Boa Ventura! é destaque na Feira do Livro de Lisboa e na imprensa portuguesa

Mais (boas) notícias da edição portuguesa de Boa Ventura!. A obra, rebatizada em Portugal com o título A Última Pepita,  foi um dos destaques da Feira do Livro de Lisboa, conforme informa o jornal Público.

A imprensa portuguesa continua dando bom espaço à obra. Veja aqui a ilustração da resenha do livro feita pelo Diário de Notícias, um dos mais maiores e, com 148 anos, mais antigos periódicos portugueses. E, abaixo, a entrevista que concedi ao Diário Digital.

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Lucas Figueiredo desvenda a corrida ao ouro do Brasil por parte dos portugueses

Por Pedro Justino Alves, do Diário Digital

«A Última Pepita» – Os Portugueses e a corrida ao ouro do Brasil», de Lucas Figueiredo e editado pela Marcador, alcançou um enorme êxito no Brasil, já que aborda um tema que não era até então muito explorado na literatura brasileira: a corrida ao ouro em Minas Gerais.

Lucas Figueiredo acredita que a corrida ao ouro foi o principal legado deixado por Portugal no Brasil. O livro nasceu devido a uma reportagem jornalística, quando o autor foi desafiado para descobrir onde tinha parado o ouro retirado do Brasil no século XVIII. Com o trabalho Lucas Figueiredo ganhou o principal prémio do jornalismo brasileiro, mas isso não foi suficiente e resolveu escrever «A Última Pepita» – Os Portugueses e a corrida ao ouro do Brasil». «Todos ganhamos com a corrida ao ouro: Brasil e Portugal», defende.

Até que ponto o tema da corrida ao ouro em Minas Gerais era desconhecido no Brasil?
Na verdade, os livros de história só começaram a ser consumidos em grande volume no Brasil de 15 anos para cá. Nos últimos cinco anos, esse interesse aumentou bastante. Até o lançamento de «A Última Pepita» (que no Brasil se chama «Boa Ventura!»), não havia um livro específico que contasse a história da corrida ao ouro.

Alguma razão especial para o interesse do público nos temas históricos?
A estabilização da economia brasileira e a conquista de avanços sociais fez com que pudéssemos deixar de nos preocupar tanto com o presente. Assim, podemos agora olhar com mais atenção o passado.

E como surgiu o tema do livro? Porque decidiu escrever sobre o ouro de Minas Gerais?
Surgiu de uma trabalho jornalístico. Quando eu era repórter especial da cadeia de jornais «Diários Associados», o meu chefe na época me desafiou a descobrir onde estava o ouro retirado do Brasil no século XVIII. Foram noves meses de investigação, rodei o Brasil, Portugal, França, Inglaterra e Benin. Por fim, obtive muitas respostas. Este trabalho recebeu o Prémio Esso de Jornalismo, o mais importante do Brasil. Fiquei fascinado com o tema e acabei por aumentar a pesquisa por mais dois anos para escrever o livro.

Há um grande número de personagens em «A Última Pepita». Foi muito complicado o trabalho de pesquisa para o livro? Ou, pelo contrário, estava à vontade com o tema?
Há bastante documentação disponível, sobretudo no Brasil e em Portugal, mas é preciso tempo e disposição para pesquisar dezenas de quilos de papéis. Trabalhei 12 horas por dia durante dois anos para concluir a pesquisa. Não foi fácil, mas foi um prazer.

Um dos grandes méritos do livro é o seu ritmo. Apesar de abordar temas e personagens históricos, lemos «A Última Pepita» como um romance. Teve essa preocupação no acto da escrita?
Sou adepto do «new journalism» de Gay Talese, Truman Capote, Tom Wolfe e outros tantos. Acredito que é possível ser 100% fiel à história e aos fatos e, ao mesmo tempo, produzir um texto mais próximo da literatura do que de um simples relatório. Se a história de Portugal e do Brasil é uma epopeia digna dos grandes autores gregos, porque então retratá-la com toda a sua carga de aventura, paixão e drama? Não é preciso recorrer a ficção para ter uma história maravilhosa.

Das personagens portuguesas, qual aquela que manteve e ainda mantém uma «relação» mais próxima?
Dos famosos, digamos assim, tenho predilecção por D. João V, um personagem riquíssimo para um documentarista como eu. Mas sou fascinado mesmo é com o português comum que vendeu o pouco que tinha no Minho e se lançou ao mar atrás de um tesouro enterrado numa terra distante, à qual pouco ou quase nada conhecia. Esse tipo aventureiro, empreendedor e um tanto sem juízo é para mim grandioso.

Até que ponto o ouro de Minas Gerais foi importante para a História do Brasil, já que, em Portugal, ele foi determinante?
Não só o ouro de Minas Gerais… O Brasil deve muito não ao ouro, mas à corrida ao ouro. Somos o que somos hoje, um país continental, com grande miscigenação e aberto para o mundo, graças à grande aventura da corrida ao ouro, o maior legado que Portugal poderia nos deixar.

Como acredita que Portugal via a colónia Brasil na era da colonização?
As visões eram diversas: a Coroa, a corte, os funcionários reais, o português comum que se tornava colono… Todos viam o Brasil de uma maneira diferente, mas com um traço comum: uma terra de oportunidades, uma terra onde, com um pouco de sorte, era possível sair do nada e ganhar tudo.

Como foi a recepção do seu livro no Brasil? O tema abriu novos debates na sociedade, por exemplo?
O livro permitiu aos brasileiros conhecer uma história até então ignorada. Permitiu um olhar um pouco mais complexo e rico do que a visão ultrapassada que antepõe supostos exploradores e explorados, ganhadores e vencedores. Todos ganhamos com a corrida ao ouro: Brasil e Portugal.

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