EXCLUSIVO: Guerrilha do Araguaia/4 Documentos inéditos das FFAA

O quarto post da série sobre a Guerrilha do Araguaia exibe documentos inéditos das Forças Armadas que comprovam como o trabalho de inteligência feito pelos militares foi fundamental para abafar o movimento do PCdoB.

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No final de 1972, o Exército patinava no Bico do Papagaio (sudeste do Pará). E não apenas por causa da lama formada pelas chuvas fortes que caíam na região, mas por falta de informações precisas sobre o movimento insurrecional do PCdoB. Em outubro daquele ano, a situação era delicada para os militares. O mau tempo e o fracasso da estratégia de combate obrigaram a força terrestre a retirar suas tropas da região.

O Exército só retomaria a luta um ano depois e, dessa vez, não mais com 3.400 combatentes, mas sim com um grupo de elite formado por 250 homens. Nos doze meses seguintes, a guerrilha seria estraçalhada.

A chave do sucesso do Exército estava no trabalho de inteligência.

Enquanto os combates estiveram suspensos, o Exército realizou um competente levantamento de informações sobre o movimento do PCdoB. Na chamada Operação Sucuri, pouco mais de cinquenta militares, atuando sob disfarce, conseguiram mapear pormenores da guerrilha, como a localização das bases, o armamento e a logística, e as relações dos guerrilheiros com cada moradora da região. A partir daí, informes do Exército que antes fichavam os militantes do PCdoB apenas pelo codinome ou por descrições vagas – tais como “mais ou menos alto” ou “mais ou menos gordinha” – foram substituídos por prontuários com informações completas (nome, endereço, formação acadêmica, militância, antecedentes criminais, grau de treinamento etc.) e repletas de detalhes sobre o biotipo (cor dos cabelos, marcas de nascença, formato das orelhas etc.).

O blog obteve um documento produzido pelo Exército em 1973 que exemplifica o grau investimento da força terrestre na atividade de inteligência. Trata-se de uma caderneta de 94 páginas com anotações feitas a mão. (Aqui, acesso a 57 páginas da caderneta; algumas delas estão reproduzidas ao longo do post.)

O Exército não se alimentava apenas das informações que seus homens produziam. Um relatório da Aeronáutica também obtido pelo blog demonstra o empenho da força aérea na busca de dados para o combate à guerrilha. É o Informe 011 da Divisão de Informações de Segurança da 1ª Zona Aérea, sediada em Belém, com data de 23 de agosto de 1972 e carimbo de confidencial. (Abaixo, trecho do documento. Aqui, a íntegra.) Além de informações frescas sobre o movimento, o documento trazia fotos dos guerrilheiros.

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PRÓXIMO POST: Cartas do front de batalha.

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2 Comentários

Arquivado em História do Brasil, Militares

2 Respostas para “EXCLUSIVO: Guerrilha do Araguaia/4 Documentos inéditos das FFAA

  1. Mauro

    Mais uma prova do profissionalismo das Forças Armadas que quando querem fazem a coisa certa.

    Triste, pelo despreparo dos revolucionários, pelo abandono com o qual foram submetidos pela cúpula do partido, pela desorganização e pelo delírio de um sonho quase impossível.

    A operação revolucionária era tão grande que precisou, numa segunda avaliação, de apenas 250 homens e um punhado de cabeças pensantes, para afundar o projeto Araguaia.

    Esse material é importante para entender que não era preciso um golpe militar. Uma eleição presidencial após o afastamento de João Goulart, já seria suficiente para continuarmos a exercer nossa democracia.

  2. Maria Inês

    Cada dia melhor.

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