Palocci não convence

Palocci ao JN: "nós precisamos acreditar na boa fé das pessoas". Ok, mas cadê as informações de seus negócios?

Na entrevista ao Jornal Nacional de hoje, Antonio Palocci não conseguiu afastar a nuvem de suspeição que paira sobre sua cabeça. O ministro se negou a prestar quatro informações básicas:

1) Quais foram os clientes que em apenas quatro anos (2006 a 2010) pagaram uma quantia inusual no mercado, R$ 20 milhões, por seus serviços de consultoria;

2) Quais os serviços pretados?

3) Quanto cada empresa pagou?

4) Quando os contratos começaram e terminaram?

Nervoso, com o cenho franzido e em alguns momentos com as mãos trêmulas, Palocci se agarrou à suposta legalidade de seus negócios privados. Segundo ele, sua empresa, a Projeto, obedeceu às normas legais e pagou todos os impostos devidos. Ponto final.

Ponto final? Ponto final nada.

Do ponto de vista jurídico, segundo o Supremo Tribunal Federal, Palocci também não cometeu qualquer crime no caso do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Mas do ponto de vista ético e político, ele foi condenado pela opinião pública. Tanto que na época perdeu o cargo de ministro da Fazenda.

Agora, Palocci pede que acreditemos que o grande empresariado nacional e internacional o contratou, a peso de diamante, apenas para dar conselhos e não para traficar influência. Pede também que acreditemos que, apesar de seu histórico de abuso de autoridade, ele não ultrapassou a linha que separa o público do privado. Pode até ser verdade, mas convenhamos, é difícil de acreditar. Por isso Palocci precisa explicar mais.

Mesmo que, na superfície, os negócios de Palocci tenham uma capa de legalidade, é preciso ver se nas profundezas, onde a luz não alcança, tudo foi feito na forma da lei. Afinal, bem sabemos que, no Brasil, as grandes negociatas geralmente são feitas dentro da lei.

Como Palocci é um homem público, cabe a ele o ônus da prova. Não basta dizer que assinou contratos e que pagou impostos. Ele tem de provar que não fez tráfico de influência, e isso só será possível se responder as quatro perguntas do início deste texto.

A postura legalista de Palocci talvez seja suficiente para o Ministério Público e para a Justiça, como já aconteceu no caso do caseiro. Talvez. Mas, no campo político, certamente não bastará.

Pelo visto, como consultor privado, Palocci teve bons advogados a assessorá-lo e é possível que, no campo jurídico, nada tenha a temer. Mas suas mãos trêmulas não enganam: no campo político, por falta de respostas críveis, as coisas continuam muito mal.

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