    3) se não houver mudanças o país não aguentará mais 3 anos de desgoverno Dilma. Se Michel errar tiramos ele também. O povo não aceita mais incompetência e corruptos de qualquer partido… a economia para crescer precisa de credibilidade, e isso meu amigo Dilma com suas mentiras não tem mais…

  23. Leo Cunha

    Esse texto tinha que ser lido em todas as escolas do Brasil, pra começarmos uma reflexão sem fanatismo sobre a corrupção.

  24. Anônimo

    pensei que fosse um pouco mais lucido… Dilma honesta? affffff…… porque petista tem sempre esse tampao no olho? sabe fazer conta? se vitimizar é unica solução, ou igualar todos.. todos fazem, o pt nao pode? quem fica com unico poder durante 14 anos, sem alternancia, não é muito mais corrupto? sim, politicos vivem mesmo “esquema” mas a organização criminosa é petista…

    • Prezado anônimo
      É fácil fugir do debate acusando-me de petista. Eu prefiro o debate. Por exemplo, estou aberto a escutar seus argumentos para chamar Dilma de corrupta.
      Att
      Lucas Figueiredo

      • Anônimo

        Ter sido eleita com dinheiro desviado de estatais é um bom motivo para chama-los de corrupta.

        Fernando Amorim

      • Esse é o tema de um processo que corre no TSE. Hoje, na Câmara, o que vai ser votado é se Dilma deve ser apeada do poder por causa das pedaladas fiscais.

    • Marcio Clemente Senger Buzetti

      O Brasil foi descoberto em 1.500. Portanto tem 516 anos de história. Você acha que só os 14 anos do Pt são responsáveis pela corrupção. E os outros 502 anos não tem responsabilidade nenhuma. Abra tua mente. Use a inteligencia.Pense, pense e pense. Faça uma reflexão. Conheça nossa história………..

    • Anônimo

      Anônimo…. sem fundamento algum seus argumentos! Raso como qualquer anônimo

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