Nova resenha crítica de Boa Ventura! E um podcast com o autor

Leia abaixo a resenha crítica de Boa Ventura! publicada pelo Histórica e veja também como participar da promoção de sorteio do livro. E ouça aqui o podcast com a entrevista que Gabriel Perboni, editor do site, fez comigo.

xxx

Existem algumas centenas de obras, entre livros e filmes (para não citar HQ, séries de TV e até mesmo peças de teatro tradicionais, encenadas em escolas), que narram a sensacional jornada dos desbravadores que cruzavam os perigosos territórios selvagens que viriam a se tornar os Estados Unidos da América, em busca do famoso ouro da Califórnia. Naturalmente, como todos os leitores do Histórica estão habituados, essa é mais uma daquelas cenas que são muito mais bonitas na tela do cinema, onde o desbravador é mais valente, o ouro é mais farto, as dificuldades são menores e, em alguns casos, os índios nem sangram ao serem exterminados.

Mas ninguém pode negar que a corrida do ouro existiu e é algo a ser estudado devido à enorme influência exercida sobre aquele país. O que poucas pessoas sabem e menos pessoas escrevem a respeito, é que aqui, no nosso Brasil, também houve uma corrida do ouro, muito mais sensacional do que a de nossos colegas do norte e de resultados infinitamente mais importantes, uma vez que, não fosse pela obsessão de descobrir o valioso metal em “suas” terras, os portugueses talvez não tivessem, de fato, colonizado o território que haviam “descoberto” e hoje nossa História seria escrita em outras páginas e, talvez, em outro idioma.

Boa Ventura!, o novo livro do renomado jornalista Lucas Figueiredo, conta com detalhes essa passagem da História do Brasil, mais precisamente entre o fim do século XVII (1697) e o início do século XIX (1810), fase em que, literalmente, se corria atrás do ouro. São 368 páginas que prendem o leitor entre o fascinante mundo da História e a bizarrice do comportamento humano que, pelo bem ou pelo mal, é o que gera os acontecimentos históricos. Para citar um exemplo, sem estragar a experiência da leitura daqueles que ainda não conhecem os fatos, posso citar as lendas que contavam entronizações de reis cobertos de ouro, lagos repletos de riquezas esquecidas e montanhas de prata, entre outras, que eram a motivação que nossos “colonizadores”, forçados ou não a vir para cá, tinham, ou precisavam, para se embrenhar em matas fechadas, correndo o risco de contrair doenças mortais, passar fome mortal ou se deparar com nativos cheios de intenções mortais.

Talvez o fato dos seus rivais espanhóis terem tanto sucesso nas primeiras empreitadas, tenha dado ânimo extra aos portugueses, certamente invejosos das descobertas espanholas no México e no Peru, de onde se levavam navios e navios de ouro e prata tomados dos grandes impérios ali localizados, enquanto aos lusitanos, restava se aliar ou lutar contra nativos que, em sua maioria, viviam na idade da pedra e não davam importância para os metais preciosos.

Figueiredo, que está acostumado a tratar de eventos relativamente recentes de nossa História, não parece ter tido dificuldade alguma para mudar o foco e traça, com maestria, os paralelos entre Portugal e seus rivais da época, principalmente o Reino da Espanha e não deixa de lado os grandes personagens como Martin Afonso de Souza, D. Manuel e tantos outros sem os quais não teríamos essa História para contar.

O livro é recheado de ilustrações de personagens, eventos, mapas e cidades na medida certa, que transportam o leitor para a época sem transformar a obra em uma revista em quadrinhos. Vale ainda citar que todas as fontes são muito bem referenciadas, conferindo grande confiabilidade na informação, fator importante por se tratar de História, não de ficção. Os apêndices também devem ser lidos e apreciados, apresentam diversos mapas da época e fotos de peças fabricadas com o ouro extraído do Brasil. Nessa seção de fotos, o leitor ainda vai poder se surpreender com o torrão de 20Kg, mantido intacto, por milagre ou esquecimento, desde sua extração. A Editora Record produziu uma obra de excelente qualidade, condizente com o conteúdo da mesma. O texto foi impresso em papel Off-White, aquele meio amarelado, muito confortável e agradável para a leitura. Os mapas e fotos dos apêndices estão em Couché Brilhante, muito melhor para apreciar os detalhes de cada imagem.

Ainda sobre o livro, apesar de o tema ser extremamente denso, cheio de personagens, acontecimentos e motivações diferentes, a narrativa é dinâmica e o leitor não se sentirá tentado a deixar o livro de lado para assistir aquele velho filme no estilo Western.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Livro-reportagem, Lucas na mídia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s