Está sobrando tempo (e faltando trabalho) à ministra Iriny

Não adianta procurar, ministra Iriny, aqui a senhora não vai encontrar nenhum pelo

Não há dúvida: está sobrando tempo (e faltando trabalho) à ministra Iriny Lopes, titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Depois de tentar tirar do ar um anúncio de lingerie, que pode ser bobo, mas está longe de ser um atentado aos direitos da mulher, Iriny agora quer dar palpite (por meio de um ofício com papel timbrado e tudo) na novela das 8 da TV Globo. A ministra sugeriu que, em Fina estampa, Celeste abandone sua condição passiva e dê queixa de Baltazar, de quem apanha, à Rede de Atendimento à Mulher, um serviço coordenado pela pasta de Iriny.

Já pensou se vira moda ministros (são 37 ao total) ligarem para a Globo para pedir, em ofício com papel timbrado, que a trama da novela das 8 se alinhe às políticas públicas federais?

Esses dois gestos patéticos de Iriny nos remetem a algumas perguntas. Será que o governo federal precisa mesmo de uma Secretaria de Políticas para as Mulheres, que tem status de ministério? Será que precisa de uma Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que também tem status de ministério. Será que precisa de um Ministério da Pesca e Aquicultura?

Acredito que não. Cabides de emprego como esses, que atendem à turma da boquinha, servem apenas para sugar o dinheiro do orçamento. Dinheiro que falta na saúde, na educação, nos transportes…

Melhor seria um ministério mais enxuto e eficiente.

Anúncios

14 Comentários

Arquivado em Política

14 Respostas para “Está sobrando tempo (e faltando trabalho) à ministra Iriny

  1. Carlos O. Silva

    Caro e caríssimos,

    Achei de um extremo maxismo e racismo a conclusão que chegou, Lucas Figueiredo. Além de tudo, você desqualifica alguns ministérios, como se houvessem pastas mais importantes do que outras. Não vê que existem demandas da sociedade e da luta de muitos para, por exemplo, que a secretaria das Mulheres e da igualdade racial estejam presentes no debate, com objetivo de criação de políticas públicas. Lamentável, com todo respeito. Sobre a ação da referida ministra Iriny, não vejo desmérito, pelo contrário. Mostra que existe atenção e preocupação com a questão da representação do comportamento feminino na mídia. Televisão, que não podemos nos esquecer, é uma concessão pública e deve, portanto, colaborar na construção da democracia. Não podemos ser tão simplistas, misóginos e deixar de combater o racismo.

    • Prezado Carlos
      Mais uma vez eu digo: não critico que o governo tenha políticas para combater o racismo e o direito das mulheres. Tais políticas são obrigação de todo e qualquer governo. O que critico é a compulsão de certos governos de criar estruturas demais e políticas de menos. É o caso da Secretaria de Políticas para as Mulheres.
      Em relação à sua “preocupação coma questão da representação do comportamento feminino”, não considero que seja sensato buscar interferir em obras autorais. Caso contrário, seríamos obrigados a combater os livros de Nelson Rodrigues, por exemplo.
      Atenciosamente

  2. Augusto

    Pra ver como é complicado olhar sob apenas um ponto de vista, eu não resisto a lhe provocar com uma analogia:
    “Está sobrando tempo (e faltando trabalho) ao Lucas Figueiredo, para escrever uma critica a algo absolutamente normal e rotineiro na SPM (Secretaria de Políticas para Mulheres)”.
    É claro que não está faltando trabalho a você, e faz parte de sua atividade criticar o que acha que deve, principalmente um assunto que ganhou dimensão polêmica.
    Mas será que suas criticas não estão alienadas da realidade, por não ser mulher, e não acompanhar as demandas femininas?
    Para quem não é ativista, a SPM tem pouca visibilidade, mas neste momento está ocorrendo Conferências Regionais de mulheres em todos os estados (inclusive com apoio institucional dos governos estaduais tucanos). Em dezembro haverá a Conferência Nacional. Dela saem resoluções que representam as demandas das mulheres na sociedade, como saíram nas conferências anteriores. São essas demandas que a SPM tenta atender, e entre elas, mensagens negativas na mídia contra as lutas das mulheres é um desserviço. A SPM não está fazendo nada mais, nada menos do que atender demandas consolidadas pelas mulheres mais politizadas.

  3. Alexandre

    Será que ela também enviou um ofício para a rede record reclamando do tratamento dado às mulheres da Fazenda?
    Outro dia li não me lembro aonde que na fase final da Fazenda sobraram:
    – Uma ex-apresentadora evangélica-porno.
    – Uma ex-prostituta
    – Uma maria chuteira
    – Uma funkeira falsa popuzuda.
    E tudo isso numa rede de tv evangélica.

  4. É,precisar não precisaria se estas questões fossem assuntos tão bem resolvidos que tais ministérios chegassem a ser absurdos,mas se o trem vai de mal a pior com os ministérios,imagine sem. O que acredito é que existem coisas realmente sérias que precisam ser tratadas e resolvidas,a novela é um meio de comunicação de massa que informa e forma muita gente mas não é da alçada da ministra.Tenho certeza de que se ela se esforçar vai encontrar uma maneira de ser relevante e eficiente na luta das mulheres contra a violência.A novela é melhor dexar que os autores resolvam. Abraços,Anna Kaum.

  5. Anônimo

    Putz, uma ministra que se preze não perderia tempo com novela ou pelo menos deixaria isso guardado no íntimo dos seus afazeres… ridícula e desocupada…

  6. Anônimo

    apoiado!!!

  7. Marcelo

    Claro que não rpecisa. Mas como comprar esses apoios sem lhes dar cargo$?

  8. Danilo

    com certeza vão falar q é meu preconceito meu, principalmente machismo. Mas isso q dá criar ministérios desse tipo e ficar colocando mulheres em cargos de chefia. É revoltante ler q uma ministra enviou um documento oficial pra globo pra dar palpite em novela.Só nesse Brazil msm viu, o país de gente mediocre, hipócrita, demagoga.

  9. Gosto muito de suas análises, mas neste particular você errou feio. O machismo faz parte do lixo da história, junto com o racismo. Lutar contra ele de forma alguma pode ser considerado “falta do que fazer”.

    • Caro Allan
      Obrigado pelo seu comentário.
      Por certo, é preciso ter políticas públicas para defender as mulheres e combater o racismo. Só não acho que é preciso dois ministérios para cuidar disso. Assim como não é preciso um ministério para cuidar da pesca (o que não quer dizer também que o setor não merece grande atenção).
      Essas estruturas acabam apenas servindo de prêmio de consolação para quem não conseguiu vaga no primeiro time. Vide a origem dos titulares dessas pastas.
      Abraço.
      Lucas

      • Dada a relevância dos problemas do machismo e do racismo no país, a boa pauta é explicar as obtusas razões pelas quais esses ministérios não são expressivos e são considerados meros prêmios de consolação.

  10. antonio

    concordo totalmente esta ministra deve procurar algo melhor para fazer e o que nao falta no Brasil, todo dia mulheres sao assassinadas, surradas e humilhadas. o Brasil so tem roubalheiras, falta educacao, saude, transporte. Sera que ela nao tem nada melhor para fazer? acho que ela deve preocupar mais com assuntos importantes para o pais e para isso que ela ganha tanto dinheiro do povo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s