Bafometrogate dá voz à oposição a Aécio, que quer CPI em Minas

Aécio: a angústia do centroavante diante da zaga adversária

Nos oito anos de seu mandato à frente do Governo de Minas (2003-2010), Aécio Neves (PSDB) não precisou enfrentar zagueiros. Era blindado pela imprensa local e adulado pela nacional. Dava-se bem com o PT de Lula e, em Minas, mantinha boas relações com a Justiça, com o Ministério Público e com o Tribunal de Contas. E controlava a Assembléia Legislativa.

Alguma coisa começa a mudar.

Desde que estourou o Bafometrogate, a oposição a Aécio em Minas vem encontrando brechas para fazer… oposição. Formado neste ano por deputados estaduais do PT, PMDB, PCdoB e PRB, o bloco Minas Sem Censura – nome que mira o calcanhar de Aquiles de Aécio – conseguiu uma visibilidade até então inédita para as ações de oposição ao mais forte nome tucano para a eleição presidencial de 2014.

Depois de ganhar espaço nobre no blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, o bloco emplacou ontem reportagem na Folha.com (um dos principais portais de notícias do país) com um título forte: Oposição em MG tenta criar CPI sobre repasses a rádio de Aécio. Pode parecer pouco, mas não é. O nome de Aécio e a sigla CPI numa mesma frase é algo que, para muitos em Minas, soa como blasfêmia.

A oposição a Aécio quer investigar os repasses de verba pública para a Rádio Arco Íris (retransmissora da Jovem Pan em Belo Horizonte), emissora da família Neves da qual Aécio passou a ser sócio após a eleição do ano passado. Em 2010, a rádio recebeu R$ 210 mil de verba do governo mineiro e de suas empresas, oitava maior fatia de publicidade oficial entre as emissoras do Estado. O montante não parece excepcional, tendo em vista que a Jovem Pan é uma das líderes de audiência na capital mineira. Chama menos a atenção o valor e mais a desenvoltura da oposição, que diz ter 23 das 26 assinaturas necessárias para entrar com o pedido de CPI.

Se, conforme os números divulgados pelo Governo de Minas, a verba pública recebida pela rádio de Aécio não parece exorbitante, isso não significa, porém, que não deva ser investigada a emissora – uma concessão pública, não custa lembrar. Aqui mesmo no blog já foram levantadas quatro perguntas relacionadas à rádio que o senador tucano precisa responder:

* Se a emissora pertence à família Neves “há quase 20 anos”, por que só agora, depois da eleição, Aécio se tornou sócio dela?

* Por que antes de Aécio figurar como sócio da emissora seu carro pessoal, o Land Rover que dirigia quando foi pego na blitz, estava em nome da rádio?

* Por que outros quatro carros de luxo, além da Land Rover de Aécio, estão em nome da emissora (um Audi A6, outra Land Rover e duas camionetes)?

* Quem utiliza os carros?

A oposição a Aécio pode não ter conseguido ainda munição suficiente para emparedar o tucano. Difícil também será obter os votos necessários para abrir a CPI numa Assembléia em que o PSDB é hegemônico. Mas, ao mirar a rádio, o Minas Sem Censura mostra que tem pontaria.

Um mês exato antes de Aécio ser parado na blitz, escrevi aqui que o bloco Minas Sem Censura seria uma pedra no caminho de Aécio. Já é.

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