A Comissão da (dolorosa) Verdade nos libertará?

A Revista de História da Biblioteca Nacional publicou em seu site uma excelente reportagem intitulada “Comissão da dolorosa verdade”. Na matéria, a professora da UFMG Heloísa Starling, encarregada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República da coordenação do CD-ROM “Direito à Memória e à Verdade”, afirma que esse tipo de comissão não tem como intenção criar o embate. Mas não doura a pílula. “Vai ser doloroso”, diz ela. “A Comissão da Verdade deverá entrar no coração do horror. No ‘Coração das trevas’”, afirma Heloísa, referindo-se ao livro de Joseph Conrad.

Na opinião da professora, os militares podem ganhar com a comissão. “Quanto mais cedo a discussão ocorrer, e se recuperar a memória dessa época, melhor para os militares. Os primeiros beneficiários são eles. Eles precisam recuperar a sua vocação dentro da democracia, reencontrar a sociedade civil. Esse processo facilita”, argumenta.

Heloísa se mira no exemplo da África do Sul, em que uma comissão parecida conseguiu, de certa forma, unir um país marcado por gerações de segregação racial. “Lá, tanto o agente do Estado, que cometeu a tortura, quanto a vítima se reencontravam no debate. Para ganhar a anistia, o autor da violência tem que assumir, perante a opinião pública, que fez algo errado. Deve ter produzido muito sofrimento, mas deu certo, para uma sociedade que saiu do processo de Apartheid”, diz ela.

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Arquivado em Militares, Política

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