O futuro do jornalismo diário (ou tudo junto e misturado)

Estúdio da Al Jazeera (mas pode chamar de The Guardian)

Papel ou plataforma eletrônica? Essa já foi uma questão do jornalismo diário. Não mais. Todos sabemos que o jornal em papel pode durar uma, duas décadas e, daí para frente, talvez continue a ser publicado, mas está fadado a se tornar um luxo ou um hábito exótico (como as cartas pessoais enviadas pelo correio). A mudança é veloz. Ainda na sua primeira geração, o iPad deu mostras consistentes de que em pouco tempo as telas portáteis serão a plataforma da vez. No jornalismo diário, goste-se ou não (eu particularmente não gosto), o papel está com os dias contados.

Essa discussão, no entanto, abrange apenas um pedaço da questão. No jornalismo, a plataforma é o de menos. O que de fato interessa é o conteúdo. E é nesse campo – o conteúdo – que um movimento silencioso e muito interessante começa tocar as grandes corporações: o jornalismo de parceria.

Recentemente, Le Monde, El País, The Guardian, Der Spiegel, O Globo e Folha de S.Paulo fecharam um acordo com o WikiLeaks para publicar, em primeira mão, os documentos secretos obtidos pela organização de Julian Assange. Parceria não é uma novidade entre jornais globais, mas desta vez era diferente: o WikiLeaks não é um tradicional provedor de conteúdo jornalístico, e sim uma organização de caráter semi-clandestino dedicada a divulgar papéis confidenciais de governos. Em segundo lugar, Assange é um ciberativista considerado inimigo número um do establishment norte-americano.

Algo se moveu no mundo dos grandes jornais.

Hoje, lê-se que o Guardian fez uma parceria com a Al Jazeera (!) para investigar um plano de ataque contra o Hamas formulado pelo serviço de inteligência do Reino Unido, MI6. O material jornalístico produzido é uma bomba (Em inglês, no Guardian, http://migre.me/3KD0z; em português, na Folha, mas só para assinantes http://migre.me/3KD9p). Tão importante quanto a notícia é a parceria. Para produzir conteúdo de qualidade, um dos mais tradicionais diários da Europa, com 190 anos de estrada, topou associar-se à polêmica e arrojada TV do Qatar que está revolucionando o jornalismo em língua árabe.

O jornalismo parceiro ainda engatinha, mas talvez seja parte da resposta que as grandes corporações jornalísticas buscam para enfrentar a perigosa transição do papel para o meio eletrônico. Se o Guardian pode trabalhar junto com o WikiLeaks e a Al Jazeera, por que não ser parceiro também, por exemplo, do Jornal Pessoal, do Pará? (Veja aqui post sobre o JP no blog.) Não seria, aliás, uma atitude de vanguarda. Um dos maiores sucessos jornalísticos da era digital, Huffington Post, é um site que agrega vários blogs norte-americanos. O Huffington Posta, para quem não sabe, tem mais leitura que muito jornalão dos Estados Unidos.

O futuro é isso: em papel ou na tela, tudo junto e misturado.

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2 Comentários

Arquivado em Jornalismo, Mundo

2 Respostas para “O futuro do jornalismo diário (ou tudo junto e misturado)

  1. eymard

    Lucas, mesmo para quem é apenas leitor e gosta de ler, essas mudanças sao significativas. O jornal diário impresso precisa mudar (no conteúdo) pois a velocidade da informaçao nos remete para a internet, mas a análise, o jornalismo investigativo, ou seja, o conteudo e o tipo de informaçao continuam a exigir formas variadas. Gostei do tudo junto e misturado.

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