GSI 1 X 0 Abin (Ou o monstro ainda vive e continua verde)

Deu no Estadão: o ministro-chefe do GSI, general José Elito Carvalho, venceu a queda de braço com os agentes da Abin que reivindicavam a reformulação do serviço secreto.

General Elito: no serviço secreto, o verde-oliva não sai de moda

A Agência Brasileira de Inteligência, um órgão civil, continuará subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional, uma repartição de cultura militar.

Perde o Estado Democrático de Direito.

Ainda não surgiu um presidente civil com coragem suficiente para tirar dos militares o comando do serviço secreto, um órgão que, como em qualquer lugar do mundo, age na clandestinidade e, quando preciso, joga sujo.

O primeiro governo pós-ditadura, de José Sarney (1985-90), nada fez nessa área. Basta dizer que manteve intacto o famigerado Serviço Nacional de Informações (SNI).

Fernando Collor (1990-92) fingiu que acabou com o SNI, mas na verdade apenas desidratou o monstro. Pelo menos teve o mérito de retirar o serviço secreto das mãos dos militares.

Itamar Franco (1992-94) restabeleceu a militarização do serviço secreto, aprofundada depois por Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) conseguiu superar FHC ao retirar da Abin e repassar diretamente ao GSI a condição de cabeça do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), estrutura que reúne os aparatos de Estado mais sensíveis na área de informações (Abin, Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Anvisa etc.).

Agora, Dilma Roussef vai no mesmo rumo. Abafa um motim na Abin, promovido por agentes que reivindicavam o fim da ligação com o GSI, e reforça as atribuições do Gabinete de Segurança Institucional em relação ao serviço secreto.

Segundo o Estadão, o general Elito recebeu de Dilma a tarefa de promover “uma reformulação de natureza ideológica e operacional” na Abin. O serviço secreto precisa, sim, de uma reformulação profunda, mas não comandada por um general da ativa. Para começar, é necessário:

1) Cortar os laços da Abin com o GSI e, por conseguinte, com as Forças Armadas, reforçando assim a natureza civil da agência;

2) Retirar a Abin do campo interno, deixando-a voltada exclusivamente para o campo externo;

3) Fazer com que o Congresso assuma o dever legal, já estabelecido, de efetuar o controle externo da Abin.

Enquanto isso não acontecer, os motins na Abin continuarão acontecendo, os governantes continuarão a ser surpreendidos com escândalos gerados no serviço secreto e a transição democrática continuará inacabada.

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6 Comentários

Arquivado em Inteligência, Militares, Política

6 Respostas para “GSI 1 X 0 Abin (Ou o monstro ainda vive e continua verde)

  1. João augusto

    Caros André e Lucas, vocês não acham que por trás desa guinada (a direita) do PT, há um braço do José Dirceu com o militars? No governo FHC, a postura do Genoino era bem contrária a esta não?

    • Caro João Augusto
      Como mostro em meu livro Ministério do Silêncio, desde 2003, quando Lula assumiu a Presidência, o PT vem se mostrando conservador na área militar. Faz tudo para não criar uma “agenda negativa” com os militares, temendo não ter a neutralidade destes numa crise.

  2. João

    Parabéns, bicho! Tenha certeza que você fala em nome de muitos.

  3. Caro Lucas Figueiredo,

    Parabéns por suas relevantes e precisas considerações sobre a questão GSI X ABIN.
    Como já alardeiei, “O destino da ABIN” já é conhecido de sobejo, pois “do pau que nasce torto, até a cinza é torta”.
    Contudo, também não nos esqueçamos que:
    “Cada povo tem a inteligência que merece”.

    Abraços,
    André Soares

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