Colunista da Folha, Aécio leva bronca da ombudsman do jornal por fazer proselitismo político

Aécio: propaganda, propaganda, propaganda...

Quando, neste espaço, quase dois meses atrás, comecei a chamar a atenção para as platitudes do senador Aécio Neves em seus artigos semanais na Folha de S.Paulo, a guerrilha pró-Aécio na internet (na verdade, um poderoso sistema de propaganda que opera em estilo troll) caiu de pau em cima de mim no Twitter. É do jogo, não reclamo. Sempre soube da dificuldade que o tucano mineiro e Andrea Neves, guardiã-mor do projeto político de seu irmão, tem de receber críticas. Paciência.

Pois bem. Não é que ontem a própria ombudsman da Folha, Suzana Singer, acabou chegando a conclusões muito parecidas com as minhas? O título da coluna dominical da ombudsman já diz tudo: “Propaganda eleitoral gratuita”.

Escreve a ombudsman: “De 11 artigos do ex-governador tucano, pelo menos 6 pareciam discurso de Congresso, com críticas nada originais ao governo federal e promoção de iniciativas de Minas Gerais”. Veja agora o que escrevi no blog no dia 1º de agosto ( Aécio e a Minas de faz-de-conta) e que originou a fúria da guerrilha pró-Aécio: “Já deu para ver a linha que o senador Aécio Neves pretende seguir em seus artigos semanais (às segundas-feiras) na Folha de S.Paulo. Seja lá qual for o assunto, sempre há um comentário do tipo “lá em Minas Gerais é diferente; é muito, mas muito melhor.”

Leia abaixo o texto da ombudsman e tire suas próprias conclusões.

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Propaganda eleitoral gratuita

Suzana Singer, ombudsman da Folha de S.Paulo

Desde que os senadores Marta Suplicy (PT-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG) começaram a escrever na página 2, há mais de dois meses, muitos leitores têm reclamado.
Eles identificam um mau uso de espaço tão nobre. “Fazem propaganda escancarada. Fico até com saudades dos textos apolíticos de José Sarney, apesar de detestá-lo”, escreveu o oceanógrafo Carlos Eduardo Peres Teixeira, 33, do Ceará.
Os leitores estão certos. De 11 artigos do ex-governador tucano, pelo menos 6 pareciam discurso de Congresso, comcríticas nada originais ao governo federal e promoção de iniciativas de Minas Gerais.
“É forçoso reconhecer que a luta fratricida por cargos e espaços de poder se adensou e se institucionalizou, a um custo cada vez maior para o país.” (1/8) “O governo federal do PT conseguiu subverter um dos princípios mais disseminados nos manuais contemporâneos de gestão: fazer mais com menos.” (15/8)
Mas tudo poderia ser diferente se o Brasil prestasse atenção à “tese defendida por José Serra” de reduzir impostos de empresas de saneamento (8/8) ou se adotasse, em segurança pública, “medidas e projetos de Minas Gerais, internacionalmente reconhecidos.” (19/9)
A ex-prefeita petista é um pouco mais sutil, mas não resiste à tentação de adular a Presidência, de propalar seu amor por São Paulo e de espicaçar Gilberto Kassab. Metade dos seus artigos estaria melhor editada na revista “Teoria e Debate”.
“Gosto de sentir o pulsar nervoso de São Paulo, (…) que nos faz perceber uma cidade viva e com gente que se esforça para garantir uma vida melhor para si e suas famílias.” (30/7) Para Marta, a cidade está cada vez menos “competitiva” e não precisava ser assim. Na educação, o atual prefeito deveria olhar mais para os Centros Unificados de Educação (CEUs), de onde ela se lembra do emocionante relato de uma menina de oito anos (20/8), e também precisaria “abrir convênios para novas creches”. Em habitação, seria importante “deslanchar o Minha Casa, Minha Vida” (17/9).
A performance dos dois colunistas não surpreende, estão de olho nas próximas eleições, só interrompem o discurso político de vez em quando para falar de novela, de adoção de criança ou de tecnologia.
A crítica maior cabe à Folha, que deu mais um palanque a quem não precisa. Aécio e Marta são personagens constantes no noticiário de Poder. “O jornal espera que seus colunistas ocupem o espaço dado a eles para divulgar ideias originais e revelar fatos ou ângulos desconhecidos, não para fazer proselitismo nem para defender interesses próprios. Isso é dito no momento do convite e reiterado sempre que possível”, diz a Secretaria de Redação.
A Folha, que já transformou anônimos em interlocutores importantes no debate público, deveria fugir da solução fácil de procurar os representantes dos dois principais partidos do país.
“Assim como se caçam talentos para o futebol (olheiros), o jornal deveria garimpar bons colunistas”, sugere Adilson Minossi de Oliveira, 68, representante comercial, de Porto Alegre. “Tem gente muito melhor por esse Brasil afora”, diz.

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3 Comentários

Arquivado em Mídia, Política

3 Respostas para “Colunista da Folha, Aécio leva bronca da ombudsman do jornal por fazer proselitismo político

  1. Xandão

    Lucas, já falei aqui: acho o Aécio um embuste, como acho o Serra um embuste fabricado pela imprensa paulista. São dois lados da mesma moeda. Uma moeda fraca. Mas a sensação é que você só vê problema em um deles.

    • Xandão
      Como já disse, se você fizer uma busca por “Serra” no blog verá que já fiz muitos posts com críticas a ele. Mas neste momento, Serra está hibernando, quase não dá as caras. Como não tem mandato político, suas ações ficam mais obscurescidas e sua importância, menor. Aécio, ao contrário, ocupa uma vaga no Senado. E desponta como o principal nome da oposição para a eleição presidencial de 2014. Natural portanto que o blog agora se ocupe mais de Aécio que de Serra.
      Abraço.

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