Marcos Coimbra: Folha esconde pesquisa Datafolha favorável a Dilma

Em seu artigo de hoje, publicado em diversos jornais e portais, o sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, faz uma acusação grave contra a Folha de S.Paulo. Coimbra acusa a Folha de esconder uma pesquisa do Datafolha favorável a Dilma.

Leia abaixo.

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O governo e as pesquisas

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Popul

Parece que a imprensa gostou do novo tipo de pesquisa que ela própria criou em junho: a pesquisa ignorada. Acaba de sair a segunda rodada, com trabalhos de campo realizados entre os dias 2 e 5 de agosto. O instituto responsável é o mesmo Datafolha e a pesquisa tem muitas similaridades com a outra.

O mais interessante não é que os resultados de ambas sejam, basicamente, idênticos, mostrando que os níveis de aprovação do governo Dilma são elevados.

A principal semelhança é a indiferença com que foram tratadas, igual àquela que os veículos dedicam às de origem dúbia, que podem até ser divulgadas, mas sem destaque ou comentário.

Como não é assim que os trabalhos do Datafolha costumam ser avaliados, o silêncio deve ter outra explicação. Talvez tenham sido acolhidos desse modo por não mostrarem aquilo que se achava que deveriam apontar.

É, no fundo, engraçado que um jornal mande fazer uma pesquisa ouvindo quase 5,3 mil pessoas (a um preço nada baixo) e a trate como material de segunda. Na edição em que foi divulgada, a notícia estava na primeira página, mas ocupava espaço igual ao do título que dizia que “Os paraguaios são a nova mão de obra das confecções do Bom Retiro” (o que, na melhor das hipóteses, é de interesse puramente paroquial).

É, também, curioso que um novo investimento tenha sido feito tão pouco tempo depois do anterior. Entre a pesquisa de junho, concluída no dia 10, e a de agosto, passaram-se apenas sete semanas, período bem mais curto que o padrão adotado pelo instituto no acompanhamento dos quatro últimos governos: seja nos de Fernando Henrique, seja nos de Lula, o normal havia sido fazer levantamentos a cada três meses (ou mais).

De acordo com a pesquisa, o governo Dilma é considerado “ótimo” ou “bom” por 48% dos entrevistados, taxa igual à de março (47%) e junho (49%).

A presidente bisou o desempenho de Lula em novembro de 2007 (quando foi feito o terceiro levantamento do Datafolha naquele ano), superou o que ele alcançava em agosto de 2003 (que tinha sido de 45%), o de FHC em setembro de 1995 (que fora de 42%) e, de longe, o dele em setembro de 1999 (de apenas 13%, em função da volatilidade da moeda naquele momento), sempre de acordo com o instituto paulista.

Em outras palavras: Dilma está à frente de um governo amplamente aprovado pela população. Somente o consideram “ruim” ou “péssimo” 11% dos eleitores, o que quer dizer que apenas uma em cada dez pessoas está insatisfeita.

Na imprensa, os poucos que discutiram os números ficaram mais preocupados em desmerecê-los que explicá-los, o que se evidenciou no intenso uso de conjunções e locuções que os gramáticos chamam “subordinativas concessivas” (embora, apesar de, não obstante, etc.), em construções como “apesar da crise, ainda desfruta …”, “mesmo com as demissões (de ministros) mantém …”, “48% aprovam apesar …”.

Se os cidadãos vissem o governo através dos olhos da chamada “grande imprensa”, não faria, de fato, sentido que o avaliassem de maneira positiva. A rigor, se o Brasil retratado por ela coincidisse com aquele que a população experimenta na sua vida, o que deveríamos ter era uma inversão nas proporções de aprovação/reprovação.

Ao que parece, não é isso que acontece. O Brasil vivido pela vasta maioria dos brasileiros não tem quase nada a ver com aquele que aparece nessa imprensa.

Sempre se pode dizer que o povo é ignorante e que aplaude o governo porque não sabe de nada. Sempre se pode adotar um tom de pretensa superioridade, de quem acha que a popularidade de Dilma (e de Lula) se explica pelos R$ 10 que o cidadão paga de prestação pela torradeira. Sempre se pode achar que os pobres pensam com a barriga e só os bem nascidos com o intelecto.

O certo é que havia uma expectativa de que Dilma caísse nas pesquisas. Maior que a que existia em junho, quando da “crise Palocci”, pois tudo teria piorado: mais “crises”, mais “desgastes”, mais “preocupações”.

A pesquisa foi encomendada para mostrar a queda e, como não a confirmou, foi para a geladeira. O mesmo destino que teve a antecedente e que terão as próximas.

Até que saia uma em que ela oscile negativamente. Aí teremos o carnaval que vem sendo postergado.


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3 Comentários

Arquivado em Mídia, Política

3 Respostas para “Marcos Coimbra: Folha esconde pesquisa Datafolha favorável a Dilma

  1. Ieda

    Vera Maria, você não viu porque não quis. O problema é que a Folha só deu manchete negativa, e pelo que podemos ver o indicador não se moveu, como você mesma viu!

    Outra coisa: pra que gastar um dinheirão pra fazer uma pesquisa atrás da outra?

    De acordo com a pesquisa, o governo Dilma é considerado “ótimo” ou “bom” por 48% dos entrevistados, taxa igual à de março (47%) e junho (49%). A única coisa que mudou foi que aqueles que consideravam seu Governo ruim ou péssimo passaram de 5% para 12%. O que se presume é que aqueles que votaram em Serra começaram a mostrar a cara. E olha que ainda falta muita gente, já que ele obteve 43,95% do total de votos válidos… Uma pesquisa da CNT apontou empate técnico entre Dilma e Serra apenas 15 dias antes das eleições. Piada!!!

  2. Vera Maria

    Prezado Lucas,

    1) Realmente nao entendi aonde o Sr. Marcos Coimbra e seu instituto, Vox Populi, querem chegar…qual o problema de nao dar uma grande manchete a um indicador que nao se moveu?? Serah falta de assunto do Sr. Marcos Coimbra?
    2)Eh sempre estranho e recorrente suas avaliacoes falando mal dos outros institutos de pesquisa, em especial, se nao avaliam bem o governo.
    3)Por fim, vide avaliacao do CNI/Ibope, divulgada hoje, que mostra queda da avaliacao do governo de 56% para 48%.

  3. Marcos Coimbra não tem vergonha de dizer o que todos já perceberam.

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