Dilma cria corvos na área militar

 

Na posse, Dilma passa as tropas em revista; 3 dias depois, desautorizada pelo general Elito

Cría cuervos,  y te sacarán los ojos, diz o ditado espanhol. Não demorou 72 horas para que Dilma, como presidente, tivesse de ouvi-lo.

Ao tomar posse ontem como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (órgão da Presidência da República!!!), o general José Elito Siqueira zombou de 25 anos de esforços da sociedade e do Estado Brasileiro pós-ditadura para curar as feridas dos 21 anos de autoritarismo. General quatro estrelas, posto maior da carreira, Elito disse o seguinte:

  • A existência de desaparecidos políticos não deve ser motivo de vergonha;
  • Não deveria ser criada a Comissão da Verdade, iniciativa do governo Lula, abarcada por Dilma, que pretende esclarecer violações dos direitos humanos na ditadura. “Temos é que pensar pra frente, disse o general”.

Este blog, no dia 23/12/10 (leia aqui), já havia alertado para duas características do general Elito: ele não só é um dos principais expoentes da ala dos “duros” das Forças Armadas como se presta a ser seu porta-voz, mesmo sendo um oficial da ativa. “As duas escolhas feitas até agora por Dilma que tem reflexos na área militar (Nelson Jobim para o Ministério da Defesa e o general Elito para o GSI) revelam que a futura presidente está disposta a jogar com a ala dos duros. É bom ficar atento aos próximos lances desse jogo”, escrevi na ocasião.

Foi rápido o lance seguinte: antes de completar quatro dias de governo, Dilma – ex-guerrilheira torturada na ditadura – teve uma de suas principais propostas na área de direitos humanos desautorizada por um general da ativa com gabinete no Palácio do Planalto.

Cría cuervos, y te sacarán los ojos.

xxx

Na manhã do dia 14 de maio de 1971, no Rio de Janeiro, o estudante de economia e guerrilheiro Stuart Edgar Angel Jones, 26 anos, foi capturado por agentes do aparelho repressor do Estado Brasileiro. Foi levado para uma unidade do Cisa (serviço secreto da Aeronáutica) na Base Aérea do Galeão. Lá, Stuart foi torturado no pau-de-arara, espancado e, sob o olhar de oficiais e soldados, arrastado pelo pátio, amarrado ao para-choque de um carro. Quando o carro parou, os militares obrigaram Stuart, esfolado mas ainda vivo, a bocar a boca próximo ao cano de descarga para inalar os gases tóxicos expelidos. Depois de matarem Stuart, os agentes do Cisa sumiram com seu corpo. (Não foi coisa da raia miúda; Tudo isso aconteceu sob o comando direto de um brigadeiro, João Paulo Burnier.)

Todos sabem dessa história, pelo relato de sobreviventes que presenciaram as sevícias. As Forças Armadas, contudo, se negam até hoje, 40 anos depois, a confirmar o fato e a indicar o que foi feito com o corpo de Stuart.

Stuart Edgar Angel Jones faz parte do grupo de aproximadamente 140 desaparecidos políticos. Uma vergonha que, para poder expurgá-la, o Brasil precisa assumir.

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7 Respostas para “Dilma cria corvos na área militar

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  6. Meu caro, otimo blog. Boa sorte e bom 2011. Abs., Sergio Lirio

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