Parem as máquinas! Memória nacional viva, Collor subiu à tribuna

Collor em 2010

Collor em 1990

Parem as máquinas! O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) subiu hoje (9/12/10) à tribuna do Senado para lembrar que, daqui a dois dias, faz aniversário a lei que instituiu um regime jurídico para os servidores públicos civis da União. E lá se foram 20 anos, lembrou Collor, puxando a sardinha para sua brasa: “Tenho orgulho de acrescentar mais esse diploma normativo ao rol das leis que promulguei durante o exercício da Presidência da República”.

E eu que quase ia me esquecendo da data… Aposto que não fui o único.

Que bom que temos Fernando Collor no Senado. Não foi a primeira vez que Sua Excelência nos brindou com suas qualidades mnemônicas. Ele gosta de efemérides. Neste ano, por exemplo, das outras sete vezes em que ocupou o púlpito, duas foram para nos lembrar de datas importantes. No último dia 10, lá foi ele à tribuna da Câmara Alta resgatar os 20 anos do Código de Defesa do Consumidor. Duas semanas depois, não deixou passar em branco os 80 anos do Ministério do Trabalho.

Ele é um craque! O ex-senador Rui Soares Palmeira, se vivo fosse, completaria 100 anos? Collor avisa. Poucos sabem que a cada 15 de setembro celebra-se o Dia Internacional da Democracia. Mas o nosso senador registra para os anais da História – e questiona: “Será a democracia o caminho que pode cimentar a paz? Será a democracia o instrumento para a solução pacífica dos conflitos humanos que fomentam a destruição e a guerra?”.

Collor sabe que o povo não tem memória.

Ainda bem que lhe restam quatro anos de mandato para ser a nossa memória nacional. Aí vão algumas sugestões de efemérides para as próximas visitas de Collor à tribuna do Senado:

 199016 de março – Um dia depois de assumir a Presidência, Collor baixa um plano econômico que congela por 18 meses os recursos de contas correntes, poupança e aplicação financeira superiores a US$ 1.250.

24 de março – Agentes da Receita Federal invadem a Folha de S.Paulo, que vinha fazendo reportagens críticas ao governo Collor.

4 de setembro – Numa operação nebulosa, a VASP é vendida ao empresário Wagner Canhedo, que paga com cheques de Paulo Cesar Farias, tesoureiro de Collor.

1992

23 de maio – O empresário Pedro Collor afirma que seu irmão se esconde atrás de um testa-de-ferro: PC Farias;

27 de junho – Um motorista que prestava serviços à Presidência, Eriberto França, conta como as despesas pessoais de Collor & família eram pagas por PC Farias;

Julho – Para justificar os gastos da reforma da residência pessoal de Collor, a Casa da Dinda, arma-se a Operação Uruguai, o farsesco empréstimo de US$ 5 milhões no Uruguai.

26 de agosto – Aprovado o relatório final da CPI do PC, que acusa Collor de faltar com “a dignidade, a honra e o decoro do cargo de chefe de Estado”.

2 de outubro – Collor é afastado da Presidência para responder a um processo de impeachment.

29 de dezembro – Collor renuncia na tentativa de escapar do impechment.

30 de dezembro – Por 76 x 3, o Senado considera Collor culpado de crime de responsabilidade e o torna inelegível por oito anos.

1994

12 de dezembro – Por 5 x 3, o STF absolve Collor da acusação de corrupção passiva.

2006

3 de outubro – Com 44% dos votos válidos, Collor é eleito senador por Alagoas.

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6 Comentários

Arquivado em Política

6 Respostas para “Parem as máquinas! Memória nacional viva, Collor subiu à tribuna

  1. Nilda

    Através do site Conexão Paris descobri seu blog e gostei mto, principalmente da matéria sobre o Collor. Moro em Alagoas, infelizmente terra onde os eleitores não tem memória mesmo e elegerão o colorido, prá vergonha do nosso estado, mas na última eleição ele foi candidato a governador e perdeu logo no primeiro turno, depois apoiou um candidato que tbm perdeu, foi mto bom.

  2. Shirley Emerick

    Uai… já parou de escrever???? Cansou depois do segundo??? Quero mais textos…..

  3. Lu Pereira

    Pois é, meu caro Lucas.
    É o nosso Brasil. A democracia, tão questionada ai pelo ex-presidente Collor, ainda tem falhas (graves) que permitem que gente como ele seja novamente eleita. Mas é a democracia…

  4. eymard

    Lucas, datas comemorativas. De que mesmo? Va refrescando nossa memória. A agenda vai ficar cheia de datas importantes. Igual agenda de santo: um dia para cada um deles!

  5. Pedro Silveira

    “Collor sabe que o povo não tem memória.”
    Pronto! Já estou gostando de passar por aqui!

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